Sister Rosetta Tharpe e outras mulheres negras do rock que você precisa conhecer

13. julho 2017 POP 0
Sister Rosetta Tharpe e outras mulheres negras do rock que você precisa conhecer
Julho é o mês da celebração da luta e da resistência da mulher negra. Marcadamente, o dia 25 representa o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Durante todo o mês, núcleos e coletivos articulam entre si, campanhas de cultura, identidade e empoderamento dessas mulheres. Participam dessa ação o Collant Sem Decote, Séries Por Elas, Kaol Porfírio, Delirium Nerd, Valkirias, Momentum Saga, de Oito, Ideias em Roxo, Preta, Nerd & Burning Hell, e o Prosa Livre. #WeCanNerdIt #FeminismoNerd

Hoje é Dia do Mundial do Rock, dia de lembrar de Sister Rosetta Tharpe, a madrinha do rock. Se você achou que foi Elvis Presley quem criou o gênero musical, saiba que ele surgiu com a ajuda de uma mulher negra americana, nascida no Arkansas, em 1915, filha de dois apanhadores de algodão.

Sua trajetória musical começou cedo, aos 4 anos de idade, quando se apresentava em uma igreja evangélica onde sua mãe ministrava cultos. Anos depois, ela se mudou com sua mãe para Chicago, onde tempos mais tarde começaria a fazer sucesso no cenário gospel. Ela se casou jovem, aos 19 anos, mas a união durou pouco tempo. Ela manteve o sobrenome de ex-marido, Thorpe, mas o adaptou para Tharpe, que acabou acompanhando-a durante toda sua vida.

O ponto de virada em sua carreira aconteceu em 1938, depois de se mudar para Nova York, onde gravou 4 músicas gospel, que foram verdadeiros hits, com a gravadora . Naquele ano, ela assinou contrato com a gravadora Decca Records, tornando-se a primeira negra em seu gênero musical a ter contrato com um grande selo. 

Com uma guitarra em mãos e uma voz apaixonante, Sister Rosetta fez muito sucesso entre as décadas de 30 e 40, e foi uma das poucas artistas gospel a figurar no top 10 da Billboard. Em 1944, ela lançou “Strange Things Happening Every Day”, canção que elevou sua carreira. Ela continuou cantando até 1970, quando teve um derrame. Ela morreu em 1973, depois de mais um derrame.

Como a gente pode ver, mulheres negras foram essenciais na história do rock, mesmo pouco ou nenhum crédito por suas contribuições na criação e difusão do gênero musical. Atualmente, vemos Beyoncé (que fez uma parceria com Jack White na música “Don’t Hurt Yourself”, indicada ao Grammy de Melhor Performance de Rock) e Brittany Howard (Alabama Shakes) reivindicando o estilo e trazendo-o de volta para suas origens, reafirmando o papel da mulher negra no rock ‘n’ roll.

E como hoje é Dia Mundial do Rock, além de Sister Rosetta Tharpe, aqui vão outras indicações de artistas negras que também fazem um bom som:

Tracy Chapman:

Nascida em 1964, Tracy Chapman começou sua carreira em 1988, com um álbum auto-intitulado que a levou a ganhar 3 prêmios Grammy, inclusive Artista Revelação. Em 1995, ela lançou “New Beggining”, seu disco mais vendido, que rendeu outro Grammy, desta vez de Melhor Canção de Rock. Ela também cantou no show de aniversário de 70 anos de Nelson Mandela e fez uma música para ele, chamada “Freedom Now”. Dentre seus maiores sucessos, estão “Fast Car”, “Talkin’ ‘Bout a Revolution”, “Crossroads” e “Give Me One Reason”.

Brittany Howard:

Brittany Howard é a vocalista da banda Alabama Shakes, que já veio ao Brasil duas vezes, e ganhou três Grammys. Ela começou na música durante o colegial, reunindo seu colega Zac Cockrell e, depois, Steve Johnson e Heath Fogg se juntaram ao grupo, formando o Alabama Shakes que conhecemos hoje. Brittany contou à revista Paste que sempre se sentiu deslocada, mas encontrou na música o seu espaço.

“Eu sempre me senti fora de lugar. Eu não era de forma alguma uma criança popular, mas eu também não era nerd. Eu tive dificuldade em encontrar meu lugar. Mas quando eu encontrei a música, eu tive um lugar para chamar de meu”, disse.

Straight Line Stitch:

Você pode nunca ter ouvido falar em Straight Line Stitch, mas nunca é tarde para conhecer a banda liderada por Alexis Brown (e isso se você gosta de um rock mais pesado). O grupo começou a carreira no começo dos anos 2000, mas a entrada de Alexis só aconteceu em 2003, que é quando o quarteto prefere dizer que começou suas atividades musicais. Juntos, eles já lançaram 5 EPs e 4 álbuns.

Jackie Venson:

Jackie Venson possui influências do blues e do rock em sua música, o que torna a experiência de ouvi-la diferente e muito prazerosa. Ela começou na música ainda pequena, aos 8 anos, e conforme foi crescendo, aprendeu a tocar instrumentos e a compor. Jackie já possui 3 discos lançados, 2 EPs e uma coleção de elogios por sua voz e a forma como toca sua guitarra.

Betty Davis:

Você provavelmente ouviu o nome de Betty Davis antes, isso porque muitos a conhecem por seu casamento com o também músico Miles Davis. Porém, ela foi mais do que apenas a esposa de alguém. Betty Davis foi responsável por uma grande mudança na carreira do ex-marido, e foi pioneira no cenário musical na década de 70, ainda que o reconhecimento nunca tenha vindo.

Ela unia o funk e o rock em seus trabalhos, além da sensualidade explosiva, que deve ter inspirado Madonna e Prince tempos depois. Com uma voz rasgada e potente, Betty deixou sua marca no mundo, mesmo que só a enxerguemos hoje.

Grace Jones:

Grace Jones é um ícone, e não é para menos. O visual andrógino da artista nascida na Jamaica, aliado ao trabalho primoroso que realizou na música a colocam em um patamar em que realmente pode afirmar que “todos me copiam”.

Modelo, atriz e cantora, ela possui uma carreira extensa, com vários álbuns e singles lançados. Na década de 80, ela foi muito influenciada pelo rock, em uma época em que viu seu nome crescer e a ganhar o reconhecimento que merece. Feminista, Grace Jones nunca teve medo de expor suas opiniões e de defender as causas que acredita. Não é à toa que todos querem ser como ela.

Tina Turner:

Tina Turner é um nome conhecido na música. Considerada a rainha do rock, ela começou sua carreira na adolescência, cantando para poder sobreviver. Quando conheceu Ike Turner, com quem se casou, ela fazia os backing vocals para ele, mas logo eles viraram uma dupla, e ela passou a adotar o sobrenome do marido.

Contudo, o casal se separou depois dos constantes abusos físicos e psicológicos de Ike. Tina foi obrigada a recomeçar do zero, mas construiu uma carreira brilhante, marcada pelo rock e com verdadeiros hits. Ela chegou a escrever um livro, no reconta sua trajetória, e que virou um filme estrelado por ninguém menos que Angela Bassett.

Big Mama Thorton:

Fechando essa lista, está Big Mama Thorton, fez muito sucesso na década de 50, pouco tempo depois de começar sua carreira na música. A cantora, dona de uma voz rasgada e potente, viu seu nome crescer junto do rock ‘n’ roll. Com um visual andrógino, pode-se dizer que ela pavimentou o caminho para muitos artistas que flertam com gênero e sexualidade hoje em dia. Big Mama Thorton morreu em em 1984, vítima de uma parada cardíaca.


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