Troye Sivan floresce como um verdadeiro artista pop no álbum “Bloom”

11. setembro 2018 POP 0
Troye Sivan floresce como um verdadeiro artista pop no álbum “Bloom”

Troye Sivan saiu do subúrbio de Perth, na Austrália, onde “todos são iguais, mas nada muda”, para ganhar o mundo com a sua música. Depois do ótimo “Blue Neighbourhood”, seu primeiro disco, lançado em 2015, neste ano ele volta às rádios e aos palcos com “Bloom”, um álbum que explora as dores e, principalmente, as delícias de ser gay. 

Há uma diferença entre o seu primeiro e segundo trabalho. No anterior, os temas eram mais densos e Troye parecia ainda estar firmando sua identidade enquanto um jovem homem gay. Agora, o garoto que surgiu no Youtube já parece estar seguro de quem é e brinca com isso, criando canções que versam sobre sua curiosidade sexual e relacionamentos nem sempre felizes.

“Bloom” abre com “Seventeen”, que a princípio parece uma doce música sobre um adolescente em busca do amor. Porém, ao prestar mais atenção na letra, temos um garoto morrendo de vontade de transar e descrevendo suas vontades de maneira subjetiva e vivida ao mesmo tempo. “Tenho algo aqui que eu quero perder e acho que você quer tirá-lo de mim”, ele canta, em referência à sua virgindade. A música reconta as experiências do músico aos 17 anos, quando ele se encontrava com homens mais velhos pelo aplicativo Grindr (é daí que vem o verso “a idade é só um número”).

“Eu consegui uma identidade falsa e baixei o Grindr no meu celular e tentei sair com pessoas que eram como eu”, disse Troye em entrevista à revista Attitude. “Mas você é meio que forçado a entrar nesses ambientes hiper-sexualizados, e mesmo que isso seja incrível quando você tem 17 anos, eu não sabia o que fazer”, recordou Troye, que sentia como se o seu coração batesse “a um milhão por hora” quando se encontrava com homens mais velhos. “Eu não me lembro exatamente, mas porque eu sempre fui pequeno, eu tinha medo de encontrar as pessoas porque eu pensava que eu seria morto por alguém”.

De fato, crescer gay é, muitas vezes, crescer sem referências e sem saber exatamente como existir em um mundo heteronormativo. Nesse sentido, as músicas de “Bloom” conseguem ser até subversivas, por falarem abertamente de relações homossexuais como uma naturalidade que ainda é raridade na música pop. Nesse sentido, “My My My”, “Bloom”, “Lucky Strike” e “Animal” discursam sobre os relacionamentos de Troye com outros rapazes, todas com letras que expressam os desejos românticos e sexuais do cantor.

“Bloom”, lançada em maio, é a mais provocativa e um ‘hino para as passivas’, pois se trata de uma experiência com sexo anal. A letra é subjetiva, mas se faz entender com os versos: “passeie pelo meu jardim, eu tenho muito a te mostrar/as fontes e as águas estão implorando para conhecê-lo” e “segure minha mão se eu ficar com medo/talvez você precise esperar um pouco/baby, vá devagar”. 

A música é chiclete, divertida e ousada: todos os elementos de uma boa música pop.

Mas não é só de diversão e tesão que se resume “Bloom”: há momentos de introspecção e reflexão, como na ótima “The Good Side”, escrita sobre um antigo relacionamento de Troye. Nela, ele admite ter saído bem do relacionamento, viajado o mundo e vivido boas e novas experiências, enquanto o ex-namorado foi quem ficou para trás com a dor. Embora triste, a música termina com uma nota de gratidão, na qual Sivan agradece ao antigo amor por tê-lo ensinado a amar, e com a esperança de que ambos se encontrarão um dia para conversar sobre tudo que viveram longe um do outro.

“Postcard”, parceria com a cantora australiana Gordi, é outra canção ‘crua’ e real, trazendo um Troye ressentido por ter se entregado demais a um parceiro que não retribuiu a mesma intensidade. Ela também vem de uma experiência verdadeira: o músico escreveu mesmo um cartão postal de Tóquio para um ex-namorado, mas como o personagem de “Postcard”, também não o pegou. Na vida real, contudo, ele jura que hoje não há mágoas, apenas carinho pelo homem que marcou um período da sua vida.

Em seguida vem “Dance To This”, uma colaboração com a doce Ariana Grande, com a qual canta sobre fazer uma festa dentro de casa – se é que você me entende. A música faz você dançar e até querer ser amigo dessa dupla cujas vozes funcionam muito bem juntas. Já perto do final, “Plum” é um reconhecimento de que tudo é temporário – até mesmo um relacionamento que começou muito bonito, mas que não foi adiante. As duas últimas faixas, “What a Heavenly Way to Die” e “Animal” poderiam facilmente ter sido singles nos anos 80, graças à sonoridade das mesmas, que também abordam o amor. Na primeira, a abordagem é voltada à expectativa de envelhecer junto de alguém, enquanto a segunda é sobre o desejo de estar ao lado do ser amado.

Com apenas 10 canções, Troye Sivan fez um dos melhores discos do ano, demonstrando sua evolução enquanto artista e sua disposição em abordar novos temas e explorar novos territórios. Depois de brotar com “Blue Neighbourhood”, ele floresce com “Bloom”, firmando-se como um artista pop a ser levado a sério e retratando a sua vida e de tantos gays em suas músicas. E esse é só o começo do lindo jardim que Troye está criando.