O público quer mais diversidade nos filmes que assiste, mas o cinema ainda não captou a mensagem, diz estudo

17. Abril 2018 Cinema 1
O público quer mais diversidade nos filmes que assiste, mas o cinema ainda não captou a mensagem, diz estudo

Com o enorme sucesso de “Pantera Negra” e a chegada de “Uma Dobra no Tempo” nos cinemas, é fácil pensar que a indústria cinematográfica está finalmente dando importância à diversidade. Porém, de acordo com um novo estudo sobre o tema, mulheres e minorias étnicas ainda estão longe de alcançar paridade com seus colegas homens brancos.

Pelo quinto ano consecutivo, a  Universidade do Sul da Califórnia (UCLA) fez um levantamento sobre diversidade no entretenimento, dessa vez avaliando 200 filmes lançados em 2016 e 1.251 produções televisivas das temporadas 2015 e 2016. Felizmente, houve certo progresso: minorias étnicas e mulheres avançaram em algumas áreas. Contudo, essas evoluções ainda são poucas em relação ao desejo do público, que quer consumir mais produções com elencos diversos.

Minorias étnicas ganharam mais espaço em 8 áreas: direção e roteiro de filmes, protagonismo em séries e realities de TV aberta e a cabo, protagonismo em seriados digitais e criação de produções digitais.

Porém, esses profissionais têm pouca representação em outros setores. Por exemplo:

  • protagonistas em filmes (13,9%);
  • direção e roteiro de longa-metragens (12,6% e 8,1%, respectivamente);
  • protagonismo em séries de TV aberta (18,7%);
  • protagonismo em séries de TV a cabo (20,2%);
  • protagonismo em séries digitais (12,9%).

As mulheres também avançaram em várias áreas, exceto: direção de filmes, protagonistas em séries de TV aberta, criação de seriados para TV aberta e a cabo. Todavia, a participação delas é bem menor em comparação aos homens nas seguintes áreas:

  • protagonismo em filmes (31,2%);
  • direção e roteiro de longa-metragens (6,9% e 13,8%, respectivamente);
  • protagonismo em séries de TV aberta (35,7%);
  • protagonismo em séries de TV a cabo (44,8%);
  • protagonismo em séries digitais (43,1%).

O mesmo estudo da UCLA também averiguou que produções televisivas e cinematográficas com elencos mais diversos conquistaram uma bilheteria e audiências maiores. Isso significa que o público tem preferido histórias com personagens com os quais ele pode se identificar:

  • filmes cujos elencos tinham de 21 a 30% do elenco diverso foram melhor nas bilheterias e ainda tiveram um maior retorno sobre investimento. Em contrapartida, filmes com elencos pouco diversos tiveram resultados negativos;
  • as minorias foram as pessoas que mais compraram ingressos para 5 dos 10 maiores filmes de 2016 (bilheteria global);
  • filmes com elencos entre 21 e 30% diversos foram lançados em mais países;
  • enquanto filmes protagonizados por negros e latinos em menos países;
  • séries de televisão com elencos diversos têm atraído uma audiência maior do que aquelas com menos diversidade.

“Em 2016, na TV e no cinema, as mulheres e minorias permaneceram pouco representadas em todas as áreas em 2016”, diz o estudo da Universidade do Sul da Califórnia. “Essa série de pesquisas mostrou repetidamente que filmes e séries com elencos que se parecem com a diversidade dos Estados Unidos tendem a registrar os maiores números de bilheteria global e de audiência. A indústria parece ter finalmente abraçado a ideia de que a audiência diversa do país quer filmes e conteúdos televisivos com personagens cujas experiências ressoem com as suas, que pareçam como ela e com quem possam se identificar”.

Portanto, mesmo que “Pantera Negra” tenha quebrado recordes, ele é apenas o começo de uma mudança necessária e urgente na indústria do entretenimento. E no que diz respeito a gênero e raça, mulheres de minorias étnicas ainda esperam pelo momento em que ganharão seu reconhecimento – na frente e atrás das câmeras.

E levando em consideração que produções mais diversas têm feito mais sucesso com o público, especialmente em escala global, é possível afirmar que tanto o cinema quanto a televisão têm perdido tempo, oportunidades e dinheiro na criação de conteúdos com os quais as pessoas possam se relacionar e enxergar neles. Se antes a desculpa era a de que filmes e séries protagonizados por negros não vendiam, agora é preciso saber o motivo pelo qual essas produções não têm sido feitas em maior quantidade.

Com sorte, não precisaremos esperar tanto tempo para que outro super-herói possa salvar o mundo.

Para ler o levantamento completo da UCLA, clique aqui.