Quase todos os premiados no SAG Awards protestaram contra as medidas anti-imigração de Donald Trump

Quase todos os premiados no SAG Awards protestaram contra as medidas anti-imigração de Donald Trump

Ontem (29), aconteceu o Screen Actors Guild 2017, ou SAG Awards, prêmio que é dado pelo sindicato dos atores de Hollywood aos artistas da televisão e do cinema. O evento rendeu algumas surpresas, como Denzel Washington levando a estatueta de ‘Melhor Ator’ por seu papel no filme “Fences”, o que pode complicar a preferência de Ryan Gosling ao Oscar na mesma categoria.

E a noite do evento foi marcada por discursos contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que suspendeu a entrada de refugiados sírios no país por tempo indeterminado, além de barrar todas as pessoas de alguns países de maioria muçulmana. Isso fez com que milhares de pessoas protestassem nos aeroportos americanos e foi impossível que os atores e atrizes não falassem sobre o assunto antes, durante e depois da cerimônia.

Logo no tapete vermelho, Simon Helberg, da série “The Big Bang Theory”, e sua esposa, a também atriz Jocelyn Towne (“I Am I”), demonstraram insatisfação com a medida de Donald Trump, levando um cartaz que dizia “os refugiados são bem-vindos”, enquanto Towne escreveu em seu peito “deixe-os entrar”.

Além deles, Kerry Washington, do seriado “Scandal”, também quis demonstrar apoio aos refugiados e muçulmanos, comparecendo ao SAG Awards com um alfinete de segurança, que se tornou um símbolo de apoio às minorias que estão ameaçadas pela administração do atual presidente dos EUA.

“Eu vou usar um desses hoje à noite”, escreveu a artista na legenda de uma foto no Instagram. “No meu braço, para demonstrar solidariedade. Nós não vamos parar de lutar pela nossa segurança e pela segurança de nossos cidadãos e seres humanos”.

Durante a premiação, ela ainda fez uma breve declaração:

“Muitas pessoas dizem que os atores não deveriam dar suas opiniões quando se trata de política. Mas a verdade é que atores são ativistas, pois nós incorporamos o valor e a humanidade de todas as pessoas”.

Natalie Portman foi outra artista que se manifestou no tapete vermelho. Em entrevista ao Extra, ela disse que os Estados Unidos estão “enfrentando uma crise de identidade” e se opôs à política anti-imigração.

“Estamos enfrentando uma crise de identidade, enquanto país. É lindo ver tantos americanos nas ruas, fazendo-se ouvir de maneira pacífica, dizendo que esse não é o tipo de mensagem que queremos enviar, esse não é o tipo de país que nós queremos. Nós queremos nos aproximar um dos outros com amor e aceitação e fazer a vida de todos ser melhor, e não discriminar, construir muros e dividir as pessoas”.

E Ashton Kutcher se manifestou logo no início da premiação.

“Boa noite, colegas e membros do SAG-AFTRA, a todos que estão em casa, e a todos que estão nos aeroportos e que pertencem à minha América. Vocês são parte do tecido que nós somos. E nós amamos vocês e damos boas-vindas”.

Sarah Paulson, ganhando mais um prêmio por seu papel de Marcia Clark em “The People v. O.J. Simpson: American Crime Story”, pediu a todos que doem dinheiro para a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis), organização que conseguiu uma suspensão parcial e temporária da medida de Donald Trump.

“Qualquer dinheiro que vocês tiverem de sobra, por favor doem para a ACLU. É uma organização vital que depende inteiramente do nosso apoio”, disse a atriz.

Viola Davis fez história no SAG Awards: ela é a primeira negra a vencer cinco vezes na história do prêmio. Em seu discurso, ela agradeceu o escritor August Wilson, responsável por criar a peça que virou o filme no qual atua, “Fences”.

“O que August fez tão lindamente foi honrar o homem comum, que é negro. Às vezes, nós não temos que sacudir o mundo e move-lo e criar algo que vá para os livros de história. O fato de que respiramos, vivemos uma vida, somos deuses para nossos filhos, e só isso significa que temos uma história e que merece ser contada. Nós merecemos estar nos livros, no centro de qualquer narrativa, e foi isso o que August fez. Ele elevou meu pai, minha mãe, meus tios que estudaram até a quinta e oitava séries e os colocou na história. Obrigada, August”.

Depois da cerimônia, Viola aproveitou para dizer que espera que a inclusão de minorias no cinema precisa ser uma norma. “Todos somos parte da narrativa e todas as nossas histórias merecem ser contadas”.

E um dos discursos mais emocionantes foi feito por Mahershala Ali, que ganhou o prêmio de ‘Melhor Ator Coadjuvante’ por seu papel como o traficante Juan em “Moonlight: Sob a Luz do Luar”. No palco, ele pediu para que as pessoas se unissem no que possuem em comum, em vez das diferenças.

“Acho que o que eu aprendi ao trabalhar em ‘Moonlight’ é que nós vemos o que acontece quando perseguimos as pessoas: elas se dobram para dentro de si. E o que eu mais agradeço ao ter a oportunidade de interpretar o Juan foi interpretar um homem que viu um pequeno rapaz dobrando-se para dentro de si, como resultado da perseguição de sua comunidade, e aproveitando a oportunidade para animá-lo e dizer a ele que ele é importante, que não havia nada de errado com ele e aceitando-o. Espero que nós façamos um trabalho melhor nisso.

Nós pegamos as minúcias e detalhes que nos tornam diferentes, eu acho que há duas formas de ver isso. Há a oportunidade de ver a textura daquela pessoa, as características que a tornam única, e a há a oportunidade de fazer uma guerra sobre isso, e dizer que aquela pessoa é diferente de mim e eu não gosto dela, então, vamos batalhar.

Minha mãe é ministra ordenada. Eu sou muçulmano. Ela não surtou quando eu contei a ela que eu tinha me convertido há 17 anos. Mas eu digo isso: se você coloca as coisas de lado eu consigo vê-la e ela consegue me ver. Nós nos amamos. O amor cresceu. E aquela coisa é minúcia, não é importante”.

Lily Tomlin, homenageada por sua carreira, brincou com a situação política atual dizendo: “qual cartaz eu devo fazer para a próxima marcha [em referência à Marcha das Mulheres]? Há muito a fazer: aquecimento global, Standing Rock, questões LGBT, mísseis chineses, imigração…”

Julia Louis-Dreyfus, ganhadora do prêmio de ‘Melhor Atriz Comédia’ por seu papel em “Veep”, também fez questão de se manifestar:

“Eu quero que vocês saibam que eu sou filha de um imigrante. Meu pai fugiu da perseguição religiosa na França quando ela estava ocupada pelos nazistas. E eu sou uma americana patriota e amo esse país. E porque eu amo esse país, estou horrorizada por seus defeitos, e esse banimento de imigrantes é um defeito. É algo não-americano”.

Já o elenco de “Orange Is The New Black” ficou todo reunido em cima do palco, enquanto recebia o prêmio de ‘Melhor Elenco de Comédia’. Taylor Schilling foi quem fez o discurso e lembrou a diversidade de todos que atuam no seriado.

“Nós estamos aqui representando um diverso grupo de pessoas, representando gerações de famílias que lutaram por uma vida melhor aqui. E sabemos que será nossa responsabilidade – e de todos vocês, provavelmente – a contar histórias que mostram que o que nos une é mais forte do que as forças que buscam nos dividir”.

E Taraji P. Henson, que junto do elenco de “Estrelas Além do Tempo”, também emocionou a todos com suas palavras ao pedir união entre as pessoas.

“Esse filme é sobre união. Os ombros nos quais nós nos apoiamos são de três heroínas americanas: Katherine :Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Sem elas, nós não saberíamos como alcançar as estrelas. Essas mulheres não reclamaram de seus problemas e das circunstâncias. Elas focaram nas soluções. Por isso, essas mulheres corajosas ajudaram a colocar os homens no espaço. Essa história é sobre união. Essa história é sobre o que acontece quando colocamos nossas diferenças de lado e nos unimos enquanto raça humana. Nós vencemos. O amor sempre vence. Elas não são mais figuras escondidas”.

Emma Stone foi um pouco mais sucinta, referindo-se aos tempos atuais como “complicados”, mas que estava orgulhosa de poder fazer parte de “um grupo de pessoas que se importam em refletir a sociedade e levar alegria para as pessoas”.

Por fim, David Harbour, do seriado “Stranger Things” fez um lindo discurso, também refletindo sobre a situação política atual.

“Perante tudo o que tem acontecido no mundo hoje, é difícil celebrar o já celebrado ‘Stranger Things’. Mas esse prêmio veio de vocês, que levam seus trabalhos a sério e com mérito, e com mérito acreditam como eu que uma ótima atuação pode mudar o mundo. Essa é uma chamada de nossos colegas para ir mais a fundo. E por meio da nossa arte de lutar contra o medo, o egoísmo e a exclusividade da nossa cultura predominantemente narcisista e por meio da nossa obra, ao cultivar uma sociedade mais compreensiva e empática, ao revelar verdades íntimas que servem como um lembrete poderoso àqueles que quando se sentem quebrados, com medo e cansados, não estão sozinhos. Estamos juntos nisso, somos todos humanos e estamos juntos nessa jornada horrível, dolorosa, alegre, animadora e misteriosa que é a vida.

Agora, enquanto atuamos na sequência de ‘Stranger Things’, nós repeliremos bullies, acolheremos os aloprados e desajustados, aqueles que não têm casa. Nós sobreviveremos às mentiras, caçaremos os monstros e quando estivermos perdendo em meio à hipocrisia e a violência casual de certos indivíduos e instituições, nós iremos, como o policial Jim Hopper, socar as pessoas quando elas tentarem destruir os fracos, os marginalizados, e faremos isso com toda alma, coração e alegria”.

Confira a lista de todos os vencedores:

Televisão:

‘Melhor Elenco de Drama’ – “Stranger Things”

‘Melhor Atriz de Drama’ – Claire Foy, de “The Crown”

‘Melhor Ator de Drama’ – John Lithgow, de “The Crown”

‘Melhor Elenco de Comédia’ – “Orange is the New Black”

‘Melhor Atriz de Comédia’ – Julia Louis-Dreyfus, de “Veep”

‘Melhor Ator de Comédia’ – William H. Macy, de “Shameless”

‘Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme’ – Sarah Paulson, de “The People v. O.J. Simpson”

‘Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme’ – Bryan Cranston, de “All The Way”

‘Elenco de Dublês’ – “Game of Thrones”

Cinema:

‘Melhor Elenco’  – “Estrelas Além do Tempo”

‘Melhor Atriz’ – Emma Stone, de “La La Land”

‘Melhor Ator’ – Denzel Washington, de “Fences”

‘Melhor Atriz Coadjuvante’ – Viola Davis, de “Fences”

‘Melhor Ator Coadjuvante’ – Mahershala Ali, de “Moonlight”

‘Elenco de Dublês’ – “Até o Último Homem”