Tommy Hilfiger lança coleção de roupas para crianças com deficiência

A grife Tommy Hilfiger lançou neste ano uma coleção de roupas para crianças com deficiência, um avanço importante para quem encontra dificuldades para se vestir sozinho.

Se você nunca ouviu falar em “roupas adaptáveis”, é melhor se acostumar, pois com a boa vontade das marcas de vestuário, é possível que isso torne tendência em breve.

As roupas adaptáveis são peças feitas para pessoas com deficiência, ajustando-se às necessidades específicas de cada um. E a grife Tommy Hilfiger abraçou a ideia e se juntou à designer Mindy Scheier, criadora da organização não-governamental Runway of Dreams, para a criação itens para crianças com deficiência. “[É] Uma coleção muito especial, direcionada à comunidade de pessoas com diferentes deficiências, e que encontram desafios ao se vestirem”, diz o site da empresa.

Todas as peças são iguais às vendidas no site e nas lojas da Tommy Hilfiger, com exceção de pequenas alterações para que as crianças com deficiência tenham mais facilidade ao vesti-las. Botões e zíperes foram substituídos por imãs, e o comprimento do cós, mangas e das calças são todos totalmente ajustáveis. Essas últimas e as camisas sociais ainda podem ser fechadas pela frente ou pelas laterais.

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Mindy Scheier, designer e fundadora da ONG, vem trabalhando em roupas adaptáveis já há algum tempo. Tudo começou após seu filho Oliver, com 8 anos de idade, e que possui uma rara forma de distrofia muscular, perguntar a ela se ele podia usar calças jeans para ir à escola, assim como seus colegas. O menino usa um aparelho nas pernas para facilitar sua locomoção, mas era preciso usar calças de moletom para poder andar.

“Eu me encontrei em uma difícil decisão enquanto mãe: mando meu filho para a escola usando calças jeans, mesmo sabendo que seu aparelho não servirá por baixo dela, o que não permitiria ele ir ao banheiro sozinho? Ou eu digo que ele não pode vestir o que as outras crianças vestem por conta de sua deficiência?”, escreveu Scheier em um texto para o site da revista TIME. “Senti que nenhuma opção era justa, então eu decidi seguir um caminho diferente e encontrar uma solução melhor.”

Foi então que ela usou seus conhecimentos de moda para criar roupas para que Oliver pudesse vestir, ajustando-as para as necessidades específicas de de seu filho e de outras pessoas com deficiência.

“Com um pouco de prática, aprendi a aplicar modificações, trocar os acabamentos e fazer ajustes essenciais para adaptar as peças, para que Oliver pudesse se vestir sozinho e ter o mesmo estilo de seus amigos”, explicou a designer. “Quando conheci outros pais, crianças e adultos enfrentando os mesmos problemas, e até maiores, percebi que há uma falta real de opções disponíveis, e como roupas adaptáveis poderiam criar um impacto profundo na vida das pessoas.”

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Foi assim que, em 2013, surgiu a sua organização, a Runway of Dreams, que já trabalhou em coleções para a Target, Kohl’s e Wal-Mart. Agora, a Tommy Hilfiger, uma das maiores grifes do mundo, entrou no grupo de empresas que oferecem roupas para todo mundo.  “O que é maravilhoso nisso tudo é que são incrivelmente inclusivas”, contou Scheier ao Today.com. “Isso torna o ato de se vestir mais fácil. Ou, se a criança não é capaz de se vestir sozinha, também é mais fácil pela perspectiva dos pais.”

As peças vêm em diversos tamanhos para meninos e meninas, e estão disponíveis no site americano da marca, cujos preços são similares aos dos outros itens, variando entre US$ 18,50 (em torno de R$ 67) até US$ 42,50 (R$ 154). E de acordo com o site Fashionista, especializado em moda, novas coleções devem vir no futuro.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo possuem algum tipo de deficiência, e uma em cada cinco delas têm a vida dificultada pela falta de condições, algo que Mindy Scheier quer aliviar ao fazer o que pode: roupas adaptáveis.

“A Tommy Hilfiger é a primeira de muitas marcas a fazer o mesmo”, acredita Mindy Scheier. “É hora da indústria se unir para fazer a mudança acontecer. Para enxergar esse mercado consumidor como uma chance de engajar novos compradores, mas mais importante, para criar um impacto.”

Confira abaixo um pouco do trabalho da ONG Runway of Dreams:

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