Pelo direito de ser quem é: Homens, libertem-se!

Pelo direito de ser quem é: Homens, libertem-se!

Uma parceria entre o coletivo Mo[vi]mento-MG/RJ e o The Living Theatre, de Nova York, resultou na campanha artística e social “Homens, Libertem-se!“, que visa chamar a atenção para a opressão a qual homens são submetidos todos os dias e questionar os valores patriarcais.

Pode soar estranho já que, nós, homens, somos grandes responsáveis pela manutenção do sistema machista. No entanto, ao mesmo tempo em que oprimimos, também somos oprimidos. Desde pequenos, homens são ensinados de que “não podem chorar”, demonstrar sentimento, brincar de boneca, entre outras coisas. Quando crescem, não podem broxar, são julgados por cuidarem da aparência… E fazer o exame de próstata? Nem pensar!

Acabamos por reproduzir esse sistema de opressão e aprisionando meninos, no mundo todo, dentro dessa tal masculinidade inventada. A expressão “seja homem de verdade” precisa ganhar um novo significado, um que possibilite ao homem ser quem é, sem medo de ser subjugado por viver sua subjetividade e sua singularidade.

vista essa saia
Vista Essa Saia/ Divulgação

Vale lembrar que a campanha quer que homens e mulheres possam viver suas vidas sem as amarras do patriarcado, sendo iguais em todos os âmbitos, e não contribuir para que os homens reprimam, ainda mais, as mulheres.

vista essa saia
Visa Essa Saia/ Divulgação

A campanha ganhou a adesão de várias personalidades do meio artístico e social do Brasil, como o produtor Nelson Motta, o músico Paulinho Moska, o deputado Marcelo Freixo, dos atores Lúcio Mauro Filho, Marcos Breda e outrxs.

Manifesto Homens Libertem-se!!

– Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.
– Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.
– Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.
– Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.
– Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.
– Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.
– Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.
– Posso recusar me embebedar e me drogar.
– Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.
– Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
– Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.
– Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.
– Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.
– Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.
– Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.
– Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.
– Eu sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada.
– Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.
– Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.
– Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.
– Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.
– Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.
– Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.
– Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.
– Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.
– Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.
– Quero ser mais que um homem, quero ser humano!
– O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!


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