Vídeo explica por que algumas mulheres na ficção científica são lindas, sensuais, mas muito inocentes

Vídeo explica por que algumas mulheres na ficção científica são lindas, sensuais, mas muito inocentes

Em filmes de ficção científica, não é difícil encontrarmos personagens femininas que sejam bonitas, sensuais, que tenham alguma habilidade especial, mas que ao mesmo tempo não saibam nada sobre a vida e o mundo.

Se você nunca parou para pensar nisso, assim como eu, sua mente vai dar um salto com um vídeo feito por Jonathan McIntosh, o Pop Detective do Youtube, o qual chama esse tipo de representação feminina de “Born Sexy Yesterday”, ou em português, “Nasci Sensual Ontem”. Ela não é muito diferente da Manic Pixie Dream Girl, que como o Nó de Oito explica, é “a personagem feminina adorável, esquisita e cheia de vida que vive mudando a vida de protagonistas homens depressivos filmes afora”.

No caso da Born Sexy Yesterday, a personagem feminina pode ser um robô, uma alienígena ou uma sereia, e “possui a mente de uma criança inocente e cheia de talentos, mas no corpo de uma mulher madura e sexualizada”. Como exemplos, o autor do vídeo utiliza os filmes “Tron: O Legado” e “O 5º Elemento”, destacando também outras produções, como “Encantada”, “Nascida Homem”, “Splash – Uma Sereia em Minha Vida” e “Sheena – A Rainha das Selvas”. 

“Personagens que nasceram sensuais ontem possuem frequentemente alguma habilidade que os homens vão respeitar. Em geral, essa coisa é a luta”, diz o Pop Detective. Porém, ele ressalta que o problema dessa representação não é a personagem feminina em si, mas como ela é construída para agradar o homem heterossexual. Os protagonistas masculinos nesses filmes, pensam frequentemente em sexo, são solitários ou infelizes com suas vidas amorosas.

“Ele se encontra sem direitos ou sem direção. Ele não encontra, ou não quer, uma mulher de seu próprio mundo. Uma mulher que pode ser sua igual em termos de amor e sexualidade”, continua McIntosh. Ou seja, mais uma vez, é tudo uma questão de controle sobre a mulher.

Como essas mulheres provavelmente não conheceram outros homens, eles são para elas os melhores que existem. E isso é confortável para o personagem masculino, já que, por mais comum que ele seja, ele não precisa ser melhor, afinal, seu interesse romântico só tem olhos para ele.

“É sua inocência que permite a ela ver algo especial nele. Algo que outra mulheres, menos inocentes e com mais experiência não veriam”.

“A cruz dessa caracterização é a fixação na superioridade masculina. É uma fantasia baseada no medo: o medo das mulheres que são iguais aos homens em experiência sexual e histórico amoroso, e o medo de deixar de ser superior intelectualmente sobre as mulheres”, diz o Pop Detective. “Pela definição, as personagens nascidas sensuais ontem não possuem ex-namorados e não possuem experiências sexuais. A partir daí, o herói masculino evita até mesmo a possibilidade de ser comparado, julgado ou de não corresponder às expectativas. No final, essa é uma fantasia masculina de escapar da humilhação da rejeição. Já que ele é o primeiro e único homem na vida daquela mulher, ele é o melhor como padrão, o que significa que ele não precisa tentar ser um parceiro ou um namorado melhor”.

Jonathan McIntosh acrescenta ainda que a construção dessas relações vêm de muito tempo, desde as relações de mulheres indígenas com homens brancos. Contudo, ela foi sendo substituída ao longo das décadas por homens experientes e mulheres brancas com atitudes de crianças, ainda que sejam adultas. É uma espécie de infantilização da mulher, de forma que ela seja dependente do homem, por mais medíocre que ele possa ser.

Essa disparidade de gênero e de poder entre homens e mulheres é o que torna muito problemática a Born Sexy Yesterday. O autor do vídeo conclui que é preciso que Hollywood construa personagens femininas que sejam iguais aos homens em tudo, “inclusive em termos de amor e sexo”. E essa é uma mensagem que a gente apoia com toda a certeza!


3 thoughts on “Vídeo explica por que algumas mulheres na ficção científica são lindas, sensuais, mas muito inocentes”

  • 1

    Personagens femininas simplistas em filmes de ficção científica. Existem, mas não em todos.
    ______________________________________________________
    Eu nuca tinha parado para pensar, mas sempre fui apaixonado pela a Leelo do 5 ª elemento. Eu gosto desta fórmula, poderosa + sexy + inocente; faz sucesso! Aliás, Ghost in the Shell, o filme com a Scarlett, colocou esta fórmula, coisa que não tinha no personagem da Motoko, no anime original de 95. Colocaram porque, talvez, queriam uma personagem mais palatável para um tipo de filme voltado mais para o entretenimento, aqueles para alcançar um maior público – os filmes blockbusters. O filme Ghost in The Shell não é ruim, mas infelizmente tiraram toda a essência da franquia de mangá, e da própria personagem principal.
    Só não podem acusar esta fórmula de bolo simplória de machista, pois é um recurso para construir personagens de uma determinada narrativa, e que tem por objetivo, agradar um público que foi atraído pela a expectativa desta narrativa. A saber, um filme de ficção científica com um pano de fundo mais simplório, com personagens rasos para uma filme voltado mais para o entretenimento, e para filmes de desenrolam a trama de forma ligeira – aliás, o Quinto elemento tem um viés muito humorístico. Já Tron, de 2010, é um filme totalmente superficial, com personagens, do espectro masculino ao feminino, bem esteriótipos de cinema. Por exemplo, o protagonista de Tron, o Sam Flynn, é o típico rapaz rebelde, é impulsivo, sedutor, com a força de um garanhão jovem e que pilota bem uma moto Ducati Sport 1000, mas é um jovem infeliz que não consegue se encaixar no mundo a sua volta, e vai atrás de um lugar que se encaixe; onde descobre seu propósito – este mundo é o universo de RV de Tron. Eu, pessoalmente, achei Tron bem bobo; e bobo do jeito que não pretende fazer humor. Diferente de O Quinto elemento, não me agradou.
    Certamente eu acho personagens complexas e bem construídas infinitamente mais interessantes, mas isto depende do foco da narrativa. A tenente Ripley de Alien, por exemplo, é uma personagem muito mais complexa. Ela é destemida, perseverante, sobrevivente, atormentada e incondicionalmente materna. A maternidade de Ripley é tão impulsiva que ela somente sobrevive no segundo filme, em função de seus pr´pior impulsos maternos, a de proteger incondicionalmente a garotinha órfã. No terceiro Filme Ripley se mata, pois além de estar parasitada por um xenomorfo, ela, sem a garotinha que adotou no final do segundo filme, e também, sem sua filha que morreu de velhice, talvez já não encontre motivos para viver. No quarto filme, Alien – A Ressurreição, podemos ver a sua clone, em carícias com seu filhote, mistura de homo-sapiens e xenomorfo; podemos notar a dor que ela sente em matar o próprio filhote.
    Ripley é um personagem complexa, que cabe bem na narrativa dos filmes da série Alien. São filmes de ficção científica, mas que possuem um pano de fundo de terror psicológico. Como filme de terror psicológico, nada mais verossímil que construir personagens psicologicamente mais complexos. Já os filmes de ficção científica, voltadas para um entretenimento raso, os personagens “fórmula de bolo podem fazer sucesso. A Leelo que
    diga.
    Obs.: não falei sobre, mas não significa que me esqueci. A princesa Leia é um exemplo exato da quebra desta paradigma, “sexy-forte-mas inosente”.

  • 2

    Personagens femininas simplistas em filmes de ficção científica. Existem, mas não em todos.
    ______________________________________________________
    Eu nuca tinha parado para pensar, mas sempre fui apaixonado pela a Leelo do 5 ª elemento. Eu gosto desta fórmula, poderosa + sexy + inocente; faz sucesso! Aliás, Ghost in the Shell, o filme com a Scarlett, colocou esta fórmula, coisa que não tinha no personagem da Motoko, no anime original de 95. Colocaram porque, talvez, queriam uma personagem mais palatável para um tipo de filme voltado mais para o entretenimento, aqueles para alcançar um maior público – os filmes blockbusters. O filme Ghost in The Shell não é ruim, mas infelizmente tiraram toda a essência da franquia de mangá, e da própria personagem principal.
    Só não podem acusar esta fórmula de bolo simplória de machista, pois é um recurso para construir personagens de uma determinada narrativa, e que tem por objetivo, agradar um público que foi atraído pela a expectativa desta narrativa. A saber, um filme de ficção científica com um pano de fundo mais simplório, com personagens rasos para uma filme voltado mais para o entretenimento, e para filmes de desenrolam a trama de forma ligeira – aliás, o Quinto elemento tem um viés muito humorístico. Já Tron, de 2010, é um filme totalmente superficial, com personagens, do espectro masculino ao feminino, bem esteriótipos de cinema. Por exemplo, o protagonista de Tron, o Sam Flynn, é o típico rapaz rebelde, é impulsivo, sedutor, com a força de um garanhão jovem e que pilota bem uma moto Ducati Sport 1000, mas é um jovem infeliz que não consegue se encaixar no mundo a sua volta, e vai atrás de um lugar que se encaixe; onde descobre seu propósito – este mundo é o universo de RV de Tron. Eu, pessoalmente, achei Tron bem bobo; e bobo do jeito que não pretende fazer humor. Diferente de O Quinto elemento, não me agradou.
    Certamente eu acho personagens complexas e bem construídas infinitamente mais interessantes, mas isto depende do foco da narrativa. A tenente Ripley de Alien, por exemplo, é uma personagem muito mais complexa. Ela é destemida, perseverante, sobrevivente, atormentada e incondicionalmente materna. A maternidade de Ripley é tão impulsiva que ela somente sobrevive no segundo filme, em função de seus próprios impulsos maternos, a de proteger incondicionalmente a garotinha órfã. No terceiro Filme Ripley se mata, pois além de estar parasitada por um xenomorfo, ela, sem a garotinha que adotou no final do segundo filme, e também, sem sua filha que morreu de velhice, talvez já não encontre motivos para viver. No quarto filme, Alien – A Ressurreição, podemos ver a sua clone, em carícias com seu filhote, mistura de homo-sapiens e xenomorfo; podemos notar a dor que ela sente em matar o próprio filhote.
    Ripley é um personagem complexa, que cabe bem na narrativa dos filmes da série Alien. São filmes de ficção científica, mas que possuem um pano de fundo de terror psicológico. Como filme de terror psicológico, nada mais verossímil que construir personagens psicologicamente mais complexos. Já os filmes de ficção científica, voltadas para um entretenimento raso, os personagens “fórmula de bolo” podem fazer sucesso. A Leelo que o diga.
    Obs.: não falei sobre, mas não significa que me esqueci. A princesa Leia é um exemplo exato da quebra desta paradigma, “sexy-forte-mas inohttps://www.facebook.com/felipeassis.assis/posts/1516262701740978?hc_location=uficente”.

  • 3
    Sybylla on 11/05/2017 Responder

    O título do texto é: “Vídeo explica por que algumas mulheres na ficção científica são lindas, sensuais, mas muito inocentes”.

    ALGUMAS MULHERES = não são todas, mas tem

    Não precisa postar textão sobre personagens complexas de scifi, que por incrível que pareça não são tão comuns assim, só pra pagar de culto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *