“UnREAL” traz um olhar perturbador sobre os bastidores de reality shows

“UnREAL” traz um olhar perturbador sobre os bastidores de reality shows

Quando meu melhor amigo disse para eu assistir ao seriado “UnREAL”, eu fiquei com um pé atrás. Não porque não confiasse no gosto dele para séries, mas porque a premissa do show não me cativou tanto. Em linhas gerais, a atração mostra os bastidores de um reality em que um cara precisa escolher uma mulher entre várias candidatas para ser sua namorada.

Não parece muito promissor, né? Mas a verdade é que a série é bem mais do que isso.

Em “UnREAL” conhecemos Rachel (Shiri Appleby), uma das produtoras de “Everlasting”, um reality show de relacionamentos (muito parecido com o “The Bachelor” americano), que depois de ter tido um colapso nervoso no ano anterior, ela volta ao programa, ainda tentando se recuperar, e disposta a mudar seu comportamento. Contudo, essa não será uma tarefa fácil, já que a trama do seriado gira em torno das manipulações da equipe de trabalho para garantir que a atração ganhe audiência. E uma vez nesse meio, Rachel precisa jogar com as mesmas cartas.

Sua chefe é a arrogante e temperamental Quinn King (Constance Zimmer), que não se importa com os sentimentos de ninguém, desde que consiga o que precisa para fazer com que “Everlasting” seja um sucesso. Para tal, ela conta com a equipe de produtores para causar intrigas e brigas entre as participantes, isto é, eles explorarão o que há de pior nas garotas, a fim de que elas cheguem aos seus limites e criem de forma “orgânica” as velhas narrativas de novelas: a mocinha, a vilã e o rapaz apaixonado que precisa escolher entre uma delas.

O rapaz em questão é Adam Crownwell (Freddie Stroma), um herdeiro de uma rede de hotéis, que só aceitou participar do programa para limpar sua imagem. Ou seja, não há nada de real no reality show.

Ao assistir “UnREAL”, é fácil odiar Rachel, Quinn e todos os outros produtores, pois eles não medem esforços para que “Everlasting” seja um hit na televisão. E embora as atitudes de todos sejam questionáveis e até condenáveis, você acaba torcendo de alguma maneira para que eles façam algo ‘certo’ para que possam se redimir – especialmente a protagonista da atração.

“Ela é uma anti-heroína. Ela faz coisas ruins com as pessoas e, claro, ela se sente culpada depois, mas isso torna as coisas aceitáveis? Porque ela ainda está fazendo coisas horríveis”, contou Shiri Appleby ao Digital Spy. “Suas ações e emoções estão em conflito umas com as outras, então, ela força o público a se perguntar: ‘você torce por ela?’, pois ela ainda está tratando as pessoas de forma horrível”.

E é exatamente essa a proposta de “UnREAL”: nos deixar em conflito o tempo todo com as ações de todos ali. Se por um lado o desgosto por Rachel e Quinn são inevitáveis (apesar do carisma das personagens – esse é mesmo um show para criar um conflito em você), por outro lado é preciso entender que ambas são apenas peças em um jogo muito maior, um no qual fazer ‘boa televisão’ significa fazer o inimaginável, pois é isso o que as pessoas querem ver.

Portanto, o seriado é difícil de assistir, mas irresistível ao mesmo tempo. Não se culpe por passar por cada episódio sem saber exatamente o que sentir e em quem acreditar. Afinal, nesse jogo de aparências, a pior coisa a se fazer é confiar em alguém.


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