“Supergirl” pode ter uma personagem trans na quarta temporada e isso é incrível

“Supergirl” pode ter uma personagem trans na quarta temporada e isso é incrível

Depois de “Pose”, nova obra de Ryan Murphy, anunciar um número recorde de personagens trans em um seriado, outra produção televisiva deve apresentar uma personagem trans em breve. Trata-se de “Supergirl”, do canal americano CW, transmitida no Brasil pelo Warner Channel. 

A série vai entrar no seu quarto ano e, segundo fontes do site Comic Book, ganhará o apoio de uma personagem trans chamada Nia Nal, e que deve ser parte importante da próxima temporada. De acordo com uma chamada de elenco, ela deve estar na faixa de 20 anos e é um “tipo mais jovem de Cat Grant”. Não há uma etnia estabelecida, o que significa que o papel pode parar nas mãos de uma minora étnica.

Além disso, a moça é descrita como “uma fashionista confiante e prodígio. Por ter escrito discursos políticos, Nia é a nova adição ao time de jornalismo investigativo da CatCo, trazendo astúcia e um humor debochado.  Mas por baixo disso, há uma jovem mulher com muito a oferecer ao mundo”.

Essa é uma ótima notícia e que vem em tempos muito sombrios para a população LGBTQ americana – especialmente trans. Além da violência contra a comunidade trans, a administração do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm tomado ações para dificultar o acesso dessas pessoas ao sistema de saúde e ao emprego na forças militares no país. No Brasil, a situação também é ruim, já que 90% da população trans acaba trabalhando na prostituição, direitos são negados e, assim, a expectativa de vida desses indivíduos fica entre 35 anos.

Por isso, apresentar imagens positivas na mídia é uma forma poderosa de romper com preconceitos, quebrar estigmas e dar emprego e oportunidades para que pessoas trans sejam protagonistas de suas próprias histórias. Dessa maneira, vamos rompendo a invisibilidade e empoderando quem continua vivendo na marginalização.

Mas a notícia de que uma personagem trans participe de “Supergirl” não é exatamente uma surpresa, dado a uma fala de Greg Berlanti, produtor-executivo e roteirista do seriado, em um evento da DC no começo do ano. Questionado sobre a falta de representação queer no Universo Arrow (que compreende “Supergirl”, “Flash” e “Arrow”), ele afirmou que sentia falta de personagens trans na televisão.

“Nós não temos um personagem trans proeminente nessas atrações. E nós tínhamos uma atriz trans em um seriado que eu fiz, que não era de super-herói, há 11 anos. Eu ainda sinto que não estou acompanhando o tempo com esse assunto”, disse Berlanti.

Mas o seriado da jornalista Kara Danvers (Melissa Benoist) já deu o exemplo, com Alex (Chyler Leigh), irmã da protagonista, assumindo-se lésbica. Agora, a produção pode continuar representando a população LGBTQ com uma personagem trans interpretada por uma mulher trans.

Isso prova que, às vezes, você não precisa usar uma capa para salvar o mundo. Basta ser quem você é.