Youtube pede desculpas pelo bloqueio de vídeos LGBT e promete mudanças

Youtube pede desculpas pelo bloqueio de vídeos LGBT e promete mudanças

Nos últimos dias, vários criadores de conteúdo LGBT demonstraram sua indignação com o fato de o Youtube estar bloqueando seus vídeos quando um usuário ativa o ‘modo restrito’ na plataforma. O recurso toma por base as “sinalizações de comunidade, restrição de idade e outros sinais para identificar e filtrar o conteúdo potencialmente inadequado”, explica o site do Google, que comanda a rede de vídeos.

É uma situação decepcionante, já que a mensagem transmitida com essa censura é a de que ser LGBT seria ‘errado’ e que todo material sobre lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans seria impróprio para menores de idade, quando muitos jovens  (sendo LGBT ou não) recorrem aos diversos canais no Youtube para tirar dúvidas sobre orientação sexual e/ou identidade de gênero.

No mais, vivemos em uma sociedade LGBTfóbica, ou seja, quando o Google diz que usa “sinalizações” de comunidade”, ele acaba levando em consideração as vozes contrárias aos LGBTs, e deixando de lado quem busca um espaço para normalizar identidades e combater preconceitos. Além disso “outros sinais” é algo extremamente vago para usar como justificativa para o bloqueio de conteúdo.

Porém, segundo uma nota emitida hoje (21) pelo Youtube, as coisas devem melhorar. A plataforma admitiu o erro em seu sistema, explicando que mesmo que a quantidade de usuários acessando a rede no ‘modo restrito’ seja pequena, “isso é sobre o princípio de que todos tenham acesso a conteúdo importante e a diferentes pontos de vista”.

“O recurso não está funcionando como deveria. Pedimos desculpas e vamos consertá-lo. Introduzimos o modo restrito em 2010 como uma ferramenta para ajudar instituições como escolas, bem como pessoas que queiram ter um controle maior sobre o conteúdo que veem no youtube. Desenhamos esse recurso para restringir conteúdo de tópicos mais maduros, sendo vídeos que contenham profanidade, imagens ou descrições de violência ou discussão de certas doenças, como vício e distúrbios alimentares. Hoje, em torno de 1,5% das visualizações do Youtube vêm de pessoas que utilizam o modo restrito. Mas sabemos que isso não é sobre números, é sobre o princípio de que todos tenham acesso a conteúdo importante e a diferentes pontos de vista”.

No mesmo comunicado, a empresa citou alguns vídeos bloqueados injustamente, como “Coming Out To Grandma”, de Calum McSwiggan, e o clipe de “BWU”, da dupla de irmãs lésbicas Tegan e Sara. Porém, a plataforma comprometeu-se a melhorar o recurso.

“Embora o sistema não seja 100% perfeito, como dissemos acima, nós devemos e vamos fazer um trabalho melhor. Obrigado pelo feedback. Nós revisamos manualmente os exemplos dos vídeos mencionados e garantimos de que agora eles estão disponíveis no modo restrito. Nós também usaremos esse exemplo para treinar melhor nossos sistemas. Levará um tempo para auditar completamente nossa tecnologia e liberar novas mudanças. Por isso, fiquem conosco. Não há nada mais importante para nós do que ser uma plataforma onde todos possam pertencer, ter uma voz e se manifestar quando acreditam que algo precisa ser mudado. Nós agradecemos de verdade a ajuda para manter a comunidade do Youtube ativa e engajada em tópicos que importam para os criadores e fãs do Youtube”.

Essa é uma notícia animadora. Talvez não seja pedir demais uma melhoria nos filtros de comentários nos vídeos postados na plataforma, mas já é ótimo que o Youtube esteja disposto a melhorar seu sistema. Estaremos acompanhando esses avanços.