Sem atores negros indicados, Jada Pinkett Smith e Spike Lee vão boicotar o Oscar

18. janeiro 2016 Cinema 1
Sem atores negros indicados, Jada Pinkett Smith e Spike Lee vão boicotar o Oscar

Na última quinta-feira, 14, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados ao Oscar 2016. Após a divulgação da lista, a hashtag #OscarsSoWhite virou assunto nas redes sociais, pois, pelo segundo ano consecutivo, nenhum ator negro – ou de qualquer outra etnia – foi indicado nas categorias de atuação. Mais uma vez, o Oscar será uma cerimônia para pessoas brancas.

Com as críticas à premiação, Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academia que escolhe os indicados ao considerado “prêmio máximo do cinema”, se manifestou sobre o ocorrido, dizendo que também estava decepcionada com as escolhas. “Mas isso não tira a grandeza [dos filmes indicados]. Esse foi um ótimo ano para o cinema”, afirmou.

Contudo, as palavras de Isaacs não são o suficiente, tampouco justificam a exclusão dos atores negros ao Oscar. É por isso que a atriz Jada Pinkett Smith disse que irá boicotar o Oscar neste ano. “Eu faço a pergunta: será a hora das pessoas de cor* reconhecerem quanto poder e influência nós acumulamos, de forma que nós não precisamos ser convidados para qualquer lugar?”, pergunta a artista em um vídeo no Facebook. “Eu pergunto: chegamos agora a um novo tempo e lugar em que reconhecemos que não precisamos mais implorar pelo amor, reconhecimento e respeito de algum grupo?”

*Pessoas de cor: people of color, em inglês, se refere a todas as pessoas não brancas: negros, asiáticos, latinos etc.

Decisão semelhante tomou o diretor Spike Lee, que também irá boicotar o Oscar. “Nós não podemos apoiar isso e eu não quero desrespeitar meus amigos, o apresentador Chris Rock, o produtor Reggie Hudlin, a presidente Isaacs e a Academia. Mas como é possível, pelo segundo ano consecutivo, todos os 20 indicados na categoria de atuação serem todos brancos?”, escreveu o cineasta em seu Instagram.

Lembrando do aniversário de Martin Luther King Jr, Lee citou uma das falas do líder dos direitos civis da população negra. “‘Há um tempo em que alguém precisa assumir uma posição que não é nem segura, nem política, nem popular, mas ele deve assumi-la porque a consciência o diz que é a coisa certa.”

No ano passado, o diretor foi homenageado durante o 7º Governors Awards, evento realizado pela própria Academia do Oscar. Na ocasião, ele pediu mais diversidade em Hollywood em todas as áreas. “Eu não sei se vocês perceberam, mas de acordo com o Censo dos Estados Unidos, até o ano de 2043, americanos brancos serão minoria neste país. E todos vocês que podem contratar alguém, é melhor ficarem espertos, porque vocês trabalharão para a gente. Reflitam o que este país parece”, disse o cineasta. “É mais fácil um negro ser presidente dos Estados Unidos do que chefe de um estúdio. Provavelmente todo mundo aqui votou no Obama, mas quando vou aos escritórios, eu não vejo negros, exceto aquele irmão que fica na segurança e checa meu nome na lista quando vou a um estúdio.”

Atores negros não são apenas excluídos do Oscar, como também da indústria cinematográfica como um todo, Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia (USC) analisou 700 filmes campeões de bilheteria, lançados entre 2007 e 2014  – excluindo 2011 -, e diz que negros ficam com apenas 12,5% dos papéis nos filmes.

Portanto, o boicote à premiação encontra uma forte justificativa. “Implorar por reconhecimento – ou até mesmo pedir por ele – diminui a dignidade e o poder. E nós somos um povo digno e poderoso”, concluiu Jada Pinkett Smith.

We must stand in our power!We must stand in our power.

Publicado por Jada Pinkett Smith em Segunda, 18 de janeiro de 2016