A realidade das favelas de São Paulo é tema do projeto fotográfico FavelaBrazil

14. novembro 2014 Internet 0
A realidade das favelas de São Paulo é tema do projeto fotográfico FavelaBrazil

Nos versos de ‘Favela‘, Arlindo Cruz canta “Como é que essa gente tão boa/ é vista como marginal/ eu acho que a sociedade/ tá enxergando mal“. No entanto, um projeto fotográfico na rede social Instagram, e no Facebook, está mudando a forma como enxergamos a favela e seus moradores. O arquiteto e urbanista Rodrigo Vilar é o fotógrafo por trás do @favelabrazil.

favela brazil

 

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Como todo projeto fotográfico, a paixão pela fotografia foi o pontapé inicial de Rodrigo para começar o @favelabrazil. O arquiteto, que trabalha com a urbanização das favelas pela Prefeitura de São Paulo, já possuía fotos das comunidades que visitou no começo de sua carreira profissional, e as postava, despretensiosamente, em seu Instagram particular, a fim de mostrar seu trabalho. Foi assim que o @favelabrazil foi criado. “Resolvi criar um perfil voltado apenas para o tema das favelas, tentando registrar momentos poucos conhecidos das pessoas”, explica.

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O objetivo de Rodrigo com o @favelabrazil é trazer as pessoas a uma realidade tão próxima e tão distante de muitos de nós. “Às vezes me pergunto: “Qual a sensação ao descobrir algo tão comum na paisagem das cidades e ao mesmo tempo tão distante, de alguma maneira, do nosso conhecimento?”. Com esse questionamento em mente e uma câmera na mão, o arquiteto retrata as discrepâncias sociais, mostrando as belezas que não percebemos, mas de uma forma crítica e instigante. “É interessante observar que ainda existe um desconhecimento territorial e de apropriação da própria cidade formal, inclusive, quando mostro seus extremos”.

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As dificuldades enfrentadas pelos moradores das favelas estão presentes nas fotografias e fazem uma crítica à forma como as grandes cidades, como São Paulo, cresceram, deixando muita gente para trás. “Minha intenção é que o @favelabrazil seja um pouco mais provocador, nesse e em outros sentidos; ironizando algumas situações, para que a foto tenha diversas interpretações gerando discussões pelo público. Procuro enxergar nas fotos um pouco de arquitetura, desigualdade, felicidade, denúncia, política, pertencimento etc”, revela Rodrigo. A página no Instagram já conta com mais de 5 mil e duzentos seguidores.

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No entanto, Rodrigo evita colocar a localização em suas fotos. “As fotos que publico não têm a intenção de estigmatizar as favelas, por isso não identifico a localização de nenhuma foto; e acho incrível quando algum seguidor comenta e se reconhece no lugar que fiz o registro”, explica. Para ele, quando alguém ‘descobre’ e se enxerga no local onde o registro foi feito, o indivíduo quebra a estigmatização que as favelas sofrem pela sociedade, gerando nele um sentimento de pertencimento àquela região. “Uma vez publiquei a foto de uma residência que achei muito interessante, e logo depois veio o comentário de uma menina dizendo que aquela era sua casa”, lembra o arquiteto.

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Já os comentários de quem está fora das favelas é positivo. “Acredito que os registros que faço modificam, de uma maneira positiva, quando o assunto é favela, ou sua urbanização”, conta Rodrigo, que é o responsável por tirar todas as fotos, seja com a câmera do celular, seja com uma máquina fotográfica, optando pela segunda sempre que possível.

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Quando pergunto quais seriam os maiores problemas que a população que vive nas favelas enfrenta, Rodrigo lembra que são inúmeros; desde a desigualdade social, passando pela violência e o saneamento básico. Ainda assim, ele tenta captar as evoluções vivenciadas nesses locais, como as mudanças habitacionais. “Hoje em dia é difícil encontrar habitações construídas totalmente de madeira. Digo isso, pois essa maneira de construir se caracteriza como uma situação de extrema vulnerabilidade ao decorrer do tempo de utilização, e deixou uma imagem muito negativa para a população residente através dos anos”, comenta. O arquiteto e urbanista faz ainda um contraponto com as favelas do Rio de Janeiro, “que possuem dificuldades de acessos às próprias moradias e aos serviços públicos, por estarem inseridas nos morros da cidade, já consolidados pela população”.

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E se por um lado temos diversos problemas, as soluções não são fáceis. “Acredito que a cidade necessita se apropriar desse território transformando-o em sua extensão, e não deixá-lo de lado ou tratá-lo como algo diferente de todos. O acesso aos serviços públicos, à acessibilidade universal e à regularização fundiária devem ser prioridade para melhorarmos a evolução das favelas”, comenta Rodrigo. “A favela Paraisópolis, em São Paulo, na minha opinião, é um grande exemplo de busca por qualidade de cidade formal, regularizada; atrelada a uma consolidação de um traçado urbano que nos torna pertencentes há um espaço comum, não mais desconhecido, aberto”, exemplifica.

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Por fim, Rodrigo prefere se manter positivo no que diz respeito à evolução da moradia no Brasil. “Acredito que o Brasil está fazendo o possível para implantar alguns programas de acesso a moradia digna no país, vejo discussões sobre o tema e acompanho algumas alternativas de atendimento para as famílias que residem em favelas, porém, ainda enfrentamos altos índices de déficit habitacional.  Preocupo-me também com a evolução da supervalorização da terra, o desemprego, a má educação nas escolas e os serviços públicos de péssima qualidade; que são questões fundamentais quando tratamos de favelas ou populações que residem nos extremos das cidades”, finaliza.

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Para acompanhar o projeto ‘Favela Brazil’, curta a página ‘FavelaBrazil‘, no Facebook, e o perfil @favelabrazil, no Instagram.


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