Um super pai pinta as unhas em apoio ao filho e a história ganha a internet pelos melhores motivos

Um super pai pinta as unhas em apoio ao filho e a história ganha a internet pelos melhores motivos

*Foto de destaque: Thiago e Arthur com as unhas pintadas. Arquivo Pessoal / Thiago Moreira

Essa é daquelas histórias  que aquecem o coração. Temos um super pai, que não quer ver seu filho sendo reduzido a um papel engessado de gênero, e a história dos dois ganhou a internet e pelos melhores motivos possíveis.

Thiago Moreira, é padrasto do pequeno Arthur, de 4 anos, a quem ele chama de filho. O garotinho pinta as unhas sempre que a mãe pinta as delas também. E para ele, tudo bem. E por que não seria, não é mesmo?

“O Arthur tem 4 anos e sempre gostou de brincar com as cores. Um dia ele me viu pintando as unhas e quis fazer igual. Eu deixei porque gosto de criar meu filho sem sexismo, ele é uma criança e quer apenas brincar”, explica Laura Muller, mãe do menino, ao Zero Hora.

No entanto, certo dia, o menino sofreu bullying na escola por ter suas unhas pintadas e, ao chegar em casa, começou a retirar o esmalte. Um menino disse a Arthur que ele parecia uma menina. O pai não se conformou com a história e fez um pedido ao filho:

“Eu peguei a bolsa de esmaltes da Laura e pedi para que ele escolhesse uma cor para pintar minhas unhas. Desde então, vou levá-lo e buscá-lo na escola com as unhas pintadas por ele”, explicou Thiago ao Zero Hora. Com certeza, as definições de super herói foram atualizadas.

Crianças são crianças e não deveriam ter suas experiências limitadas pelo sexo que foram designadas ao nascer. Não existem coisas de “meninas” ou coisas de “meninos”. O que existem são brincadeiras, e todas as crianças deveriam ser incentivadas a explorarem, criarem e se divertirem, ao invés de serem tolhidas com esses estereótipos de gênero que não funcionam e não fazem mais qualquer sentido.

Thiago e Laura possuem toda minha admiração por serem pai e mãe maravilhosos e permitirem o pequeno Arthur a viver uma vida onde ele pode ser quem é e brincar livremente.

Abaixo há o relato que o pai fez em ser perfil nas redes sociais:

“Sempre que a Laura pinta as unhas, o Arthur quer pintar também, porque afinal de contas, são cores, e ele quer tê-las em suas unhas também.

Pois bem, deixamos que ele pinte.

Certo dia ele chegou em casa, de cabeça baixa começou a tirar o esmalte de suas unhas e a Laura quis saber o por quê, ao que ele disse:

– Um menino mais velho disse que eu tava parecendo uma menininha.

Imediatamente peguei a bolsa de esmaltes da Laura e pedi para que ele escolhesse uma cor para pintar minhas unhas, e a cor escolhida foi essa da foto.

Desde então, vou levá-lo e buscá-lo na escola com as unhas pintadas por ele.

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Hoje no trabalho – pra quem não sabe, trabalho como recepcionista em uma pousada – um guia turístico veio buscar um de nossos hóspedes para um passeio e, assim que entrou na pousada, uma das primeiras coisas que ele notou foi:

– Você pinta a unha?

Contei pra ele a história e ele imediatamente fez questão de dar sua opinião a respeito:

– Mas você não acha que é prejudicial pro seu filho?

– Não, não acho. Por que seria? Ele é uma criança, ele não sabe preconceitos, não ensinamos isso em casa.

– Ah, mas pensa bem. Se você pinta a unha dele, VOCÊ tá contribuindo pra que ele seja alvo de bullying na escola… […] Quando tiver com ele em casa e ele quiser pintar a unha, pegue uma base, sei lá, e diga “olha, filho, esse aqui é o esmalte do papai, esse aqui você pode passar que ninguém na escolinha vai rir de você.

– Hei, mas a graça pra ele está JUSTAMENTE nas cores, ele gosta das cores, nós não vemos problema nenhum com isso e eu não irei privá-lo das cores porque outros pais ensinam seus filhos a ter preconceitos.

Após perguntar minha idade ele emenda:

– Eu tenho uma filha de 20 anos, ela nunca namorou e ela gosta dessas coisas mais Heavy Metal, mas se eu vejo ela usando uma bota de HOMEM eu digo “Filha, não tá legal”… […] Veja só, vocês são novos, não sejam tão liberais, hoje você pinta a unha dele, amanhã ele pode querer usar uma calcinha e se um dia ele chega de mãos dadas com um “coleguinha” na sua casa?

– Meu! PELAMOR! Ele gostar agora de pintar as unhas não interfere na sua sexualidade!

– Você acha que não?

– ÓBVIO que não! Se no futuro ele SE DESCOBRIR gay, se no futuro ele chegar de mãos dadas com um “coleguinha”, se no futuro ele quiser / gostar de usar calcinha, ele saberá que poderá contar com todo nosso apoio, pois somos seus pais e isso jamais deixaremos de ser. No mais, ele no momento é só uma criança que não tem preconceitos e nem é criada com eles.

Aí o hóspede chegou e acabou a conversa.

Bom dia.

P.S: Vai ter unha das mãos pintadas pelo filho SIM e se reclamar pinto as dos pés também”.