Reese Witherspoon: “Corra de homens que não conseguem lidar com a sua ambição”

14. setembro 2017 Famosos 0
Reese Witherspoon: “Corra de homens que não conseguem lidar com a sua ambição”

Não é só a “Mulher-Maravilha” quem deveria receber o título de super-heroína. Reese Witherspoon é outra mulher que deveria receber o mesmo reconhecimento.

Embora muita gente só a conheça pelos filmes em que atuou (e não foi só em “Legalmente Loira”), a verdade é que a atriz vem mudando o cenário de Hollywood para as mulheres. Se a indústria cinematográfica ainda resiste a contar histórias femininas, a artista faz com que essas narrativas ganhem as telas. E melhor ainda, que façam sucesso com o público.

Reese é capa da revista Glamour americana de outubro, para a qual escreveu um poderoso texto sobre a situação das mulheres nos Estados Unidos e nas artes, além de ressaltar a importância da ambição feminina. E ela dá o recado para as mulheres, especialmente as heterossexuais: “corra de homens que não conseguem lidar com a sua ambição”.

Há dois anos, no evento Glamour’s Women of the Year, ela fez um discurso inspirador sobre a necessidade das mulheres lutarem pelo que acreditam. E em 2017, ela continua acreditando nisso.

“A ambição é simplesmente uma força dentro de você, é ter curiosidade ou uma nova ideia e o desejo de ir atrás disso”, escreveu. “Eu fui ambiciosa por toda a minha vida. Na verdade, eu me lembro de dizer ao meu professor da terceira série que eu queria ser a primeira mulher a ser presidente dos Estados  Unidos”.

Ela pode não ter realizado esse sonho (ainda!), mas isso não significa que ela tenha se contentado com menos. Aos 41 anos, com um Oscar e dezenas de filmes no currículo, é seguro dizer que Reese Witherspoon construiu uma carreira brilhante e de muita admiração, tanto pelo público quanto pela crítica. Mas nos últimos anos, ela vem trabalhado em outras frentes.

Em 2012, ela lançou a produtora Pacific Standard, cuja missão é desenvolver histórias sobre mulheres. Com a empresa, Witherspoon teve 2 grandes sucessos de bilheteria no cinema: “Livre” e “Garota Exemplar”. Mas mesmo com seu nome por trás das obras, ainda houve quem desconfiasse de que os filmes seriam vistos nas telonas.

“Eu vi executivos de estúdios me dizerem que não faziam biografias de mulheres ou, simplesmente, ‘nós não estamos interessados em conteúdos protagonizados por mulheres'”, disse a atriz em seu texto na Glamour, recordando que “Garota Exemplar” foi negado por todos os estúdios até o livro no qual o filme é baseado ter sido best-seller. “Aí a história mudou”.

Além dos dois longa-metragens, ela ainda tem o seriado “Big Little Lies” como mais um de seus grandes feitos, mas dessa vez na televisão. A produção recebeu incríveis 16 indicações ao Emmy Awards, mostrando-se uma obra centrada em mulheres muito bem feita, e que caiu no gosto popular. Porém, ela reconhece que mesmo com um cenário positivo a seu favor, a situação está longe de ser ideal para todas as mulheres.

“O cinema e a televisão ainda precisam fazer uma mudança significativa. Algumas pessoas estão percebendo que protagonistas femininas são grandes máquinas de fazer dinheiro”, afirmou, ao mesmo tempo em que reforçou a grande disparidade de gênero na indústria do entretenimento. “As mulheres foram 29% das protagonistas nos filmes mais lucrativos do ano passado. É um recorde, mas vamos lá… Não é nem um terço ainda”, disse. “A TV e o streaming estão mudando, definitivamente, o jogo para papéis femininos. Hoje, 38% dos personagens principais na televisão são mulheres. Não alcançamos a igualdade, mas é bom. Com as portas se abrindo para histórias femininas, você sente que há muito vindo para as mulheres”.

E ela vê isso acontecendo nos últimos projetos que embarcou. Atualmente, nos Estados Unidos, ela está nas telonas com o filme “Home Again”, uma comédia-romântica dirigida e escrita por Hallie Meyers-Shyer, filha da diretora Nancy Meyers (“Alguém Tem que Ceder”), que atuou como produtora da película.

“Foi maravilhoso ver a equipe criativa de mãe e filha no comando de cada departamento, mantendo tudo funcionando sempre”, elogiou a atriz, que também estará no filme “Uma Dobra no Tempo”, escrito por Jennifer Lee, roteirista da animação “Frozen”, e dirigido por Ava DuVernay, diretora de “Selma” e do documentário “A 13ª Emenda”.

“Ava está fazendo história como a primeira negra a dirigir um filme com um orçamento de mais de US$ 100 milhões”, recordou. “E ela está criando um mundo onde uma menina negra, Storm Reid, é a heroína de uma história sobrenatural sobre o bem contra o mal. Seus guias nesse universo são Oprah Winfrey, Mindy Kaling e eu. E nós somos um novo tipo de super-heroínas no filme”.

E já que estamos falando de mulheres que não são brancas, as quais conseguem mais papéis do que suas colegas negras, latinas e asiáticas, Reese fez questão de apontar o privilégio que possui em Hollywood, ainda que os papéis para mulheres no geral sejam poucos em relação aos homens.

“Outra coisa que eu penso muito é sobre como deve ser para uma mulher de uma minoria étnica nos Estados Unidos, as quais raramente se veem nas telas. E isso é inconcebível”, continuou. “Quando perguntei para a Mindy Kaling se ela não ficava exausta de ter que criar seus próprios papéis, ela disse: ‘Reese, eu nunca tive nada que eu não tivesse de criar para mim’. Eu me senti idiota por ter perguntado isso. Eu costumava receber papéis na minha cara. Eu não consigo imaginar como é difícil ter de escrever seus próprios papéis e, simultaneamente, ter de mudar a percepção das pessoas sobre como é ser uma mulher de cor na sociedade atual”.

Witherspoon ainda pontuou que as diretoras de cinema também têm pouquíssimas oportunidades no cinema, além de chamar a atenção para os direitos das mulheres, que estão em perigo com a administração de Donald Trump. É por isso que ela encoraja as mulheres a serem ambiciosas e se unirem.

“Minha mãe sempre me dizia: ‘se você quer algo, faça você mesma’. Por isso comecei minha produtora há 5 anos: para criar mais papéis para mulheres na frente e atrás das câmeras. Hoje, eu tenho 23 projetos sendo protagonizados por grandes personagens femininas de diferentes raças e idades”, revelou. “Acho que vale a pena avisar que eu investi na minha produtora por anos. Ninguém nunca me deu nada. Eu coloco meu dinheiro onde minha boca está”, continuou a artista. “Esse é meu conselho: faça o que você sabe fazer melhor. Se você é escritora, escreva. Se você trabalha em alguma empresa, continue trabalhando duro. Se você quer nossas vozes sendo representadas no governo, encoraje mulheres a se candidatar e ajude-as com suas campanhas. E quando suas ambições se concretizarem, eu encorajo você a ajudar suas irmãs ao incentivar as ambições delas”.

E esse não é o único conselho que ela dá às mulheres: não deixe seus sonhos de lado para se encaixar no que um homem espera de você.

“Ajuda ter pessoas que apoiam você”, disse. “[Mas] Corra de um homem que não consegue lidar com a sua ambição. Há muitos homens que acham que a ambição é incrível e sexy”.

Atualmente, Witherspoon tem outra produtora de conteúdo, a Hello Sunshine, que também visa produzir histórias femininas na TV e no cinema, e também na internet. O objetivo é de “buscar mulheres de todas as partes, ouvir suas alegrias e dores, e encorajá-las a serem contadoras de histórias em todos os formatos”. “Eu quero criar mais oportunidades em um nível menor, que serão traduzidas a um nível maior”.

Então, mulheres, façam como a atriz e se joguem. Façam o que faz o coração vibrar. Como ela mesma diz ao final de seu texto na revista Glamour:

“O que aconteceria se nós encorajássemos todas as mulheres a serem um pouco mais ambiciosas? Acho que o mundo mudaria”.

Leia o texto completo aqui.


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