Uma super-heroína de burca vem quebrando vários estereótipos sobre mulheres muçulmanas

15. abril 2015 POP 0
Uma super-heroína de burca vem quebrando vários estereótipos sobre mulheres muçulmanas

[ATUALIZAÇÃO 16/4]

Como me foi apontado, a vestimenta da Jyia é, na verdade, um niqab, cujo uso é obrigatório em algumas regiões, mas que não diminui os grandes atos dela em busca de igualdade e justiça. A situação das mulheres árabes ainda precisa precisa de várias melhorias, o que faz com que a “Burqa Avenger” seja uma heroína que reflete a luta dessas mulheres, mesmo em regiões onde dirigir, por exemplo, lhes seja um direito negado.

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Enquanto o mundo Disney tem se esforçado em transformar suas princesas em mulheres menos dependentes de seus príncipes e mais donas de si, lá no Paquistão, uma super-heroína de burca vem chamando atenção em vários sentidos.

“Burqa Avenger” (“Vingadora de Burqa”, em tradução minha) é uma professora durante o dia, de nome Jyia, e à noite transforma-se numa justiceira, cujos poderes não são nada iguais aos que estamos acostumados: ela utiliza lápis e livros em sua luta contra o mal. Quer melhor forma de mudar o mundo?

A heroína é paquistanesa e vem ganhando atenção por fazer uma ótima representação das mulheres muçulmanas em seu país e no mundo, dando a várias meninas uma nova inspiração. E “Burqa Avenger” vai ganhar novos territórios agora: se antes ela era vista somente no Paquistão, sua história, agora, começa a ser transmitida, também, na Índia, país com mais de 1 bilhão de habitantes, onde é dublada em inglês, hindi, telugu e tâmil.

A “Vingadora de Burca” é uma professora durante o dia e só usa sua vestimenta preta à noite, quando precisa lutar contra crimes baseados em gênero, injustiças e, principalmente, Jyia luta pela educação igualitária. E ela vem fazendo isso desde 2013. A animação tem feito tanto sucesso, que já foi nomeada para um prêmio Emmy, e outros como o ‘Peabody‘ (que reconhece produções com histórias que defendem interesses públicos), em 2013, o ‘Gender Equality Award’ e o ‘Rising Star Award’, no Festival de Filmes do Canadá. Nada mal, hein?

Uma heroína feminista que usa lápis e livros como armas e luta pela educação para todos? Soa um pouco Malala, não? E isso é ótimo, afinal, quanto mais meninas elas empoderarem, ainda mais na região de origem delas, marcada pela subjugação da mulher, melhor para todo mundo. Se você quiser conferir um pouco da “Burqa Avenger”, dá para assistir o primeiro episódio abaixo. Quem sabe o Netflix não traz ela para cá também? Com certeza temos muito para aprender com a nossa heroína muçulmana preferida!