Assim como muitos adolescentes, Willow Smith já teve de lutar contra a automutilação

05. setembro 2018 Famosos 0
Assim como muitos adolescentes, Willow Smith já teve de lutar contra a automutilação

Em 2010, Willow Smith estava em todos os lugares com a música “Whip My Hair”. Com apenas 9 anos, a filha de Will e Jada Pinkett Smith estourou pelo mundo, sendo chamada até de “pequena Rihanna”, por conta do seu estilo. Contudo, o que ninguém sabia é que por trás do enorme sucesso, a menina estava com problemas de saúde mental.

Em maio deste ano, ao participar do programa da mãe no Facebook, o “Red Table Talk”, Willow revelou que se machucava sem que ninguém soubesse. Jada e sua mãe se surpreenderam com o que a jovem contou.

“Foi depois de ‘Whip My Hair’. Eu tinha parado de fazer aulas de canto e me sentia em uma zona cinzenta em que eu me perguntava: ‘quem sou eu? Eu tenho um propósito? Será que eu consigo fazer algo além disso?'”, refletiu. “Depois da turnê e da promoção, eles queriam que eu finalizasse meu álbum. E eu não queria fazer aquilo. E depois que tudo se acalmou, eu estava em uma calmaria. Eu ouvia muita música sombria e eu mergulhei nesse buraco negro e comecei a me cortar”.

Willow continuou: “Fiz loucuras. Eu me cortava nos meus pulsos. Não dá para ver muita coisa hoje, mas eu perdi minha sanidade naquele momento”. A cantora afirmou que ninguém sabia disso, apenas uma amiga. “Eu não falava sobre isso, pois foi uma época curta e esquisita da minha vida. Mas você precisa sair disso. Eu sentia como se estivesse sofrendo uma grande dor emocional, mas meu físico não estava refletindo isso”. Nesse momento, Jada a pergunta se o ato de se cortar “torna a dor mais tangível, algo que você pode ver”, e a filha responde: “sim. A dor se torna real e não um fantasma na sua mente”. Depois, ela concluiu que, em uma noite, sentiu que aquilo era “psicótico” e que parou de se cortar.

Surviving Loss

This week around the Red Table, Jada Pinkett Smith reveals the impact of the tragic death of her longtime best friend, Tupac Shakur. While Willow Smith shares a painful secret for the first time. Follow Red Table Talk for episodes and updates, only on Facebook Watch.

Posted by Red Table Talk on Monday, May 14, 2018

A automutilação não é uma doença mental, mas o hábito de se ferir pode vir de alguma desordem, como a depressão e a ansiedade. E embora os cortes em braços e pernas sejam o tipo mais comum de se ver na mídia, as agressões contra si mesmo também podem acontecer em forma de queimaduras, mordidas e outros tipos. É uma prática que tem se tornado cada vez mais comum entre os jovens – especialmente meninas. Um estudo realizado no Reino Unido constatou que a automutilação cresceu 68% entre 2011 e 2014 entre os adolescentes britânicos, especialmente do sexo feminino. No Brasil, não há estatísticas oficiais, mas estima-se que 20% dos jovens façam ferimentos de propósito em seus corpos.

Esse é um tema cercado de tabus, mas que precisa ser conversado. Primeiramente, a automutilação não é uma tentativa de suicídio: quem faz esses ferimentos em si mesmo não necessariamente tem a intenção de tirar sua própria vida, mas isso pode vir a acontecer. De maneira geral, essa prática é uma tentativa de lidar com a dor emocional, transferindo-a para o corpo, podendo assim ser controlada, ainda que apenas momentaneamente, enquanto a interna é mais difícil de ser trabalhada. Dessa maneira, podemos entender a automutilação como uma forma individual de uma pessoa de lidar com as emoções negativas, que podem vir de uma depressão ou de um trauma ou abuso.

Parar de se machucar nem sempre é fácil. Embora Willow Smith tenha conseguido, muitas pessoas têm dificuldade em parar de se automutilar, porque isso pode tornar-se uma ‘muleta’ emocional. Portanto, para tratar o problema, é preciso o acompanhamento de um psiquiatra e psicólogo. É fundamental, também, o apoio daqueles que estão à volta, que não devem julgar ou oferecer soluções fáceis como ‘pensar positivo’ para enfrentar o problema, já que a automutilação está atrelada a questões maiores e que merecem atenção e cuidado.

Há tratamento para a automutilação, por isso, é importante buscar ajuda para vencer esse mal. Saiba como abaixo.

Caso você esteja precisando de ajuda:

  • o Centro de Valorização à Vida (CVV) realiza atendimentos pelo site e pelo número 188 e 141 (para Bahia, Maranhão, Pará e Paraná);
  • procure o CAPS e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde);
  • em caso de emergência: SAMU 192, UPA, pronto socorro e hospitais.

*Geralmente, eu faço links de onde tiro as informações, mas por se tratar de um tema delicado e que pode fazer mal a algumas pessoas, evitei linkar as notícias e postar imagens.