“Ser afeminado é revolucionário”, diz Pabllo Vittar em entrevista

17. Fevereiro 2017 Famosos 1
“Ser afeminado é revolucionário”, diz Pabllo Vittar em entrevista

Ainda estamos no segundo mês de 2017, mas é seguro afirmar que Pabllo Vittar está tendo o melhor ano de sua vida. Além de participar da banda do programa “Amor & Sexo”, a drag queen lançou seu primeiro disco, “Vai Passar Mal”, e vai agitar o carnaval de São Paulo e ainda vai subir no trio de Daniela Mercury em Salvador.

E o sucesso que vem conquistando é merecido, apesar de, assim como qualquer figura pública, os haters não a deixarem em paz na internet. Porém, em entrevista à Trip TV, ela garante que não se importa com eles.

“Não vou perder meu tempo lendo hater”, disse a cantora. “Eles estão falando o meu nome e o mundo tá girando. Uma drag estar conquistando esse espaço é muito importante”.

Na mesma entrevista, Pabllo falou sobre ser gay afeminado, um alvo constante de preconceitos e violência, tanto pela sociedade, quanto pelos próprios gays.

“O ser afeminado, pra mim, é muito revolucionário no sentido de dar a cara a tapa. São as ‘bis’ [bichas] afeminadas que estão ali na posição de frente, elas que levam o baque primeiro”, acredita a artista. “Elas que são apontadas, que levam a lâmpada na cara. Se a gente tá aqui hoje, dando uma entrevista, toda montada de drag, é porque muita gente morreu e sofreu preconceito pra gente ocupar esse espaço. Isso é fato”.

O Brasil é um dos países mais hostis contra LGBTs. Segundo um relatório do Grupo Gay da Bahia, somente em 2016, 343 pessoas foram mortas no país, por serem gays, lésbicas, bissexuais ou trans. Isso significa que, a cada 25 horas, um LGBT é assassinado em solo brasileiro.

E embora a homofobia não seja uma exclusividade para gays afeminados, eles são os primeiros a serem atingidos pela violência, seja física ou psicológica, por não se adequarem ao padrão heteronormativo da sociedade. A própria Pabllo Vittar recorda de um episódio que ficou marcado em sua memória desde que ainda era uma criança.

“No ensino fundamental foi muito difícil, eu sofri muito, porque as pessoas não entendiam”, ela disse à Trip TV. “As pessoas não entendiam o ‘rolê’ do gay, de gênero. Era uma coisa que não era discutida em escola, não era falado. Uma vez eu tava na fila da merenda e um menino me jogou uma sopa quente. Um prato de sopa quente. Ele virou a sopa na minha cara porque eu tava falando com a minha amiga. E ele se virou para mim, jogou aquele prato de sopa quente em mim, porque na cabeça dele eu tinha que agir como homem, falar com voz de homem. Ser homem”.

E essa ‘obrigação’ em ser ‘homem de verdade’ também é incorporada por muitos gays, que buscam se encaixar nesse padrão e acabam procurando homens assim quando procuram relacionamentos – seja um namoro ou sexo casual. Ainda que muitos afirmem ser uma ‘questão de gosto’, não dá para deixar de notar que o gosto não nasce do nada, mas é fruto do nosso meio de nossas vivências.

Contudo, voltando a Pabllo, ela não poderia estar mais feliz com sua fase atual.

“Sou feliz, sou drag, sou bonita, meu bem”, concluiu a cantora. “Tem gente que é muito fechada naquele mundinho. Elas querem que as outras pessoas se fechem junto com elas. É muito egoísmo isso. Vamos respeitar cada um, que respeito é bom e todo mundo gosta. Não é verdade?”

E para aquele rapaz que jogou a sopa na artista um dia, lide com o sucesso dela agora.