Tato

Tato

Me encontro de novo na casa de aviões e sinto que encaixa, que minha pele sorri com o frio que faz lá dentro. Pego minha mala e cruzo o portão de desembarque. Te procuro em meio a multidão. Meus olhos vão percorrendo todos aqueles rostos desconhecidos. Todos eles pedindo por outro rosto familiar. E aos poucos, eu sinto cada poro meu sendo observado por você.

(Imagem: Samantha Deodato)

Eu posso estar em qualquer lugar, que teu olhar sobre mim sempre terá o mesmo efeito. Eu sorrio e tento me esconder entre os fios do meu cabelo. Falho automaticamente, eles estão curtos demais pra disfarçar qualquer riso frouxo. O frio passa e eu sinto minhas bochechas vermelhas. Acelero meus passos, no intuito de chegar até você mais rápido, porque quando tua boca toca a minha, teus olhos não me vigiam mais.

Eu percorri o caminho das nuvens imaginando aquele beijo. Meus olhos brilhavam com cada pedaço de algodão no céu. De repente, estávamos frente a frente. Olhei cuidadosamente tua boca. Queria gravar. Queria memorizar cada tom dela. Devagar. Abusei do clichê mais usado em roteiros de cinema e pedi pro tempo parar naquele momento.

O cheiro do lençol é familiar. O silêncio no quarto também. Naquele momento, tinha apenas o barulho dos meus pés descalços, subindo a escada. Pergunto se te incomoda. E concordamos no meio de um olhar tranquilo, que a distância incomoda bem mais. Tem sido assim. A ausência do toque, faz qualquer coisa parecer menor. E a gente descobre que de fato é.

As linhas da tua mão, desenham um mapa em meu corpo. Você interliga minhas pintas com a boca e novamente eu me sinto no céu. Você faz eu me perder pelo caminho e quando vejo, eu só quero ficar. Ficar naquela cama estreita, onde cabe nós duas, nossos planos e um bocado de gargalhadas espalhadas pelo ar.

Tato. Sentido por meio do qual se conhece ou percebe, usando o corpo, a forma, consistência, peso ou temperatura de outro corpo.

Tags:


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *