Spike Lee recebe prêmio e critica falta de diversidade em Hollywood

17. novembro 2015 Cinema 1
Spike Lee recebe prêmio e critica falta de diversidade em Hollywood

O diretor Spike Lee (“Malcom X”) recebeu no último final de semana, em Los Angeles, um Oscar honorário, durante o Governor’s Awards, premiação que acontece desde 2009, e reconheceu o trabalho humanitário de Angelina Jolie.

Em cima do palco, acompanhado dos atores Denzel Washington, Samuel L. Jackson e Wesley Snipes, Lee lamentou a falta de diversidade em Hollywood e citou um dado do Censo americano de 2012, que aponta um encolhimento da população branca no país. “Eu não sei se vocês perceberam, mas de acordo com o Censo dos Estados Unidos, até o ano de 2043, americanos brancos serão minoria neste país. E todos vocês que podem contratar alguém, é melhor ficarem espertos, porque vocês trabalharão para a gente. Reflitam o que este país parece.”

E o diretor não quer diversidade somente na frente das câmeras. Ele ironizou dizendo que “é mais fácil um negro ser presidente dos Estados Unidos do que chefe de um estúdio”. “Provavelmente todo mundo aqui votou no Obama, mas quando vou aos escritórios, eu não vejo negros, exceto aquele irmão que fica na segurança e checa meu nome na lista quando vou a um estúdio”, disse o cineasta.

“Podemos falar o quanto quisermos, mas precisamos ter uma discussão séria sobre diversidade e avançar nisso. Essa indústria está muito atrás do esporte, é ridículo”, concluiu Spike Lee.

Diversidade tem sigo um pedido constante na indústria cinematográfica, tendo atrizes como Charlize Theron Jessica Chastain e Viola Davis clamando por uma melhor representação de minorias nas telonas, bem como a diretora Ava DuVernay, que foi categórica: “há muitos filmes sob a perspectiva de homens brancos e heterossexuais.”

Um estudo de agosto deste ano comprovou que há mesmo uma falta de diversidade nas produções de Hollywood. A indústria cinematográfica ainda é majoritariamente branca, masculina e heterossexual. O Oscar deste ano foi muito criticado por não conter indicações de mulheres em categorias técnicas e nenhum negro, homem ou mulher, indicado nas categorias de atuação.

Entretanto, Cheryl Boone Isaacs, atual presidente da Academia de Artes Cinematográficas, organização que comanda o Oscar, anunciou na noite do Governor’s Awards, a iniciativa “A 2020”, um plano de cinco anos, cujo objetivo é de aumentar a diversidade em Hollywood em todas as áreas. “Quando se trata de representação justa e igualitária na nossa indústria, palavras não são o suficiente”, disse Isaacs.

Em outras notícias, em dezembro deste ano, Spike Lee lança “Chiraq”, drama que relata a violência em alguns bairros da cidade de Chicago. O nome do filme é uma comparação com o Iraque, o que não deixou muita gente feliz, em especial, o prefeito da cidade. O diretor, contudo, fez questão de pedir para que as pessoas não se enganassem pelo título da obra. “Esta nova joint Spike Lee será algo muito especial.”