“Sense8”, do Netflix: primeiras impressões

“Sense8”, do Netflix: primeiras impressões

*Por Victor Rosa

“Sense8” foi uma das grandes apostas na Netflix para 2015 e mostrou que veio para ficar. Com uma fotografia lindíssima, subtramas envolventes e um mistério, inicialmente confuso na trama principal, temos uma série inovadora, emocionante e viciante.

Na série acompanhamos a vida de oito pessoas morando em diferentes partes do mundo e, aparentemente, sem nenhuma ligação entre si, a não ser o fato de serem sensates (pessoas que são mentalmente e emocionalmente conectadas). Quem “ativa” esta habilidade neles é Angelica (Daryl Hanna), antes de falecer.

Entre os oito protagonistas, temos: Will (Brian J. Smith), um policial de Chicago; Sun (Doona Bae), uma empresária e lutadora coreana; Riley (Tuppence Middleton), uma DJ islandesa e que mora em Londres; Wolfgang (Max Rielmet), um arrombador de cofres e chaveiro alemão; Kala (Tina Desae), uma farmacêutica indiana; Lito (Miguel Angel Silvestre), um ator gay mexicano, Capheus (Alm Ameen), um motorista de van em Nairobi; e Nomi (Jamie Clayton), uma hacker trans e lésbica de São Francisco.

O motivo deles formarem um grupo que consegue se conectar é desconhecido, mas aos poucos todos vão se conhecendo (e posso dizer que alguns vão se apaixonando) e, com o passar da série, um vai ajudando o outro nos seus problemas e dificuldades.

Como disse inicialmente, as subtramas de “Sense8” são completamente envolventes e chegam a ser mais emocionantes que a própria trama principal. Algumas ganham destaque e realmente cativam, como Capheus que busca a todo custo ajudar a mãe, portadora do vírus da AIDS, ou Nomi, que conseguiu se aceitar como trans e lésbica, mas não consegue ter o apoio da família.

Estas são apenas duas, das 8 subtramas existentes na série, e o mais incrível é que todas conseguem se interligar. A princípio, de forma confusa, mas no final tudo fica tão claro quanto um lago de águas cristalinas.

Observação: Com certeza uma das cenas mais emocionantes do filme, onde todos estão conectados a música que Riley estava ouvindo.

O “poder” dos sensates pode agir de duas formas: 1) eles podem conversar entre si, telepaticamente, e 2) eles conseguem assumir a consciência do corpo do outro, como se pudessem controlá-lo. Duas cenas que ficam bem claro é quando Capheus precisa de ajuda para enfrentar uma gangue e Sun, “controla” o corpo dele para poder lutar, ou quando Nomi precisa dirigir para fugir da polícia e Capheus assume o volante, através do corpo dela, já que ela não sabe dirigir.

As cenas de sexo também possuem um propósito em “Sense8”. Se é para mostrar o cotidiano de oito pessoas, que seja em sua inteira realidade, e é muito óbvio que essas pessoas transam. Mas a cena mais emocionante é quando a maioria está fazendo algo que proporciona prazer, como sexo, academia ou sauna, e todos acabam se conectando. Veja abaixo um pedaço da cena e vocês poderão me entender.

Os roteiristas da série são os irmãos Andy e Lana Wachoswski, criadores de “Matrix”. Lana é uma mulher trans, e quis passar para a série um pouco de tudo que passou em sua vida. E Nomi, a hacker transgênero, está aí representando a ela e tantas pessoas trans.

sense 8 netflix

“Sense 8” é uma série original do Netflix e todos os episódios foram liberados no dia 5 de junho. Vale a pena conferi-la!