Primeiro episódio de “I Am Cait” foca nas relações familiares de Caitlyn Jenner

Primeiro episódio de “I Am Cait” foca nas relações familiares de Caitlyn Jenner

Foi ao ar na noite de ontem, 2, pelo canal E!, a estreia de I Am Cait, série que documenta a transição de Caitlyn Jenner. Como a ex-atleta já havia dado as caras na capa da revista Vanity Fair e feito um poderoso discurso durante uma premiação, não foi necessário uma introdução a quem ela é, mas um enfoque na forma como sua família reage ao vê-la e na interação com ela pela primeira vez. O episódio de estreia foi menos dramático do que poderíamos esperar, ainda assim, emocionante.

Os momentos mais marcantes, sem dúvida, foram protagonizados entre Caitlyn e sua mãe, Esther. Ela não faz diferença com a filha, contudo, admite ser necessário um tempo para se habituar com a transição e com os pronomes certos. “É muita coisa para me acostumar, mas eu vou conseguir. Eu vou”, diz Esther, que está disposta a educar-se sobre pessoas trans, com a ajuda da filha, que convida uma conselheira para auxiliá-la. Em dada circunstância, a mãe chega a citar um trecho da Bíblia, mas a conselheira logo interfere, dizendo que Jenner não é um homem fingindo ser uma mulher. Ela é uma mulher.

Era de se esperar muito drama, afinal, é um programa televisivo, mas não foi o que aconteceu. De uma certa forma, tudo é feito com uma tranquilidade que impressiona. Talvez esse seja o motivo de muitos acreditarem que os diálogos de “I Am Cait” seriam um tanto “ensaiados”. O encontro de Caitlyn com as irmãs, Lisa e Pam, a partida de tênis, as ‘primeiras vezes’ dela são todas documentadas, e tudo flui normalmente. Não há atritos, apenas com a mãe, Esther, que reitera a necessidade de um tempo para filtrar tudo.

Kylie, sua filha mais nova, também não teve problemas de relacionamento com a identidade de seu pai. Ela vê Caitlyn, pela primeira vez, em uma chamada via FaceTime, e a surpreende ao visitá-la. Quem a visita, além de Kylie, são Kim Kardashian e o marido, Kanye West, protagonizando um dos pontos altos de “I Am Cait”. O rapper demonstra ser uma pessoa de mente aberta e apoia em sua transição. “Eu acho que essa é uma das coisas mais poderosas que poderiam ter acontecido na nossa existência como seres humanos, que são tão controlados por percepção”, afirma ele, que ajudou a esposa a aceitar a identidade de Caitlyn.

Contudo, é fácil perceber a tristeza de Cait ao dizer que ainda não recebeu a visita de outros membros da família Kardashian, quando Khloe, Koutney e Rob, por exemplo, demonstraram tanto apoio a ela através das redes sociais, após sua entrevista à jornalista Diane Sawyer, em abril passado.

O objetivo da atração é conscientizar sua audiência acerca do que é ser uma pessoa transgênero, por isso, momentos descontraídos mesclam-se à seriedade do tema. Em vários momentos, Caitlyn fala sobre a taxa de suicídio entre jovens trans, visitando ainda uma mãe, cujo filho, Kyler Prescott, suicidou-se. “Eu me sinto mal por elas [pessoas trans] – em especial os jovens – que estão passando por coisas ruins na vida deles”, diz Jenner, logo no início da atração, ao demonstrar receio frente à responsabilidade social que possui agora. “Será que eu vou fazer tudo direito? Será que eu vou dizer as coisas certas? Será que eu projeto a imagem certa? Eu espero fazer a coisa certa”.

Para a estreia, um episódio bonito, ainda que morno. “I Am Cait” vai ao ar pelo canal E!, aos domingos, às 23h.