Shonda Rhimes faz belo discurso sobre normalizar a televisão no “The Human Rights Campaign Gala”

Shonda Rhimes faz belo discurso sobre normalizar a televisão no “The Human Rights Campaign Gala”

Shonda Rhimes é a cabeça por trás do grande sucesso da televisão “Grey’s Anatomy”. Além do drama médico, a roteirista e produtora é responsável pelas séries “Scandal” e “How To Get Away With Murder”. E uma das características mais notáveis em seu trabalho é a inclusão de diferentes personagens nas histórias, onde ocupam o protagonismo de suas tramas. Negros, mulheres e homossexuais possuem sua representatividade na tela garantida nas obras de Rhimes.

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Foto: RICH FURY/INVISION/AP

No sábado, durante o Human Rights Campaign Gala, onde foi homenageada com o prêmio de “Aliada pela Igualdade”, Shonda deu um belo discurso sobre a inclusão de personagens diversos em suas produções. “Eu odeio a palavra “diversidade”. Sugere algo… Outra coisa. Como se fosse algo especial. Ou raro. Diversidade! Como se houvesse algo incomum em contar histórias envolvendo mulheres, negros e personagens LGBTQ na televisão. Eu tenho uma palavra diferente: NORMALIZAR. Estou normalizando a televisão”.

A roteirista abriu seu discurso contando como, desde pequena, começou a escrever. “Sou escritora muito antes de conseguir soletrar. Eu costumava ditar histórias no gravador com minha irmã Sandie. Então, eu pedia para minha mãe datilografá-las. Acho que eu tinha 3 anos. E quando aprendi a soletrar… Escrever abriu mundos. […] Escrever era quem eu era. Escrever era EU”.

Shonda então contou como era na infância e como isso afetou a sua escrita. Seu relato mostra uma garota que, assim como muitos de nós, não conseguia se encaixar em qualquer lugar e como a escrita tornou-se seu refúgio.

“Deixem-me descrever como eu era enquanto criança: muito inteligente, muito gorda, incrivelmente sensível, nerd e dolorosamente tímida. Duas tranças ficavam nos lados da minha cabeça de um jeito que não ficavam bem em mim. E o pontapé inicial: eu era, frequentemente, a única negra na minha classe. Eu não tinha amigos. Ninguém é mais cruel do que um monte de humanos encarando alguém diferente. Eu era muito sozinha. Então… Eu escrevia”.

“Eu criava amigos. Dei nomes a eles e escrevi cada detalhe deles. Dava histórias a eles, casas e famílias. Escrevi sobre suas festas, encontros, amizades, vidas e eles eram muito reais para mim. Veja, “Shondaland”, a terra de imaginação da Shonda, existe desde meus 11 anos. Eu construí na minha cabeça um local onde eu pudesse guardar minhas histórias. Um local seguro. Um espaço para meus personagens existirem. Um espaço onde EU existisse. Até que eu pudesse sair da adolescência e pudesse correr para o mundo e ser eu mesma. Menos solitária, menos marginalizada, menos invisível aos olhos dos outros. Até que eu pudesse encontrar pessoas como eu no mundo real”.

“Eu não sei se vocês perceberam, mas eu só escrevo sobre uma coisa: estar sozinha. O medo de ficar sozinha, o desejo de não estar sozinha, as tentativas que fazemos de encontrar alguém, de mantê-la, de convencê-la a não nos deixar sozinhas, a alegria de estar com essa pessoa e, por isso, não estar mais sozinha, a devastação por estar sozinha. A necessidade de ouvir essas palavras: Você não está sozinha. A necessidade humana fundamental de ouvir outro humano falar para ele é: “Você não está sozinho. Você é visto. Estou com você. Você não está sozinho”.

Foi então que Shonda contou sobre a inclusão de personagens com diferentes histórias em suas produções televisivas.

“Repórteres e usuários do Twitter me perguntam por que eu invisto tanto em ‘diversidade’ na televisão. ‘Por que é tão importante ter diversidade na TV?’, eles perguntam.’Por que é tão difícil ter diversidade?’, ‘Por que Cyrus (personagem da série “Scandal”) precisa ser gay?’.

“Eu odeio a palavra ‘diversidade’. Sugere algo… Outra coisa. Como se fosse algo especial. Ou raro. Diversidade! Como se houvesse algo incomum em contar histórias envolvendo mulheres, negros e personagens LGBTQ na televisão. Eu tenho uma palavra diferente: NORMALIZAR. Estou normalizando a televisão”.

“Estou fazendo a televisão parecer como o mundo é. Mulheres, negros e pessoas  LGBTQ correspondem mais de 50% da população. Isso significa que não há nada fora do comum. Estou fazendo o mundo da televisão parecer NORMAL. Estou NORMALIZANDO a televisão”.

“A meta é que todos possam ligar a TV e enxergar alguém que pareça e ame como você. E tão importante quanto, todo mundo mundo deveria ligar a TV e ver alguém que não é como ela e não ama do mesmo jeito. Porque, talvez, ela aprenda algo com aquela pessoa. Talvez então, não as isole. Não as marginalize ou as apague. Talvez até consigam se reconhecer nelas. Talvez aprendam a amá-las”.

“Acho que quando você liga a televisão e vê amor, de qualquer pessoa, com qualquer pessoa, para qualquer pessoa – amor de verdade – um serviço foi feito a você. Seu coração expandiu, de alguma forma. Você experimentou algo. A ideia de que o amor existe, que é possível, que cada um pode ter uma “pessoa”… Você não está sozinho. O ódio diminui; o amor expande”.

“Eu recebo cartas, tweets e pessoas me parando na rua para me contar histórias incríveis. O pai que me contou que viu algo em uma das minhas produções o ajudou a entender o filho dele que se assumiu gay. Ou os jovens, todos os jovens, que aprenderam como conversar com os pais sobre ser gay ou lésbica. […] Recebo história atrás de história”.

“Houve vezes em minha juventude em que escrever essas histórias em Shondaland salvou, quase literalmente, minha vida. E agora crianças vêm até mim dizendo, quase literalmente, que salvei a vida delas. Isso é mais do que uma lição de humildade. E isso é sempre pela mesma coisa. Você não está sozinho. Ninguém deveria estar sozinho. Então eu escrevo”.

Shonda, por fim, reconheceu o importante trabalho da Humans Right Campaign, maior organização americana para os direitos da comunidade LGBT, e disse ainda que esse é só o começo da mudança. Muito mais ainda precisa ser feito.

“Eu ainda sou a única negra na minha classe (Olhe em sua volta). Mas aqui vai: eu não estou mais sozinha. Os personagens que viviam na minha cabeça estão na televisão. Não são só meus amigos agora – são também de todos. Shondaland está aberta, e se eu estou fazendo meu trabalho direito, há uma pessoa para cada um”.

“Finalmente, eu queria dizer o seguinte: se você é uma criança, que está por aí, e é gorda, não muito bonita, nerd, tímida, invisível e com dor, seja qual for sua raça, seu gênero ou sua orientação sexual, estou aqui em cima para dizer: você não está sozinha. Sua turma está por aí no mundo, esperando por você. Como eu sei disso? Por que a minha turma? A minha está sentada naquela mesa ali. Obrigada”.

Para conferir esse belíssimo discurso de Shonda Rhimes, na íntegra, clique aqui.

Eu sei que eu estou com o coração quentinho com essas lindas palavras. E você?