Retrospectiva: os bons momentos da moda em 2016

28. dezembro 2016 Moda 0
Retrospectiva: os bons momentos da moda em 2016

As indústrias da moda e beleza estão longe de ser as mais inclusivas, mas não dá para negar que, em 2016, pudemos ter esperança de que estamos caminhando para uma expansão desses setores para todas as pessoas, sejam elas mulheres ou homens, gordas ou magras, cis ou trans, negras ou brancas, com ou sem deficiência.

Há um longo caminho pela frente, com certeza. A maioria das modelos ainda pertencem a um padrão impossível de ser atingido, porém, não faltaram exemplos de que uma mudança está acontecendo. Graças a empresas que decidiram apostar na diversidade, e a pessoas que decidiram agir e não se calar, tivemos um ano com boas e bem-vindas surpresas.

Confira a nossa retrospectiva:

O vestido de Bryce Dallas Howard no Globo de Ouro:

Vestido de Bryce Dallas Howard ganhou a internet por bons motivos

Em janeiro, Bryce Dallas Howard compareceu ao Globo de Ouro com um vestido comprado em uma loja de departamento. Isso mesmo: ele não foi feito sob medida, tampouco teve a assinatura de uma grande grife. A própria atriz foi a uma loja escolhê-lo, já que, segundo ela mesma disse à época, prefere “ter mais opções para um tamanho 40, ao invés de apenas uma”.

Como muitos estilistas trabalham apenas com tamanhos muito pequenos, Bryce decidiu buscar outras alternativas, já que seu corpo estaria ‘fora’ dos padrões. Saiba mais aqui.

A Axe começou a desconstruir a ideia do ‘machão’ em seus comerciais:

Novo comercial da Axe rejeita os estereótipos da masculinidade

Em 2016, já era mais do que na hora de aceitarmos que homens são plurais e de que não existe um jeito ‘certo’ de ser homem.

É por isso que recebemos tão bem a nova campanha da Axe, que trouxe diferentes rapazes, cada um abraçando sua individualidade, mostrando que não há nada melhor do que ser você mesmo e estar bem consigo. Assista ao comercial neste link.

Jaden Smith usou saia e pintou as unhas em ensaio para a revista Vogue:

Jaden Smith volta a desafiar os papéis de gênero em ensaio para a Vogue Korea

Filho dos atores Will e Jada Pinkett Smith, Jaden Smith não se importa com estereótipos de gênero. No começo do ano, ele participou da coleção de primavera/verão feminina da marca Louis Vuitton, e fez fotos para a revista Vogue corana, nas quais aparece usando saia, de unhas pintadas e adereços tipicamente femininos. Veja mais fotos aqui.

Modelo plus size e sem retoques em um comercial de biquíni:

Aerie, marca de biquíni, dispensa os retoques em seu novo comercial

Barbie Ferreira foi a estrela de um comercial da marca americana Aerie. Não seria nada de mais, não fosse o fato da modelo não possuir o corpo magro que vemos sempre em anúncios e propagandas.

“As pessoas são tão influenciadas pela mídia, que elas realmente acreditam que um corpo de 38/24/45 anos com cirurgia plásticas é normal; e elas não entendem que um corpo pode ter celulite ou protuberâncias”, ela contou à revista Galore. “Às vezes eu sinto como se esperassem que as mulheres vivessem como bonecas sexuais sem pelos para os homens ficarem babando”.

Para saber mais sobre a campanha da Aerie, veja este link.

Comercial da L’Oréal Paris para o Dia das Mulheres destacou Valentina, uma mulher transgênera:

Para o Dia das Mulheres deste ano, a L’Oréal Paris resolveu fazer diferente e trouxe a modelo trans Valentina Sampaio para o comercial da marca para a data. “É muito bom a gente se aceitar, se amar, reconhecer nosso valor. O Dia da Mulher? Eu acho importante, sim, mas não para ganhar flores. A gente quer respeito”, disse Valentina.

Mulheres trans estão ganhando um pouco mais de visibilidade na mídia, o que é muito positivo, pois ajuda na aceitação dessas pessoas na sociedade, especialmente no Brasil, país que lidera um ranking mundial de morte de pessoas trans. Assista ao comercial.

Tommy Hilfiger lança coleção de roupas para crianças com deficiência:

Em 2016, a grife Tommy Hilfiger lançou uma coleção de roupas adaptáveis, voltadas para crianças que possuam qualquer tipo de deficiência. Ou seja, as peças se adaptam aos corpos que irão vesti-las, conferindo uma maior independência e estilo a cada pessoa.

O melhor de tudo, é que as roupas são as mesmas vendidas para crianças sem deficiência, tendo apenas algumas alterações para facilitar seu uso. Saiba mais aqui.

Modelo com síndrome de Down em uma campanha de uma marca de beleza:

Também neste ano, Katie Meade tornou-se a primeira mulher com síndrome de Down a estrelar uma campanha de beleza. Ela foi rosto de uma campanha da Beauty & Pin-Ups, marca para cuidados para o cabelo.

“Eu amo ficar bonita porque eu sou bonita. Eu me sinto bem comigo mesma, esse é meu lema”, disse Katie. Confira o ensaio.

Uma mãe recriou o ensaio de Kendall Jenner para a Calvin Klein para transmitir uma mensagem sobre ‘corpos imperfeitos’:

Brenda DeRouen é mãe e, assim como muitas outras, também foi pressionada a perder o peso que ganhou com a gravidez, além de ter sido criticada pelas estrias que também foram resultado da gestação.

Ela fez de tudo para eliminar as marcas que ficaram na sua barriga, mas depois de não conseguir, preferiu seguir outro caminho: o do amar seu próprio corpo. Veja mais fotos de Brenda e o que ela tem a dizer.

Emma Watson e seu vestido feito de garrafas de plástico:

Emma Watson compareceu ao tradicional Met Gala, em Nova York, usando um vestido feito por garrafas de plástico. Ela fez questão de que todos soubessem quais materiais foram utilizados na criação de sua roupa.

“O plástico é um dos maiores poluentes de nosso planeta. Poder reaproveitar esse material e incorporá-lo no meu vestido do Met mostra o poder que a criatividade, tecnologia e magia têm trabalhando juntas”, escreveu a atriz no Facebook.

Lupita Nyong’o se inspirou em Nina Simone e mulheres africanas em seu penteado no Met Gala:

Lupita Nyong’o foi outra artista que também chamou a atenção pelo seu look no Met Gala, mas por conta de seu penteado. Feito seu cabeleireiro de longa data, ele foi inspirado em mulheres negras africanas e na lendária cantora Nina Simone.

Neste link você sabe mais sobre as inspirações da atriz.

Kristen Stewart e Julia Roberts quebram o protocolo de vestimenta no Festival de Cannes:

Um ano depois de um grupo de mulheres ser barrado por não usarem salto alto no Festival de Cinema de Cannes, as atrizes Kristen Stwart e Julia Roberts decidiram quebrar o protocolo e compareceram a eventos de tênis e sem sapatos. Afinal de contas, a obrigatoriedade do salto precisa acabar.

“As coisas precisam mudar imediatamente”, disse Kristen. E nós concordamos com ela.

Demi Lovato e o apoio às pessoas trans no Billboard Music Awards:

Foto: Kevin Winter

No palco do Billboard Music Awards, Demi Lovato resolveu demonstrar apoio às pessoas trans usando uma camisa, cuja estampa é uma pessoa vestindo metade de um vestido e de calças, um símbolo de banheiros inclusivos, ou seja, para todos os gêneros.

A redefinição do nude:

Embora a gente entenda nude como a cor da pele de um indivíduo, a moda a tratou, em inúmeras vezes, como um tom de bege. E se você der uma volta no seu quarteirão hoje, provavelmente vai reparar que as pessoas têm peles em diferentes cores.

Por isso, separamos algumas marcas que estão trabalhando para que o nude represente o tom de pele de todas as pessoas.

Marc Jacobs faz bela homenagem à comunidade LGBT em nova campanha:

Para sua coleção de outono, Marc Jacobs trouxe dois rapazes gays, que haviam namorado há algum tempo antes do ensaio. Poderia ser somente mais um anúncio, mas as fotos foram divulgadas no mesmo mês em que aconteceu o tiroteio na boate LGBT de Orlando, onde morreram 49 pessoas.

Carlos Santolalla, um dos modelos, escreveu sobre a experiência. Você pode ler o texto dele aqui.

Leslie Jones conseguiu um vestido para a estreia de “Caça-Fantasmas”:

No final de junho, Leslie Jones, uma das estrelas de “Caça-Fantasmas”, reclamou no Twitter de que nenhum designer queria fazer um vestido para que ela usasse na estreia do filme. A crítica da atriz criou um debate sobre a a dificuldade de mulheres que não vestem números pequenos em encontrar roupas bonitas e acessíveis.

Mas o caso da artista não ficou sem solução, Christian Siriano, vencedor da quarta temporada de “The Project Runway”, e que é conhecido por fazer roupas de diversos tamanhos, fez o vestido de Leslie. E ela ficou deslumbrante.

A Renner quer ajudar a empoderar mulheres refugiadas através de programa de capacitação:

No Brasil, de acordo com Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), existem mais de 8.800 refugiados de 79 países diferentes no Brasil, sendo que 28,2% são mulheres, as quais enfrentam, além das diferenças culturais, uma dificuldade maior para serem inseridas no mercado de trabalho.

E isso é o que a Renner pretende mudar com seu programa de capacitação, lançado em julho. A partir da data, mulheres vindas da Angola, Congo, África do Sul e Nigéria farão parte da primeira turma da Escola de Costura para Refugiadas do Instituo Lojas Renner, realizada pelo Centro São José, em São Paulo.

Quem disse que mulher gorda não pode usar calça jeans?:

A mais nova campanha da Torrid, marca de roupas para mulheres plus size, dá continuidade a um movimento importante de inclusão. Para a sua nova linha de jeans, a empresa chamou várias mulheres de diferentes tamanhos, formas e raças, numa linda celebração da diversidade de corpos.

“A indústria de jeans insiste em fazer peças para modelos magras, cujos tamanhos não representam o que as mulheres americanas parecem de verdade”, afirmou Liz Muñoz, vice-presidente de design da empresa, em comunicado.

A Semana de Moda de Nova York:

A Semana de Moda de Nova York realizada em setembro trouxe boas surpresas: em um dos desfiles, Reshma Qureshi, uma indiana sobrevivente de ataque de ácido, chamou a atenção para esse tipo de violência ainda muito comum no país de origem dela.

Em outro desfile, foram as modelos plus size que mostraram que beleza não tem tamanho certo, e em outro evento, uma designer muçulmana apresentou uma coleção com todas suas modelos usando o hijab, tradicional véu islâmico.

Modelos trans estampam, pela primeira vez, capas da revista Harper’s Bazaar:

Em quase 150 anos, a Harper’s Bazaar, uma das mais antigas revistas de moda que existem, ainda encontra formas de fazer história. Em quase um século e meio, pela primeira vez que duas modelos trans estampam as capas da publicação. As modelos escolhidas foram Tracey Norman e Geena Rocero, que agraciaram a edição de outubro publicada na Índia.

Saiba mais clicando aqui.

A Miss Brasil é negra:

30 anos depois da gaúcha Deise Nunes ser eleita Miss Brasil, o país viu sua beleza ser representada novamente por uma mulher negra. Raíssa Santana, candidata do Paraná, saiu vencedora da competição.

Foi, também, a primeira vez que 6 mulheres negras disputavam o título.

A Semana de Moda de São Paulo:

A Semana de Moda de São Paulo também trouxe diversidade para a sua edição. O rapper Emicida e seu irmão, o produtor Evandro Fióti, fizeram um desfile memorável, levando para a passarela  estilo, negros e pessoas gordas.

Não só ele, o designer Ronaldo Fraga trouxe um desfile apenas com mulheres trans. Seu objetivo era o de chamar atenção para a situação de vulnerabilidade dessas pessoas, as quais vivem à margem da sociedade.

Garoto de 17 anos se torna o primeiro a homem a ser rosto da CoverGirl:

Quem disse que maquiagem é coisa somente de meninas? James Charles, um garoto de 17 anos, se tornou o primeiro garoto-propaganda da CoverGirl, uma famosa marca de cosméticos.

Ele é acompanhado por mais de 467 mil pessoas no Instagram e seu canal no Youtube possui mais de 72 mil inscritos. Números bem expressivos para alguém que começou a se pintar há apenas um ano.

Modelo negra recria campanhas de moda para fazer protesto contra a falta de diversidade:

Para chamar a atenção para a falta de diversidade na moda, a modelo Deddeh Howard recriou campanhas famosas, como a da Gisele Bundchen para a Vivara, substituindo as modelos brancas por imagens suas fazendo as mesmas poses.

“As agências diziam frequentemente para mim: ‘nós adoramos você, mas nós já temos uma menina negra’. Não deveria ser limitado a uma garota negra, poderia haver mais do que uma”, contou. “É como se elas [as agências] tivessem vergonha de representar a diversidade. Isso é muito dolorido e isso já me fez sentir insegura e péssima comigo mesma”.


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