Sharon Stone se recusa a filmar no Mississipi em protesto contra lei anti-LGBT

14. abril 2016 Cinema 0
Sharon Stone se recusa a filmar no Mississipi em protesto contra lei anti-LGBT

No começo de abril, o governador do estado do Mississipi, o republicano Phil Bryant, aprovou uma lei que permite que funcionários de uma empresa neguem atendimento a pessoas LGBT com base em suas crenças religiosas. A legislação visa proteger aqueles com “crenças religiosas muito fortes”, e que acreditam que o casamento só é válido entre um homem e uma mulher e que os gêneros são definidos no nascimento. O governador alega, contudo, que a nova lei não será usada para discriminar ninguém. E nós fingimos que acreditamos.

Na semana passada, a apresentadora Ellen DeGeneres criticou a medida em seu programa de televisão, afirmando que ela era a “definição da discriminação”. Quem mais se manifestou foi a atriz Sharon Stone, que se recusou a filmar no estado em protesto conta a lei anti-LGBT. Ela gravaria “The Principal”, um curta sobre cyberbullying, o qual será transferido para outro local, informaJackson Clarion-Ledger.

Em uma nota enviada ao presidente do  Mississippi Film Studios, Rick Moore, ela justificou sua posição.

“Eu não trabalharei em qualquer estado que tenha ou esteja criando leis que apoiem a discriminação contra cidadãos americanos, seja por sua raça, religião, gênero ou orientação sexual, tampouco em estados cujas mesmas leis passam ou são aprovadas pelo governo local.”

Rick Moore comentou a decisão da atriz ao jornal WAPT News, dizendo que Sharon não vê o “Mississipi como uma opção enquanto a lei existir”, acrescentando que outros projetos também mudaram de local após a aprovação da legislação.

“A HB 1523 [a lei] formou muitas opiniões fortes, as quais, infelizmente, desaceleraram o impulso da indústria cinematográfica. O incentivo [fiscal] ainda é forte para filmar no estado, portanto, eu espero que produções independentes sem grandes artistas ainda nos considerem como uma opção.”

Além de Sharon Stone, o músico Bryan Adams cancelou um show que faria no estado, também em protesto contra a lei anti-LGBT. “Não posso ficar com a consciência tranquila me apresentando em um Estado onde certas pessoas estão tendo seus direitos civis negados devido à sua orientação sexual”, escreveu o canadense em seu site.

O Mississipi não é o único a ter uma lei discriminatória contra a população LGBT. A Carolina do Norte  aprovou recentemente uma legislação que tira o poder dos governos municipais de criar medidas que protejam LGBTs e obriga o uso de banheiros públicos de acordo com o gênero atribuído no nascimento. Nesta semana, o governador republicano Pat McCrory “afrouxou” a lei, permitindo que empresas privadas decidam como os banheiros serão utilizados por seus funcionários. Já os prédios públicos e escolas permanecem sob a mesma legislação. Nos últimos dias, Bruce Springsteen e Ringo Starr cancelaram apresentações que fariam naquele estado.

De acordo com reportagens do New York Times e da revista Advocate, a administração do presidente Obama estaria considerando cortar repasses federais ao Mississipi e a Carolina do Norte.