“Sense8” foi cancelada, mas sua mensagem de inclusão e aceitação permanece

“Sense8” foi cancelada, mas sua mensagem de inclusão e aceitação permanece

Se você é um pouco parecido comigo, provavelmente está sofrendo com o cancelamento da série “Sense8”. Depois de duas temporadas, a Netflix confirmou ontem (1) que Capheus, Will, Kala, Nomi, Lito, Sun, Wolfgang e Riley não retornarão para um terceiro ano.

“Após 23 episódios, 16 cidades e 13 países, a história de ‘Sense8’ está chegando ao fim. Ela foi tudo o que nós e os fãs sonhamos que seria: ousada, emocionante, deslumbrante e muito inesquecível. Nunca houve uma série que fosse mais global, com um elenco e equipe igualmente diversificado e internacional. Agradecemos a Lana, Lilly, Joe e Grant por sua visão, a todo o elenco e equipe pelo seu compromisso”, disse a a vice-presidente de conteúdo original da empresa, Cindy Holland, em um comunicado.

O seriado criado pelas irmãs Lana e Lily Wachowski acompanhava a vida de 8 pessoas, que moram em diferentes partes do mundo, e que partilham uma conexão mental e emocional uns com os outros.

É uma notícia triste, com certeza, pois o que tornava “Sense8” atrativa era justamente a diversidade de seu elenco e personagens: homens hétero e homossexuais, brancos e negros, mulheres cis, trans, brancas, latinas e negras. E por conta da conexão mental que possuíam, apesar das diferenças, todos eram um. Essa é a principal mensagem que a atração deixa: quando deixamos as diferenças de lado para alcançarmos um mesmo objetivo, todos saem ganhando.

“Quando você se esforça para conhecer quem é a outra pessoa, [percebe que] somos todos os mesmos”, disse Tina Desai, que interpreta a Kala de “Sense8”, em abril. “Talvez nós venhamos de culturas diferentes, mas todos pensamos e sentimos da mesma maneira. Se nós pudermos respeitar a diferença, passar por ela e aceitarmos mais os outros, veremos que não há qualquer problema. O problema acontece quando você resiste a mudança. É isso o que o seriado faz: nós superamos nossas diferenças e criamos algo maravilhoso”.

Na série, era possível se identificar com qualquer um dos personagens. E como muitas vezes acompanhávamos os acontecimentos a partir da ótica de um deles, era possível estabelecer um sentimento de empatia, ainda que aquela pessoa tivesse uma vida completamente diferente da nossa. Pegue o caso de Lito, que perdeu trabalhos apenas por ser homossexual. Ou Nomi, que tinha problemas com a família por ser uma mulher transexual. Ou de Capheus, que queria condições melhores para a população no Quênia

A atração, contudo, é muito cara. É possível entender o motivo para que ela não fosse adiante, já que era filmada em diferentes partes do mundo, o que provavelmente encarecia os custos de produção.

Ainda assim, é muito difícil dar adeus a uma série tão cativante, cujos elencos principais e secundários eram formados por pessoas de múltiplas identidades, as quais se uniam em bons e maus momentos para combater inimigos e preconceitos.

Essa é a marca que “Sense8” deixará: de que um mundo onde é possível aceitar o outro exatamente como ele é, e de que podemos trabalhar juntos para construir novas possibilidades para todos. E isso não tem preço que pague.

PS: há um abaixo-assinado rolando para que a Netflix renove o seriado. Se ele funcionará, é impossível dizer, mas quem quiser tentar, deixe o seu nome. Clique aqui.