Qualquer pessoa pode desenvolver ansiedade – inclusive Ryan Reynolds

02. setembro 2018 Famosos 0
Qualquer pessoa pode desenvolver ansiedade – inclusive Ryan Reynolds

Ryan Reynolds pode parecer debochado como o anti-herói Deadpool que levou aos cinemas, mas a verdade é que o humor do ator é um mecanismo de defesa para lidar com a ansiedade. Em maio deste ano, o canadense foi entrevistado pelo jornal The New York Times e disse que sempre viveu com o transtorno mental.

“Eu tenho e sempre tive ansiedade”, ele disse à publicação. “Desde a forma mais leve, como ‘estou ansioso por isso’, até às profundezas escuras do outro lado do espectro, que não são nada divertidas”.

Ao jornal americano, o artista admitiu que fica apavorado e enjoada antes de entrevistas em talk shows, chegando a acreditar que talvez morra no meio do caminho. Além disso, nos tempos em que tinha um sitcom no canal ABC, ele costumava aquecer a plateia para se familiarizar com ela e, assim, “redirecionar pânico, ou como ele descreve, ‘a energia de querer vomitar'”. Com isso em mente, é possível imaginar que, antes do lançamento da continuação do “Deadpool”, Reynolds estivesse à beira de um colapso nervoso. “Quando se há uma expectativa embutida, seu cérebro sempre processa isso como perigo”.

Não foi a primeira vez que o ator falou sobre o assunto. Em 2017, ele revelou à revista Variety que, assim que o primeiro “Deadpool” entrou na fase de pós-produção, “nós fomos para a Comic-Con, e as pessoas estavam loucas por ele. As expectativas estavam me comendo vivo”. 

Segundo contou à mesma publicação no ano passado, Ryan disse acreditar que sua ansiedade surgiu quando era pequeno, por conta do seu falecido pai, com quem teve uma relação complicada.

“Eu tenho três irmãos mais velhos. Nosso pai era duro. Ele não era fácil com ninguém”, contou o artista. “E ele não era fácil com ele mesmo. Acho que a ansiedade começou ali, tentando encontrar meios de controlar os outros ao tentar me controlar. Naquela época, eu não reconheci isso. Eu era só uma criança agitada”.

Ao jornal The New York Times, ele voltou a comentar sobre o pai, referindo-se a ele como alguém constantemente estressado na casa em que morava com a família. Para evitar que qualquer coisa deixasse o pai nervoso, Ryan consertava coisas, limpava a casa e aparava a grama.

“Eu me tornei esse pequeno gerente”, disse o canadense. “Quando você estressa as crianças, cria-se um esquisito paradoxo, pois elas, de repente, precisam lidar com coisas que não são delas”.

Durante os 20 anos, ainda com a doença, ele começou a ir a muitas festas, mas acordava no meio da noite “paralisado pela ansiedade, agoniado pelo futuro”. O artista costumava se auto-medicar, mas depois que alguns amigos morreram de overdose, ele diminuiu a quantidade de festas.

Como é possível perceber, transtornos mentais como ansiedade podem atingir qualquer pessoa. Não importa se você tem um casamento e dois filmes de imenso sucesso, esses distúrbios não discriminam ninguém – e podem ainda ser piorados sem tratamento adequado. E Ryan Reynolds está longe de ser o único a sofrer com a doença: segundo dados da Associação de Ansiedade e Depressão da América (ADAA, em inglês), esse é o transtorno mental mais comum nos Estados Unidos, atingindo 40 milhões de adultos naquele país.

A quantidade impressiona, mas os números brasileiros também são altos: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil lidera o índice global de ansiedade, com 9,3% da população manifestando o quadro, que inclui ataques de pânico, transtornos obsessivo-compulsivo e transtornos de estresse pós-traumático.

Infelizmente, a ansiedade é comumente é interpretada como algo passageiro ou que não precisa ser levada a sério. De fato, ela é uma emoção sentida por todos em algum momento da vida, mas quando ela se agrava, pode atrapalhar a rotina, paralisar o indivíduo e até levá-lo a adotar pensamentos e comportamentos suicidas. Portanto, é fundamental a busca por ajuda profissional, para que seja realizado o tratamento adequado, que pode incluir psicoterapia e medicação.

Ryan Reynolds vive até hoje com a ansiedade, mas lida com ela vestindo-se como o personagem Deadpool quando precisa conceder entrevistas, além de meditação e mantém em mente que o nervosismo é temporário, o que o ajuda a se acalmar. O amor de sua esposa Blake Lively e das filhas também o ajuda.

“Quando as cortinas se abrem, eu aciono esse bobalhão e ele assume o controle e vai embora logo que saio de cena. É um ótimo mecanismo de defesa própria”, concluiu o ator canadense ao The New York Times.

Caso você esteja precisando de ajuda:

  • o Centro de Valorização à Vida (CVV) realiza atendimentos pelo site e pelo número 188 e 141 (para Bahia, Maranhão, Pará e Paraná);
  • procure o CAPS e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde);
  • em caso de emergência: SAMU 192, UPA, pronto socorro e hospitais.

*Geralmente, eu faço links de onde tiro as informações, mas por se tratar de um tema delicado e que pode fazer mal a algumas pessoas, evitei linkar as notícias e postar imagens.