Quantas vezes você já foi interrompida por um homem? Este app ajuda a dimensionar isso

Quantas vezes você já foi interrompida por um homem? Este app ajuda a dimensionar isso

Em um debate em meio às eleições americanas, o então candidato republicano, Donald Trump, interrompeu a fala sua adversária, a democrata Hillary Clinton, 51 vezes. Esse é apenas um exemplo de um problema que é muito comum para as mulheres no mundo todo: o manterrupting.

A palavra inglesa, que parece ser de difícil pronúncia, diz respeito justamente ao ato dos homens interromperem as mulheres. E caso você seja uma, é possível que você tenha passado por isso, mesmo que você não tenha prestado muita atenção. Mas, para ajudá-la a ter uma dimensão do manterrupting, foi criado um aplicativo, o “Woman Interrupted”, feito pela agência BETC São Paulo, e que será lançado amanhã (8), no Dia Internacional da Mulher.

Segundo Gal Barradas, uma das criadoras do app e sócia-fundadora da empresa, o objetivo é chamar a atenção para a interrupção das falas femininas. Embora pareça algo sem tanta importância, essa é mais uma manifestação do machismo e outra forma de controle sobre as mulheres, que acabam não conseguindo expressar suas opiniões e ideias.

“À primeira vista, pode parecer um problema pequeno, mas que reflete questões mais profundas da desigualdade de gênero no trabalho e na sociedade. O aplicativo é uma forma de mostrarmos que, na verdade, a interrupção é real e alarmante”, contou Gal ao AdNews. Ela é, também,  a única representante no ranking dos dez publicitários mais admirados por empresas anunciantes, segundo o estudo Agency Scope, da Scopen.

O aplicativo foi pensado para ser usado em algumas situações de trabalho em que as interrupções masculinas podem acontecer, como reuniões de trabalho e em compartilhamentos de ideias. A plataforma estará disponível para iOS e Android, de forma gratuita, e terá quatro idiomas: português, inglês espanhol e francês. Para fazer uso do app, é preciso fazer um cadastro e calibrar a voz nele, repetindo a frase “eu não vou mais ser interrompida”. Com a frequência das vozes, é possível registrar as interrupções.

“A interrupção é ato quase involuntário, despercebido e inserido na cultura, mas é um problema mundial e grave”, contou Gal ao jornal Folha de São Paulo. “O objetivo é jogar luz sobre o tema. Só de colocar a discussão no ar, o comportamento de alguns homens já muda. A ficha, às vezes, só cai com o conhecimento”.

De acordo com a BETC São Paulo, “entre as 3.000 maiores empresas globais, apenas 14,7% de executivos em altos cargos são mulheres. No cargo de CEO, esse número cai para 3,9%. E, mesmo quando alcançam essas posições, não é garantia de que suas ideias serão ouvidas – estudos mostram que 75% do tempo de fala em reuniões é tomado por homens”.