Temos algumas dúvidas sobre a ‘cena exclusivamente gay’ de “A Bela e a Fera”

04. Março 2017 Cinema 1
Temos algumas dúvidas sobre a ‘cena exclusivamente gay’ de “A Bela e a Fera”

Durante a semana, vários sites de notícias replicaram a informação de que o live-action “A Bela e a Fera” teria uma ‘cena exclusivamente gay’, a primeira da Disney. Nas palavras do próprio diretor da obra, Bill Condon, que é assumidamente homossexual, o personagem LeFou (Josh Gad) terá sentimentos mistos pelo egocêntrico Gaston (Luke Evans).

“LeFou é alguém que em um dia quer ser Gaston e no outro quer beijar o Gaston”, revelou o cineasta à revista Attitude. “Ele está confuso sobre o que ele quer. É alguém que está percebendo que tem esses sentimentos, e Josh faz algo muito sutil e delicioso com isso. E isso é recompensado no final, que eu não vou contar. Mas é um momento bacana e exclusivamente gay em um filme da Disney”.

Um personagem gay em uma produção da Disney que vai ser exibida no mundo todo? Com toda a certeza do mundo, nós apoiamos. Em algum canto, um jovem homossexual vai se sentir menos sozinho ao ver um filme que normaliza seu afeto e sua existência.

Contudo, como aponta o site QZ, nem tudo pode ser tão lindo e representativo quanto parece. Há espaço para uma preocupação honesta sobre a forma que esse personagem será retratado: LeFou terá alguma profundidade ou será mais um personagem gay que serve apenas como um alívio cômico para a trama? Infelizmente, nós já vimos tanto esse filme, que ficamos um tanto receosos ao anúncio de um LGBT participando de uma produção hollywoodiana.

Só recentemente a Disney incluiu um beijo entre dois rapazes em uma de suas animações, ainda que de maneira sutil e entre rapazes que nem faziam parte da história contada. Falta um personagem assumidamente LGBT, como os fãs vêm pedindo já algum tempo: pegue, por exemplo, a Elsa, princesa de “Frozen”, a qual se viu no meio de inúmeros pedidos para que ela seja lésbica na continuação do desenho. Ou então lembre-se da expectativa criada em torno do possível casal de lésbicas em “Procurando Dory”.

Não estou sendo contra LeFou ser gay, de forma alguma. Minha preocupação gira em torno dos estereótipos preguiçosos em torno da representação gay no cinema. O resultado ainda será visto e, por se tratar de um filme que traz uma Bela inventora e que incentiva meninas a estudarem, o longa-metragem não deve decepcionar.

“Foi um momento que nós desenvolvemos como parte de muitas coisas sobre LeFou”, explicou o diretor Bill Condon à revista Variety. “Estou animado por esse momento dele. Eu não quero entregar muito, pois é parte de toda uma celebração sobre o amor, mas a Disney foi ótima com isso. É isso, toda a ética da companhia é a inclusão”.


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