10 séries e filmes com personagens transgêneros que você precisa assistir

Hoje, 29 de janeiro, é Dia Nacional da Visibilidade Trans, data comemorada desde 2004, quando ativistas transexuais participaram da primeira campanha contra a transfobia no Brasil. Feita por pessoas trans, a iniciativa pedia respeito e cidadania a essa população.

Doze anos depois, as reivindicações e os obstáculos enfrentados pelas pessoas trans continuam os mesmos: a luta por respeito à identidade de gênero, acesso aos tratamentos hormonais e cirúrgicos e respeito à sua própria humanidade, já que não é difícil vermos essas pessoas sendo referidas pelos pronomes errados, fora das escolas, do mercado de trabalho e da sociedade, sendo tratadas como cidadãs de segunda classe.

Atualmente, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, segundo uma pesquisa da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU). Some isso ao fato de que 90% das mulheres trans estão trabalhando na prostituição e uma expectativa de vida em torno dos 35 anos (enquanto a média brasileira é de 73 anos), e temos a certeza de que fechamos os olhos a um grupo que vive à margem da sociedade.

E a mídia desempenha um papel importante na humanização das pessoas trans, dando visibilidade às suas causas e histórias, além de criar referenciais positivos para elas, que ainda não se veem representadas quanto os outros membros da comunidade LGBT.

Entretanto, recentemente, as pessoas trans têm ganhado uma certa visibilidade em séries e filmes, estando presentes em produções de grande sucesso, o que tem possibilitado um novo olhar sobre esse grupo, que ainda luta por direitos básicos. Até agora, personagens trans são muito poucos, sendo ainda mais difícil encontrar atores e atrizes trans interpretando suas próprias histórias, como são os casos do filme “A Garota Dinamarquesa” e do seriado “Transparent”, cujas obras contam histórias de mulheres trans, mas não deram a elas a oportunidade do protagonismo.

Isso não desmerece o trabalho dos atores envolvidos, mas quando se trata de uma população que vive nas ruas, vê-las atuando é importante. E como bem sabemos, representatividade importa.

Dito isso, se você quiser aprender mais sobre o que é ser uma pessoa trans, aqui vão dez filme e séries que você precisa acompanhar:

“Orange Is The New Black”:

Em “Orange Is The New Black” conhecemos Sophia Burset, personagem da atriz e ativista transexual Laverne Cox. A série da Netflix já é um exemplo positivo de representação feminina, por conter um elenco composto por mulheres diferentes, e ainda possui uma personagem trans. E assim como todas as outras detentas da penitenciária de Lichfield, Sophia também tem suas próprias questões e sua própria história, não sendo apenas só mais uma personagem na trama.

“Sense8”:

Outra série da Netflix, “Sense8” traz Nomi, uma hacker transexual vivida pela atriz Jamie Clayton, também transexual. No seriado, ela é uma das personagens centrais, e divide com eles uma estranha conexão mental e emocional, que possibilita ouvirem, se comunicarem e ainda se apossarem de conhecimentos e habilidades dos outros. Em “Sense8”, Nomi também namora uma mulher cisgênero (pessoa que se identifica com o gênero designado ao nascer), Amanita (Freema Agyeman). Não é sempre que vemos em séries e filmes pessoas trans em um relacionamento, portanto, esse é mais um ponto positivo para o seriado.

“Boy Meets Girl”:

“Boy Meets Girl” já apareceu no blog uma vez. O filme é estrelado por Michelle Hendley, uma mulher trans à procura do amor. Ao seu lado, ela possui seu melhor amigo da vida toda, Robby (Michael Welch), que parece ter uma paixão secreta por ela. Para sacudir tudo, há a bissexual Francesca (Alexandra Turshen), que está noiva de um oficial da marinha, e acaba se envolvendo com nossa protagonista. Embora pareça uma comédia romântica comum, “Boy Meets Girl” retrata a dificuldade das pessoas trans em encontrarem o amor.

“Transparent”:

“Transparent” é uma produção original da Amazon, cuja trama é centrada em Maura Pfefferman (Jeffrey Tambor), uma mulher que viveu toda sua vida se identificando como um homem, mas é chegada a hora de externar quem sempre foi, o que mexe com a dinâmica familiar. É uma história comovente, que já rendeu vários prêmios para a série criada por Jill Solloway, inclusive ‘Melhor Ator’ para Jeffrey Tambor no Globo de Ouro e no Emmy Awards do ano passado.

“A Garota Dinamarquesa”:

“A Garota Dinamarquesa” é outro filme que já foi discutido por aqui. Eddie Redmayne interpreta a artista Lili Elbe, creditada como a primeira mulher trans a fazer uma cirurgia de redesignação sexual. O longa é uma adaptação do livro de mesmo nome de David Ebershoff, que romantizou a vida da dinamarquesa.

Antes mesmo da produção ir aos cinemas, ela já estava envolvida em polêmica por conta do papel principal ser de Eddie Redmayne, um homem cisgênero, ao invés de parar nas mãos de um ator ou atriz transgênero. O diretor de “A Garota Dinamarquesa”, Toom Hooper justificou sua escolha afirmando que o problema está em Hollywood.

“O acesso a atores trans, homens e mulheres, aos papéis de trans ou cisgênero, é fundamental. E eu sinto que no momento, dentro da indústria, isso é um problema”, afirmou à revista Variety. “Há uma gama de atores trans talentosos e o acesso aos papéis é limitado. Eu apoiaria qualquer mudança que movesse a indústria para frente, abraçaria atores trans em papéis trans e cisgênero e também celebraria e encorajaria cineastas trans.” Hooper acrescentou ainda que há algo “feminino” em Redmayne, o que o tornou perfeito para o papel.

“I Am Cait”:

https://www.youtube.com/watch?v=sKZCcVKVHws

“I Am Cait” é uma série que documenta a transição de Caitlyn Jenner. Exibida pelo canal E!, a atração traz a ex-atleta olímpica aprendendo o que é ser transgênero, ao mesmo tempo em que educa sua audiência sobre as questões e dificuldades enfrentadas pelo grupo “T” da comunidade LGBT.

Embora, Caitlyn cometa alguns deslizes (dentro e fora das câmeras), é um seriado que apresenta diversas pessoas trans, com histórias e origens variadas, e todas dispostas a fazer com que o público e a própria Jenner entendam que, embora ela tenha sido bem aceita na mídia e pelo público, essa não é a realidade da maioria dessa comunidade, que não possui os mesmos privilégios de Caitlyn.

A série “I Am Cait” já teve uma temporada e a segunda começa a ser exibida nos Estados Unidos em março deste ano.

“Tangerine”:

“Tangerine” narra a história de Sin-Dee Rella (Kitana Kiki Rodriguez), uma prostituta trans e recém-saída da cadeia, que descobre que seu namorado e cafetão, Chester (James Ransone) está traindo-a com uma mulher cisgênero. É sua amiga, e também prostituta, Alexandra (Mya Taylor) quem conta o rumor, e as duas vão juntas tirar a história a limpo. Além do fato das duas atrizes serem transgênero, outro destaque do filme é sua execução: o diretor Sean S. Baker filmou o longa em um iPhone 5S.

“I Am Jazz”:

Na mídia, em geral, quando vemos histórias de pessoas LGBT, nós as conhecemos quando são representadas por adultos, dando uma perspectiva errada, até certo ponto, de que foi tudo fácil durante a adolescência, quando sabemos que é nesse período da vida que se dão diversas questões envolvendo nossas identidades.

É por isso que “I Am Jazz” é importante, porque foca na vida da jovem transgênero Jazz Jennings, uma menina que sempre teve a sorte de contar com o apoio dos pais, e tem a sua vida retratada no reality show que leva seu nome. Todos os dramas e as alegrias da adolescência são exibidos na atração.

Mesmo nova, ela já escreveu um livro em que detalha sua vida enquanto uma menina transgênero. Em 2014, ela foi eleita uma dos “25 jovens mais influentes do mundo” pela revista TIME. Jazz é ainda rosto de uma campanha da Clean & Clear, a qual incentiva meninos e meninas a serem quem são de verdade.

“I Am Jazz” estreou no canal Discovery Home & Health em novembro do ano passado.

“Meu Nome é Ray”:

Elle Fanning é quem dá a vida a Ray, um garoto de 17 anos fazendo sua transição. Ele vive com sua mãe, Maggie (Naomi Watts), e sua avó lésbica, Dolly (Susan Sarandon), as quais estão ainda aprendendo a lidar com as mudanças que a transição do menino acarretam. Há também o pai distante de Ray, Craig (Tate Donovan), cuja assinatura é necessária para o tratamento hormonal, mas ele não está disposto a fazer isso pelo filho.

“Meu Nome é Ray” deve chegar ao Brasil no final de março deste ano.

“Kátia”:

“Kátia” é um documentário que conta a história de Kátia Tapety, a primeira travesti a ser eleita a um cargo político no Brasil, sendo vereadora três vezes e vice-prefeita de Oeiras, um município no sertão nordestino. O filme ganhou vários prêmios, entre eles, ‘Melhor Longa’ na 8ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul.

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