Usher é a próxima vítima da violência policial no clipe de “Chains”

03. fevereiro 2016 POP 0
Usher é a próxima vítima da violência policial no clipe de “Chains”

Talvez a cultura pop nunca tenha discutido o racismo como hoje. Diversos artistas têm se engajado, através de seus trabalhos (e fora deles), na conscientização dessa forma de preconceito tão enraizada na sociedade, seja no Brasil ou nos Estados Unidos.

Em meio às discussões de falta de diversidade no Oscar deste ano, quando nenhum ator negro foi indicado nas categorias de atuação, o cantor Usher quer continuar a conversa sobre racismo, desta vez, destacando a violência policial contra a população negra americana no vídeo da música “Chains”, uma colaboração com o rapper Nas e Bibi Bourelly.

No vídeo dirigido por Ben Louis Nicholas, Usher vive um rapaz que tenta fugir da polícia até parar numa igreja em que está sendo realizado um velório, o qual ele percebe, logo em seguida, ser o seu. Todo filmando em preto e branco, o clipe traz algumas pessoas negras segurando cartazes que dizem “eu serei o próximo?”

A música foi lançada, oficialmente, em outubro do ano passado, no serviço de streaming Tidal junto a um vídeo que capturava os movimentos faciais dos usuários. A cada momento em que os olhos eram desviados da tela, a reprodução era interrompida e uma mensagem dizia: “não olhe para o lado.” Enquanto a canção tocava, eram exibidas imagens de pessoas mortas pela polícia, acompanhadas de histórias delas. Ao final, uma mensagem aparecia: “encarar os fatos é o primeiro passo para a mudança.”

“Chains”, assim como o clipe, é toda politizada, e o verso inicial já indaga: “Com liberdade e justiça para todos/ Justiça para todos?” Escrita por Usher, ele contou que foi motivado “pelos eventos envolvendo a injustiça e o preconceito que ainda acontece hoje em dia”.

“A realidade é que a intolerância racial diminui as vidas de muitas pessoas no nosso país. Precisamos nos unir, enquanto nação, para resolver esses problemas, e essa é uma forma pela qual eu posso contribuir”, escreveu o cantor em um comunicado.

No ano passado, a cantora Janelle Monáe liderou uma passeata contra a violência policial, lançando uma música em memória dos mortos. O cineasta Quentin Tarantino também demonstrou seu apoio à causa, participando de um protesto na cidade de Nova York, o que acabou enfurecendo sindicatos policias, que pediram boicote ao diretor. Mais recentemente, a marca de roupas do rapper T.I. abordou a violência policial no vídeo da nova coleção, e o rapper Macklemore fez uma música, “White Privilege II”, em que canta sobre seus privilégios enquanto pessoa branca e como pode contribuir na luta contra o racismo.

O preconceito racial é um tema que não pode ser ignorado e é extremamente positivo que os artistas estejam se engajando para eliminá-lo.