Suzana Alves lidou com machismo, síndrome do pânico e depressão nos tempos de Tiazinha

21. novembro 2016 Famosos 0
Suzana Alves lidou com machismo, síndrome do pânico e depressão nos tempos de Tiazinha

Se você cresceu nos anos 90, provavelmente conheceu a Tiazinha, personagem vivida pela atriz e modelo Suzana Alves, e que foi assistente de palco do extinto “Programa H”, de Luciano Huck, exibido pela TV Bandeirantes.

Ela fez um enorme sucesso entre os anos de 1998 e 2000, gravando músicas, fazendo shows, posando nua, fazendo comerciais e anúncios, e vendendo produtos com sua marca. O que ninguém imaginava é que nos bastidores, a vida de Suzana estava longe de ser a diversão que aparentava na televisão.

A revista Veja SP conversou com a atriz, que fez várias revelações sobre o tempo de Tiazinha, como o fato de que sofreu com depressão e síndrome do pânico, transtornos que foram desencadeados por conta do assédio do público.

Ela recordou de um episódio desesperador em sua vida, no qual um homem conseguiu invadir o quarto no hotel onde estava hospedada enquanto dormia. “Acordei de madrugada com ele perto da minha cara e comecei a gritar. Nada de grave aconteceu, mas, depois daquilo, eu só dormia com uma camareira na mesma cama e um segurança na porta do quarto”.

Foi a partir daí que o medo e os pesadelos tornaram-se constantes na vida de Suzana. “O olhar dos homens durante os shows me assustava. Eu tinha pesadelo porque meu inconsciente não estava em paz”, disse à Veja SP. “Eu me sentia água parada, onde as pessoas depositam lixo, sujeira. Eu precisava ser água corrente, sair daquela prisão”.

A síndrome do pânico e a depressão são transtornos mentais que merecem cuidado e atenção, embora sejam cercados por estigma e desinformação, atrapalhando o diagnóstico e tratamento desses distúrbios, que podem vir a desencadear outras doenças, como problemas cardiovasculares. O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo (USP) calcula que a ansiedade afeta 12% da população brasileira, a qual também viu um aumento nos casos de morte por depressão.

Mas isso não foi tudo o que Suzana teve de lidar em sua trajetória. Ela também contou que foi enganada por um homem, o qual havia dito a ela que havia registrado o nome “Tiazinha”. Sem saber da farsa, ela assinou um contrato que dava ao estelionatário 40% de todos os rendimentos. A situação aconteceu com menos de um mês da criação da personagem, e se estendeu por seis meses.

“Por indicação da Marília Gabriela, contratei o advogado Sérgio D’Antino. Ele fez com que eu me livrasse daquele contrato. Gastei na época R$ 250.000 para desfazer o documento que assinei sem entender”, afirmou.

A atriz deu um fim na Tiazinha em 2000, enquanto estava a trabalho em Portugal. Em seguida, fez viagens ao Peru e à Índia para se descobrir, e participou do reality show “A Casa dos Artistas”, no SBT, logo depois. Com o fim do programa, optou por sair da televisão. Contudo, mesmo longe dos holofotes, ela ficava insegura ao andar nas ruas, por conta do medo do assédio.

“Eu saía de casa com uma blusa amarrada na cintura, com medo dos olhares das pessoas. Queria me esconder”, admitiu.

Na mesma época, retomou a faculdade de jornalismo e começou cursos de teatro. Em 2004, seu pai morreu, devido a um câncer no estômago, e o relacionamento com o ator Eriberto Leão chegou ao final. Tudo isso piorou sua depressão, que foi amenizada com a ajuda da religião (ela é evangélica). “[A] Religião me deu equilíbrio. Frequento o culto toda semana e, uma vez por ano, vou ao Nordeste para evangelizar comunidades carentes”.

Ela também recorreu à terapia para ajudá-la a voltar a se relacionar com homens. “Eu tinha medo de que eles se aproximassem em busca da personagem. Não queria alguém atrás de um sex symbol, mas da mulher que sou”, recordou.

Hoje, ela soma trabalhos no cinema e no teatro, com atuações elogiadas no segundo, faz mestrado em dramaturgia na USP, é casada com o ex-tenista Gustavo Saretta, com quem tem um filho, e sonha em fazer novela um dia. Arrependimentos existem, mas ela garante que seguiu com sua vida.

“Eu me arrependo da exposição do corpo, mas já fiz as pazes com a Tiazinha e, por consequência, comigo mesma”, concluiu.

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *