Regina Casé em Sundance e outras vezes em que o Brasil foi premiado no exterior

02. fevereiro 2015 Cinema 1
Regina Casé em Sundance e outras vezes em que o Brasil foi premiado no exterior

Novo filme da cineasta Anna Muylaert, “Que horas ela volta?” ainda não estreou, mas já chegará premiado aos cinemas brasileiros. No último fim de semana, as atrizes Regina Casé e Camila Márdila receberam prêmio no Festival de Sundance, o mais importante festival de cinema independente dos EUA, na categoria de melhor atriz em filme estrangeiro.

E não é de hoje que o Brasil vem figurando os mais importantes festivais e premiações ao redor do mundo. Vale lembrar de outras vezes em que as produções nacionais estiveram entre os indicados (e algumas vezes vencedores) a prêmios internacionais:

NOS ESTADOS UNIDOS

Ninguém pensa em premiação de cinema sem se lembrar do Globo de Ouro e do Oscar. Na primeira, o Brasil foi indicado apenas uma vez, com o filme “Pixote”, de Hector Babenco, em 1982. Já no Oscar, talvez a mais relevante (apesar de superestimada) entre as premiações, nós demos as caras mais vezes.

O filme brasileiro com mais indicações ao Oscar até hoje é “Cidade de Deus”, que em 2004 concorreu a melhor diretor (Fernando Meirelles), melhor edição, fotografia e roteiro adaptado. Curiosamente, a produção não recebeu uma indicação a melhor filme estrangeiro, categoria para a qual o Brasil ao longo dos anos foi mais indicado na premiação.

Alexandre Rodrigues em "Cidade de Deus"
Alexandre Rodrigues em “Cidade de Deus”

Apesar de nosso candidato do ano passado para concorrer a uma vaga na categoria, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (Daniel Ribeiro, 2014), não ter levado a indicação, outras quatro produções brasileiras já figuraram a lista, embora nenhuma tenha até hoje levado o prêmio.

O primeiro foi “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, em 1963. A segunda indicação veio só em 1994, para “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. Em 1998, “O que é isso, companheiro?”, de Bruno Barreto. E em 1999, “Central do Brasil”, de Walter Salles, também indicado na categoria de melhor atriz. E quem não se lembra com certo nó na garganta da “derrota”, por assim dizer, da atriz Fernanda Montenegro para a americana Gwyneth Paltrow? – prêmio até hoje questionável (como inúmeros outros na história do Oscar, inclusive).

Leonardo Vilar em "O pagador de promessas"
Leonardo Villar em “O pagador de promessas”

NA EUROPA

Já no Festival de Cannes, na França, o mais famoso e mais hypado entre os festivais de cinema do mundo, nossas atrizes tiveram mais sorte. Foram duas as vencedoras: Fernanda Torres em 1986, por “Eu Sei Que Vou Te Amar”, e Sandra Corveloni em 2008, por “Linha de Passe”.

E nossos filmes também já foram premiados por lá. O primeiro prêmio foi em 1953 para “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, que venceu na categoria de filme de aventura. Mas a primeira (e até então única) Palma de Ouro, prêmio mais importante do festival, veio nove anos mais tarde, para “O Pagador de Promessas” – prêmio que foi bastante discutido na época, inclusive por cineastas brasileiros do movimento do Cinema Novo, como Glauber Rocha. O próprio Glauber foi premiado mais de uma vez no festival. O primeiro foi um prêmio secundário dado pela imprensa para “Terra Em Transe”. Depois, veio o de melhor direção por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”.

Cena de "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro"
Cena de “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”

Outro importante festival de cinema europeu, o Festival de Berlim, já premiou filmes brasileiros com o Urso de Ouro duas vezes: o primeiro prêmio foi para “Central do Brasil”, em 1998, e o segundo para “Tropa de Elite”, de José Padilha, em 2008.

Se premiações são justas ou não, isso é outra história (que a gente até vai discutir aqui, quando o Oscar chegar). Mas que é sempre bom para o cinema de um país ser reconhecido e elogiado internacionalmente, isso é indiscutível. E se depender do bom momento criativo para o cinema nacional, vamos continuar figurando essas premiações por muito tempo.