Um guia de marcas que apoiam os direitos LGBT

Um guia de marcas que apoiam os direitos LGBT

Se você está planejando boicotar empresas que apoiam os direitos das pessoas LGBT, como Ana Paula Valadão sugeriu ao mencionar o caso da americana Target, nada tema. Eis um guia de marcas que defendem os direitos dessa população. Dessa forma, você sabe onde deixar de comprar, porém, receio que o boicote seja muito grande.

Apenas para contexto: desde que o estado da Carolina do Norte adotou uma lei que proíbe pessoas trans de usarem o banheiro de acordo com o gênero com o qual se identificam em prédios públicos, a rede varejista Target resolver apoiar esses indivíduos, permitindo que escolham qual banheiro utilizar dentro de suas lojas. Em resposta, milhares de pessoas decidiram boicotar a empresa, mas segundo o CEO da companhia, Brian Cornell, os lucros não caíram.

Não há qualquer evidência de que pessoas trans seriam um ‘perigo’ para mulheres e crianças dentro dos vestiários. O que acontece é que as medidas adotadas para impedir que esses indivíduos possam viver uma vida livre de discriminação são feitas a partir do ódio e do medo de algo que não conhecem.

A atitude da Target em apoiar os direitos das pessoas trans a coloca ao lado de empresas que também têm feito o mesmo, desde mudar políticas internas, quanto transmitir mensagens de valorização e respeito à diversidade.

Avon:

A Avon tem um histórico de apoio às causas das mulheres e tem utilizado suas campanhas para trazer esses assuntos para o público. Não só isso, a marca se manifestou contra a homofobia, apostou em uma mulher trans para uma iniciativa de conscientização sobre o câncer de mama, e tem feito ações para discutir o preconceito contra a população LGBT. Seu último comercial para a internet (vídeo acima), lançado hoje, celebra a diversidade com gays, lésbicas, bissexuais, pessoas trans, com um recado no final: a marca é para todEs.

Adidas:

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A Adidas se comprometeu, a partir deste ano, a proteger os direitos dos atletas patrocinados pela marca, sejam eles gays, bissexuais ou transexuais. Isso quer dizer que há garantias contratuais para que eles possam tornar sua sexualidade e identidade de gênero públicas, caso desejarem, pois o acordo não será terminado ou modificado.

Também em 2016, a empresa  uma coleção limitada de calçados pintados nas cores da bandeira do arco-íris. Segundo a marca, parte dos lucros obtidos são destinados a uma organização que cuida de jovens LGBT moradores de rua em Portland. Aqui no Brasil, a Adidas convidou a cantora Pabllo Vittar para estrelar uma campanha.

Google:

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Se você está planejando boicotar empresas que apoiam os direitos LGBT, é melhor deixar de usar o Google (e o Facebook e o Twitter também). É que a companhia conseguiu a nota máxima em um índice da Human Rights Campaign (HRC), ONG que luta pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans, e que avalia o quão amigável uma empresa é com essa população. A nota máxima só é obtida caso a organização ofereça planos de saúde para transexuais e políticas contra a discriminação desse grupo.

Além de oferecer um ambiente e ótimas condições de trabalho para seus empregados que se identificam como LGBT, o Google realiza diversas campanhas contra o preconceito, inclusive através do Youtube, plataforma de vídeos mais conhecida e utilizada do mundo.

Starbucks:

Uma das marcas de café mais conhecidas do mundo também defende os direitos LGBT. Em 2014, o Starbucks realizou um comercial com duas drag queens do programa “RuPaul’s Drag Race”,  Bianca Del Rio e Adore Delano Star.

No ano passado, a empresa comemorou a aprovação do casamento igualitário nos Estados Unidos, e fez questão de certificar que seus estabelecimentos fossem seguros para lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans na cidade de Seattle, tendo feito uma parceria com a polícia local, treinando seus funcionários para que saibam o que fazer em caso de crimes de ódio contra essa população.

A companhia também assina uma carta que pede ao governador da Carolina do Norte para que suspenda a lei que proíbe pessoas trans de usar o banheiro de acordo com o gênero que se identificam.

L’Oréal Paris:

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A L’Oréal Paris também vem apoiando os direitos das pessoas LGBT. Para a campanha do Dia da Mulher deste ano, a empresa apostou na modelo Valentina, uma mulher trans, para o comercial da marca, e fez questão de afirmar que TODAS as mulheres valem muito. Recentemente, a companhia anunciou que a Valentina é a nova porta-voz da marca no Brasil. “Nossa primeira modelo transgênera […] e é um exemplo inspirador de muita força, determinação e autoconfiança”, escreveu a L’Oréal no Facebook.

Apple:

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A Apple, cujo CEO é assumidamente gay, também foi outra empresa, junto com o Google, a conseguir a nota máxima no índice da Human Rights Campaign. Além das duas companhias, a Microsoft também se saiu bem no relatório. Além das boas práticas dentro da Apple voltadas aos funcionários LGBT, a organização ainda saiu em defesa de causas dessa população, como o fim da lei da Carolina do Norte contra as pessoas trans.

Skol:

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Neste ano, a cerveja Skol, da Ambev, patrocinou pela primeira vez a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. “A Skol conseguiu manter-se como marca de consumo democrático, independentemente de gênero ou classe social. Agora, reforçamos o apoio à diversidade que faz parte da história da marca. Queremos incentivar os consumidores a respeitarem o próximo”, afirmou Fábio Baracho, diretor de marketing da marca.

Natura/ Lola Cosmetics/ O Boticário:

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A Lola Cosmetics fez bonito ao escolher a ativista e mulher trans Maria Clara Araújo para ser garota-propaganda da marca no ano passado. Um movimento similar tem acontecido na indústria da moda e dos cosméticos, que vêm apostando em mulheres trans para seus comerciais, como fez a Dove e  a Make Up Forever. Já O Boticário e a Natura investiram em comerciais com casais gays  lésbicos.

Netflix:

Se você quiser ir fundo no boicote, precisará dar adeus à Netflix. Em sua mais recente campanha, a empresa trouxe gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans para falar sobre a importância da representatividade LGBT. Vale lembrar que a Netflix foi muito bem em um relatório da GLAAD, ONG que monitora a representação LGBT na mídia, e melhorou no índice da Human Rights Campaign, alcançando quase nota máxima por suas ações com seus funcionários.

McDonald’s/ Coca-Cola:

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Nem mesmo a Coca-Cola e o McDonald’s escapam. Ambas as empresas foram muito bem no índice da Human Rights Campaign, tirando a nota máxima no índice da ONG, que avaliou o cuidado com os funcionários LGBT dentro das organizações.

E se mesmo assim você quiser continuar com o boicote, pense bem, antes de escolher, por exemplo, a companhia aérea. A GOL, American Airlines, Southwest Airlines e a Delta Air Lines são algumas empresas que apoiam os direitos LGBT. Se preferir viajar de carro, Ford, Toyota, Nissan, Volkswagen e Chevrolet são marcas a ser evitadas.

Na verdade, se quiser manifestar seu boicote na internet, lembre-se que além do Google, o Facebook, Twitter e o Instagram apoiam pessoas LGBT, ou seja, você está ajudando-as a continuar com esse trabalho de combate ao preconceito. Estúdios de filmes, caso você queira ‘descansar a cabeça’, também precisam ser esquecidos. Chega de produções da Disney, Sony, Universal, Paramount e Warner Bros.

Falando sério agora: diversas empresas estão do lado dos direitos LGBT, ou seja, não adianta boicotar uma delas, pois isso não vai impedir com que ela parem de criar ações mais inclusivas, seja dentro ou fora delas. O mundo, e isso inclui o corporativo, está se abrindo à diversidade e, a menos que você o faça também, é melhor voltar à idade das cavernas ou viver em um canto isolado do planeta. Mas eu garanto que é bem melhor abraçar o mundo como ele é: plural. E isso sempre será positivo.


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