Protagonistas femininas em grandes filmes chegaram a 29% em 2016

06. Março 2017 Cinema 0
Protagonistas femininas em grandes filmes chegaram a 29% em 2016

Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning HellPsicologia&CulturaPop, Valkirias, Séries Elas Por Elas, Valkírias, Ideias em RoxoKaol Porfírio.

Se em 2016 você viu mais filmes protagonizados por mulheres, é porque elas assumiram o centro da narrativa em mais produções do que em 2015. É isso o que afirma um novo estudo do Center for the Study of Women in Television and Film, que analisou as personagens femininas nos 100 maiores longa-metragens lançados no ano passado.

Segundo o relatório, em 2016, as mulheres foram 29% das protagonistas, destacando-se em filmes como “Star Wars: Rogue One”, “Estrelas Além do Tempo”, “A Chegada” e “A Garota no Trem”. Esse é um aumento de 7% em relação ao ano de 2015, quando foram identificadas 22% das mulheres como heroínas. Contudo, os homens continuam sendo a grande maioria dos protagonistas: 54%. O protagonismo dividido entre homens e mulheres ficou em 17%.

Também houve um pequeno aumento de 3% no número de mulheres como as personagens principais nas grandes produções do ano passado, chegando a 37%. Contudo, quando se trata da quantidade geral de personagens com falas, houve uma queda de 1%: de 33% em 2015, para 32% em 2016. Ou seja, ainda que as figuras tenham melhorado um pouco, ainda é mais provável vermos homens do que mulheres quando entramos em uma sala de cinema. E vale lembrar: elas são metade da população na Terra.

As mulheres foram mais vistas em filmes de comédia (28%), dramas (24%), terror (17%), animações (14%), ficção científica (14%) e ação (3%).

Progresso desigual

No geral, as mulheres ainda são menos vistas em locais de trabalho (61% contra 45%) – ou até mesmo trabalhando – e em posições de liderança (11% contra 5%). A maioria das personagens femininas possuem objetivos voltados para o lado pessoal (46%), do que os homens (25%), os quais são retratados mais regularmente com aspirações profissionais (75% contra 54%, respectivamente). Também é mais difícil saber se homens estão em algum tipo de relacionamento (68% não tinham um status definido) do que as mulheres (54%).

E no que diz respeito à raça e idade, fica claro, mais uma vez, que Hollywood ainda prioriza mulheres brancas e jovens a atrizes de minorias étnicas e mulheres com 40 anos ou mais.

Segundo o estudo, 76% de todas as personagens nos 100 maiores filmes de 2016 eram brancas. O percentual de mulheres negras subiu 1%, de 13 para 14%, e o de mulheres asiáticas foi de 3% para 6%. As mulheres latinas viram uma queda de representação: de 4 para 3%. Os percentuais em relação aos homens não tiveram muita diferença.

A disparidade de gênero, contudo, foi registrada na idade dos personagens. A maioria das personagens femininas estavam nas casas dos 20 e 30 anos (23% e 32%, respectivamente), enquanto a maioria dos homens estava entre os 30 e 40 anos (31% e 30%, respectivamente). Mulheres com 40 anos ou mais foram 32% de todas as personagens femininas. Ao mesmo tempo, homens com 40 anos ou mais foram 52% de todos os personagens masculinos.

Com mais mulheres atrás das câmeras, há mais mulheres na frente das câmeras

O estudo do Center for the Study of Women in Television and Film identificou, de novo, que a quantidade de mulheres atuando em filmes aumenta quando há mulheres ocupando funções como diretora e roteirista.

Quando há ao menos uma diretora e/ou roteiristas trabalhando em um longa-metragem, as protagonistas femininas chegam a 57%. Quando o diretor e/ou roteirista é homem, o protagonismo feminino cai para 18%. Quando as mulheres são diretoras e/ou roteiristas, as mulheres representam 38% dos personagens principais e personagens com falas. Quando os homens ocupam os cargos, as mulheres são 30% dos personagens principais e 29% dos personagens com falas.

Em 2016, as mulheres foram 17% de todas as diretoras, roteiristas, produtoras, produtoras-executivas, editoras e cinegrafistas nos 250 filmes campões de bilheteria nos Estados Unidos. O percentual é 2% menor do que o registrado em 2015 e o mesmo encontrado em 1998, quando o estudo começou a ser realizado.

No ano passado, as mulheres foram 24% de todos os produtores, 17% dos editores e produtores-executivos, 13% dos roteiristas, 7% dos diretores e 5% dos cinegrafistas. Mais de um terço (35%) dos filmes lançados em 2016 tinham uma ou nenhuma mulher em qualquer uma das funções citadas.


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