TAG: Eu sou do tempo…

27. fevereiro 2015 Internet 1
TAG: Eu sou do tempo…

A Sybylla, do blog Momentum Saga (ótimo, por sinal), sugeriu uma blogagem sobre o nosso tempo. Já que é o tempo que rege a vida, nós somos do tempo do quê? Aqui vai a minha colaboração. Quem mais quiser participar, reforço o convite da Sybylla. 🙂

sou so tempo sybylla momentum saga

Nasci em setembro de 1990 com meu irmão gêmeo, o Augusto. Em março daquele ano o Fernando Collor de Mello seria presidente do Brasil. Uma das maiores artistas dos anos 90 – e uma das minhas preferidas – lançaria seu primeiro álbum em junho, e se tornaria uma das cantoras da década, a Mariah Carey. Em 92, meu segundo irmão nasceria, o Bruno; e naquele mesmo ano, Collor sofreria impeachment. Em 2002 meus pais se separariam.

Eu e meu gêmeo na chácara do vovô
Eu e meu gêmeo na chácara do vovô

Sou do tempo em que havia borrachas de duas cores, com a promessa de que apagaria a escrita feita à caneta. Nunca funcionou. Na mesma época, lápis coloridos florescentes eram moda. Fiz meu pai comprar para mim e pouco os usava. Ficaram decorando o estojo e nada mais.

Nessa época, meu pai dava mesada de R$ 1 a cada filho por semana. Eu e meus irmãos gastávamos com balas, chicletes e figurinhas para um álbum. Durante toda nossa infância, íamos para a chácara do vovô, em Jurucê, onde passávamos o final de semana – às vezes feriados e férias -, ao lado dos tios e primos. Tenho seis primos pelo lado da minha mãe. Crescemos juntos indo à chácara.

A família: primos e tios
A família: primos e tios

Sou dos anos do “Super Nintendo”, nosso primeiro vídeo-game, presente de Natal dos nossos pais. Jogávamos “Super Mario”, “Donkey Kong”, “Mortal Kombat”, “Power Rangers”, “Looney Tunes” e jogos da Disney. Se a fita desse problema, era preciso assoprá-la para voltar a funcionar. Disputávamos com nossos três primos por parte da pai, já que morávamos todos na mesma cidade.

super nintendo sou do tempo

Em 2001 eu e meu irmão gêmeo fomos operados. Eu mais de uma vez. Coloquei sonda. Foi difícil, mas cá estou. No mesmo ano, meu avô paterno teve derrame, mas sobreviveu. Nessa época, entrei na 5ª série e chamávamos as professoras de “dona” e não de professora. Enquetes feitas pelos alunos rolavam nas salas de aula. Muitos namoros, paqueras e beijos saíram dali. Naquela época ainda havia aulas de inglês e espanhol nas escolas públicas.

Naqueles idos dos anos 2000, Linkin Park, Evanescence, Avril Lavigne, Beyoncé e Britney Spears eram febre. Todo mundo tinha uma banda preferida e era importante dizer como ela melhor do que as outras. Hoje, pouco mudou. Agora é preciso provar qual diva pop é mais poderosa.

evanescence sou do tempo

Ainda no começo dos anos 2000, eu e meus irmãos não tínhamos um discman. Mas ganhamos fitas K7, onde gravávamos as músicas que gostávamos da Jovem Pan. Ouvíamos até enjoar e começar a gravar novas músicas por cima. Tinha o ponto certo na fita. Se errássemos, era preciso esperar a música tocar de novo para gravá-la.

Depois de alguns anos, minha mãe comprou um micro system e, com a mesada de R$ 10, comprávamos CDs virgens para gravar a música que queríamos ouvir. Baixávamos no computador, quando a internet era discada e só era permitida depois da meia-noite e a partir de sábado, depois das 14h. Era preciso desconectar a internet para poder usar o telefone.

internet discada sou do tempo...

Sou do tempo em que íamos ao cinema assistir os filmes da Xuxa e da Disney. Minha mãe sempre nos acompanhava no antigo cinema de rua, que virou uma igreja evangélica e, depois, uma loja Americanas, no centro de Araraquara. Na televisão, assistíamos “Chiquititas”, “Bambuluá”, “Cavaleiros do Zodíaco”, “Shurato”, “Dragon Ball”, “Pokémon”, “Digimon” e “Sakura Card Captors”.

podemon sou do tempo...

Ganhamos bicicletas dos meus avós, mas nunca aprendi a me equilibrar em cima dela. Nem no patinete ou do skate ou dos patins. Nunca me interessei por esportes, ao contrário dos meus irmãos, que eram super atletas. Eles torciam para o Palmeiras, como meu pai. Eu escolhi o Corinthians pela minha mãe. Mas nem eu, nem ela, ligamos para futebol.

Naquela época, “Passa ou Repassa” era um programa de perguntas e repostas, do SBT, muito famoso, onde quem errasse a resposta levava torta na cara. Também havia gincanas: meninos contra meninas. Eu, meus irmãos e uma amiga, que cresceu com a gente – e que continua “crescendo” ao nosso lado – bolamos gincanas parecidas no quintal de casa. Eu e a Daniele contra meus irmãos. Era divertido.

passa ou repassa sou do tempo...

Sou da época do ICQ (que nunca tive na vida), do MSN e do saudoso Orkut. Antes dos pen drives, guardávamos documentos em disquetes, com capacidade de armazenamento muito pequena. Minha mãe possuía centenas deles. E antes dos celulares possuírem espaço para música, tínhamos o MP3, que custava uma fortuna à época.

Ganhei meu primeiro livro do “Harry Potter” em 2001, de presente de Natal da minha tia. Foi o começo do gosto pela leitura. Nessa época, eu já gostava de escrever e tinha uma escrivaninha, feita pelo meu pai. Eu pegava folhas sulfite e as dobrava ao meio e escrevia histórias infantis pequenas com versos que rimavam. Eu mesmo fazia as ilustrações. Grampeava o livro e mostrava orgulhoso aos pais orgulhosos.

harry potter sou do tempo...

Em 2005 não queria mais ser escritor e decidi que seria jornalista, porque, além de escrever, queria trabalhar na MTV Brasil, quando ela ainda era relevante. Sarah Oliveira, Didi Wagner, Marina Person, Léo Madeira e Edgar Piccoli eram meus ícones, mas a Sarah é até hoje minha inspiração, tanto profissional quanto pessoal.

Marina Person à esquerda, Sarah Oliveira ao centro e Didi Wagner à direita sou do tempo...
Marina Person à esquerda, Sarah Oliveira ao centro e Didi Wagner à direita

Época boa e que não volta. Hoje são recordações boas de tudo que vivi. Se você também tem histórias bacanas, aproveite para dividir com a gente.