Vale a pena gastar dinheiro para ver “Esquadrão Suicida”? Aparentemente, não

03. agosto 2016 Cinema 0
Vale a pena gastar dinheiro para ver “Esquadrão Suicida”? Aparentemente, não

Depois de sermos bombardeados por mais trailers do que gostaríamos de “Esquadrão Suicida”, o filme finalmente chega aos cinemas amanhã (4), mas algumas pessoas já foram conferir a produção… E não gostaram.

A obra, dirigida por David Ayer (“Coração de Ferro”) tem sido duramente criticada pela imprensa especializada e por blogs independentes, os quais parecem ter entrado em um consenso: “Esquadrão Suicida” não entrega o que foi prometido depois de uma intensa campanha de promoção do longa. Para se ter uma ideia, o Rotten Tomatoes, site que reúne os comentários sobre filmes, colecionou 115 reviews, e até agora mostra um percentual de 31% de aprovação para o filme.

Obviamente, vai da decisão de cada um assisti-lo ou não, mas selecionei algumas críticas nacionais e internacionais, para que você possa ponderar se vale a pena ou não gastar seu tempo e dinheiro no cinema:

Zero Hora:

“A premissa de que o tal ‘Esquadrão Suicida’ é formado por vilões também não se cumpre. Na verdade, a turma é tão cheia de boas intenções e age tão dentro das regras que faz parecer maligno o Batman do também desastroso ‘Batman vs Superman – A Origem da Justiça’. São tão bonzinhos que precisam ficar o tempo todo repetindo que são vilões. Culpa do roteiro, escrito pelo também diretor David Ayer? Pode ser. Mas não só. Inicialmente um filme sombrio, ‘Esquadrão Suicida’ teve suas trevas esmaecidas para captar uma audiência mais interessada em fanfarronice e riso fácil – uma das críticas feitas a ‘Batman vs Superman’, lançado em abril. ‘Esquadrão Suicida’ é ruim porque é ruim, mesmo. E indica que, com crítica ou sem crítica, nem vilões estão conseguindo salvar a DC Comics nos cinemas”.

Omelete:

“O filme joga tudo na ideia de que, em meio à ação, uma química brotará entre os protagonistas e será capaz de desenvolver espontaneamente esses dramas que no fundo podem ser bem densos, especialmente o da médica enlouquecida por uma relação abusiva. O mais frustrante de tudo é a sensação de oportunidade mal aproveitada. ‘Esquadrão Suicida’ tinha, talvez até mais do que ‘Deadpool’, o potencial de oxigenar os filmes de super-herói, com personagens escolhidos a dedo na excelente galeria de vilões de Batman, mas David Ayer não encontra um tom para seu filme de início, depois desiste francamente de procurar, e termina se contentando com as soluções mais burocráticas do gênero”.

DAMMIT:

“Não é um filme para ser levado a sério, o foco aqui é proporcionar uma experiência diferente a quem vai ao cinema e aos fãs de super-heróis. E se um filme consegue te divertir e te entreter, mesmo com todos os seus problemas funcionais, ele cumpriu sua missão. ‘Esquadrão Suicida’ é um filme que não se leva a sério, e você que vai assistir também não deveria. São duas horas divertidas que não devem ser analisadas tão friamente como têm sido. Os personagens são ótimos, e trilha sonora, apesar de reciclada, também”.

Ligado em Série:

“‘Esquadrão Suicida’ carrega muitos problemas, mas ao menos cria um universo próprio e, principalmente, diferente do que o que estávamos vendo tanto na DC quanto na pasteurizada rival Marvel. Isso, por si só, já é um grande mérito de Ayer e dos realizadores. Longe de ser a bomba que foi cada um dos últimos filmes de herói da Warner/DC, ‘Esquadrão Suicida’ traz a redenção do estúdio e a sinalização de que o caminho será menos tortuoso daqui pra frente, agora que aprenderam com os recentes erros. Ainda que apresente um filme problemático, Ayer conseguiu trazer cor, emoção, música e especialmente diversão para uma franquia que estava ficando empalidecida nas mãos do já cansativo Zack Snyder”.

Vanity Fair:

“‘Esquadrão Suicida’ é ruim. Não é um ruim divertido. Não é um ruim redimível. Não é do tipo ruim a partir do resultado infeliz de artistas empenhando-se com honras por algo ambicioso e falhando. ‘Esquadrão Suicida’ é só ruim. É feio e entendiante, uma combinação tóxica que significa que nem a violência fetichizada não possui, nem dá uma pequena animação no perverso ou tabu. (Ah, o filme quer ser as duas coisas). É simplesmente um trabalho monótono imergido em machismo flácido, sem forma, mal editado, que adiciona um sexismo aparentemente suave, e até mesmo uma suspeita de racismo à sua abundante adoração cronometrada de armas. Mas, talvez, pior de tudo, ‘Esquadrão Suicida’ é inferior e esquecível para sequer ser registrado como revoltante. Ao menos revoltante seria algo“.

Buzzfeed:

“Harley Quinn é a personificação de todas as coisas conflituosas que esse novo filme desastroso, mau escrito e dirigido por David Ayer, tenta fazer. Ela deveria ser divertida de forma ‘eu sou lou-ca’, mas ela também é uma mulher em um relacionamento abusivo e que o filme não sabe como lidar. Ela deveria ser forte, e no sentido mais literal, ela deveria quebrar as coisas com seu taco de basebol. Mas ela é também uma prisioneira psicológica, a qual perdeu sua própria lucidez. Ela é um ícone gótico que fala como um gangster da década de 30 e que possui uma arma, cujo cano tem escrito ‘ódio’ e ‘amor’, mas que lá no fundo, tudo o que ela queria era ser uma dona de casa com bobes, cuidando dos filhos, enquanto seu marido de cabelo verde vai para o trabalho. Ela é anarquista, mas não muito, e divertida, mas não muito, ela está perdida, mas não muito – ou, pelo menos, não muito de uma forma que o filme esteja pronto para explorar. Claro, Harley é uma personagem complicada, mas ela foi transformada em um mascote intensamente sexualizado em um filme que tem ânsia em ser mordaz, mas que não consegue superar as curvas de sua protagonista”.

G1:

“A falta de identidade fica gritante quando o time embarca na tal ‘missão sem volta’. O diretor David Ayer gerencia a personalidade dos suicidas como se estivesse brincando com um painel de força: esses caras são individualistas, BANG, mas pensando bem agora eles se sentem uma família; vamos fazer com que ela fuja do time agora e, BANG, não, claro que não, ela sempre preferiu ficar com os parças; esses caras são perigosos, BANG, ei, espere aí, eles não querem a dominação mundial. Como Arlequina, ajudante e namorada do Coringa, Margot Robbie tenta servir de alívio cômico com piadas sobre sua (in) sanidade que quase sempre surgem com um ‘timing’ horrível. Você ri na primeira vez, mas tem dificuldade nas 15 seguintes. A insistência em sua sexualização, com inúmeras cenas descaradamente focadas em sua bunda, também são sofríveis”.

Observatório do Cinema:

“Após os 123 minutos, o que se vê é um filme que clama por atenção a todo instante, acreditando cegamente numa fórmula mágica do sucesso. Assim, ‘Esquadrão Suicida’ é um filme que contém ação, misturado a tiradas cômicas, cheio de efeitos especiais, com uma infinidade de referências a filmes anteriores e posteriores do universo compartilhado da DC (os famosos easter eggs), e nessa obsessão em agradar acaba apenas revelando uma série de falhas e sua insegurança em conceber um filme diferente. ‘Esquadrão Suicida’ é apenas uma busca intensa por popularidade, que se empalidece na sua tentativa de deixar seus vilões mais coloridos, mais divertidos e mais engraçados. O longa é uma tentativa exagerada para rebater as críticas e conseguir uma aceitação, e nessa jornada, muitas características tiveram que ser abandonadas, resultando num filme mais genérico, mais parecido com tantos outros que se vê por aí. Por incrível que pareça, ‘Esquadrão Suicida’ demonstra-se o menor filme do universo DC”.