Por que uma série totalmente dirigida por mulheres merece atenção

Por que uma série totalmente dirigida por mulheres merece atenção

Na semana passada, foi anunciado que a segunda temporada da série “Jessica Jones” teria todos os episódios dirigidos por mulheres. Quem contou a novidade foi Melissa Rosenberg, a produtora executiva da atração, durante um painel no Transform Hollywood, um simpósio dedicado às mudanças que estão acontecendo na televisão.

Segundo a revista Variety, Rosenberg disse que queria aumentar o número de diretoras no seriado, o que a Marvel teria concordado logo de início. A ideia inicial era contratar primeiro as mulheres, já que elas são mais concorridas, para depois contratar os homens.

Foi então que alguém da equipe sugeriu que apenas mulheres dirigissem os 13 episódios da segunda temporada de “Jessica Jones”, uma ideia que a produtora executiva abraçou totalmente.

A primeira temporada do seriado, que pode ser assistido na Netflix, contou com três mulheres na direção dos episódios, e foi muito elogiada por trazer uma protagonista feminina complexa, diferente das personagens escritas para mulheres. Não só isso, a atração também recebeu elogios pela forma como tratou de abuso sexual e os traumas da super-heroína que dá nome à obra.

Embora o número de mulheres ocupando a função de diretora tenha sido pequeno em “Jessica Jones”, ele foi maior do que o registrado em muitas séries televisivas, que não contrataram nenhuma mulher para o cargo.

É o que revelou um levantamento realizado pelo Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos, que observou quem trabalhou atrás das câmeras nos 4.061 episódios produzidos nos 299 seriados exibidos durante as temporadas 2015 e 2016. As mulheres dirigiram apenas 17% de todos os episódios, sendo somente 3% delas mulheres de minorias étnicas.

Portanto, a decisão de Melissa Rosenberg vai ajudar a aumentar a participação das mulheres no entretenimento, como fez Ava DuVernay em “Queen Sugar”, série exibida no canal da Oprah Winfrey, a OWN, e que contou com apenas mulheres trabalhando como diretoras. A produção é uma adaptação de um livro de mesmo nome, e que narra a história de mãe e filha, ambas negras, que herdam uma fazenda de cana de açúcar.

“É uma época animadora para convidar apenas mulheres para esse seriado e tentar contar a história de uma família de mulheres fortes que fazem algo maravilhoso”, disse a cineasta ao New York Times.

Mas além de dar oportunidades para mulheres trabalharem, a presença de diretoras pode ter um impacto na narrativa. Um estudo da Escola Annenberg de Jornalismo e Comunicação, que pertence à Universidade do Sul da Califórnia (USC), sugere que quanto mais mulheres atuam atrás das câmeras, mais mulheres são vistas na frente delas.

Não só isso, a representação feminina fica melhor, também, graças à presença das roteiristas na construção das histórias. Uma pesquisa deste ano, elaborada pelo Polygraph, mostrou que basta uma mulher na equipe de escritores para que filmes sejam aprovados no Teste Bechdel, o qual mede a representação feminina nas artes. Para passar nele, é preciso preencher três requisitos: ter ao menos duas mulheres nele, elas precisam conversar entre si algo que não sejam homens.

Há muito o que ser feito para consertar a disparidade de gênero em Hollywood, mas é preciso aplaudir os esforços que estão sendo feitos agora. E com o exemplo de “Jessica Jones”, vemos que super-heroínas nem sempre estão na frente das telas, mas por trás delas também.

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