Representação LGBT permanece ruim em Hollywood

Representação LGBT permanece ruim em Hollywood

No Oscar deste ano, “Carol” e “A Garota Dinamarquesa” foram os representantes LGBT na maior cerimônia do cinema de Hollywood. Alguém poderia se apressar em dizer que a indústria está se tornando mais inclusiva e disposta a contar uma diversidade maior de histórias, mas a verdade é que não está.

Segundo um relatório da GLAAD (Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação, em português), organização que monitora a representação de LGBTs na mídia dos Estados Unidos, e divulgado ontem (2), esse grupo continua com uma participação baixa e ruim nos filmes.

Entre os 126 grandes lançamentos de 2015, apenas 22 deles, ou 17,5%, continham algum personagem que se identificava como gay, lésbica, bissexual ou pessoas trans. O percentual é o mesmo de 2014, o que mostra que Hollywood continua excluindo personagens LGBTs de suas produções. Para realizar o estudo, foram avaliados os sete maiores estúdios dos Estados Unidos: 20th Century Fox, Lionsgate Entertainment, Paramount Pictures, Sony Columbia Pictures, Universal Pictures, The Walt Disney Studios e Warner Brothers.

Foram encontrados somente 47 personagens LGBT, sendo 77% deles gays, 23% lésbicas, 9% eram bissexuais (contra 30% do ano anterior) e 5% eram pessoas trans. Aliás, apenas um filme possuía uma transexual, “Belas e Perseguidas”, com Reese Witherspoon e Sofia Vergara. No geral, foram 77% homens e apenas 23% mulheres, uma proporção de mais de 3 homens para cada uma mulher.

Não só isso, houve uma quantidade esmagadora de LGBTs brancos: 72,5%. Pessoas de cor (negros, latinos, asiáticos e nativo-americanos) corresponderam a apenas 25,5% do total, uma queda de 6,6% em comparação ao ano anterior, que foi de 32,1%. Numa indústria conhecida por apagar minorias étnicas, a constatação decepciona, mas não surpreende exatamente.

Foi aplicado, também, um teste chamado “Vito Russo”, o qual foi inspirado no Teste Bechdel. Para passar nele, o filme precisa de pelo menos um personagem LGBT, cuja orientação sexual ou identidade de gênero não seja o que o define na trama, e é preciso que esse personagem esteja ligado ao filme de forma que sua perda seja significativa no andamento da história. O resultado: apenas 8 entre 22 estúdios (36%) passaram no teste Vito Russo, o menor percentual desde que a GLAAD começou a pesquisa, em 2012.

Há muito trabalho a ser feito. Sarah Kate Ellis, presidente da GLAAD, aponta que LGBTs ainda são utilizados como piada ou como personagens solitários, dando apoio ao protagonista ou sem qualquer aprofundamento nas suas histórias.

“A pouca consistência na representação LGBT nos filmes permanece um padrão infeliz”, afirmou Sarah. “Tirar LGBTs de cena, ou incluí-los como piada, mantém antigos preconceitos vivos e cria um ambiente perigoso, não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, onde o público vê essas representações. Hollywood precisa melhorar nas mensagens que está enviando.”

Aos estúdios foram dadas três notas: ‘bom’, ‘adequado’ e ‘falha’. Nenhum deles foi classificado ‘bom’. Lionsgate, Fox, Sony e Universal foram considerados ‘adequados’. Warner Brothers, Disney e Paramount falharam na inclusão de LGBTs. As duas últimas empresas sequer tiveram um personagem LGBT em suas produções.

Para a presidente da GLAAD, é preciso que o cinema acompanhe os avanços que serviços de streaming tem feito, como “Orange Is The New Black”, “Sense8” e “Transparent”. Ela ressalta, contudo, que o que já foi considerado ‘adequado’ para o cinema “não é mais adequado de forma alguma”.

“A indústria cinematográfica deve abraçar novas histórias e que reflitam o mundo atual se quiser se manter competitiva e relevante. Felizmente, há muitas histórias a serem contadas”, conclui Sarah Kate Ellis.


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