Pabllo Vittar traz a esperança (e o amor!) de volta com o disco “Não Para Não”

30. outubro 2018 POP 0
Pabllo Vittar traz a esperança (e o amor!) de volta com o disco “Não Para Não”

Depois de ir longe demais em 2017 com o álbum “Vai Passar Mal”, Pabllo Vittar mostra que não há limites para sua arte com o disco “Não Para Não”, lançado no começo de outubro. Com o novo trabalho, a drag queen mistura ritmos brasileiros, como o pagode, o axé e até o forró, de forma coesa, de forma que nada parece ‘jogado’ ou uma bagunça. E dado o clima político brasileiro, é possível afirmar, sem exageros, de que a nova obra de Pabllo Vittar pode trazer a esperança de volta, marcando a artista como um símbolo de resistência em meio ao ódio.

“Não Para Não” já começa com as boas-vindas da cantora, que simula uma mensagem de bordo de uma aeromoça, desejando a todos uma boa viagem. E realmente, é um prazer viajar pela brasilidade  de Pabllo nessas 10 faixas que compõe o material. “Buzina”, faixa que abre o álbum, é uma das melhores e é daquelas que pedem para ser single. Ela dá o tom para o restante do disco, com um ritmo que une o brega, o EDM e o pop, numa mistura que, realmente, “todo mundo se anima e começa a rebolar” ao ouvi-la.

Em seguida, vem “Seu Crime”, produzida por Diplo, seu fiel parceiro produtor. Aqui, Pabllo reassume o controle sobre si mesma, deixando para trás um amor que a fez desistir de tudo que gostava. Na faixa, o forró encontra o pop, resultando em uma música perfeita pra dançar grudadinho ou pra chorar sozinho enquanto a gente se reergue do boy lixo.

Depois, vem a ótima “Problema Seu”, primeiro single de “Não Para Não”. A canção ganhou um clipe que traz a cantora em um museu, tal qual Beyoncé e Jay-Z no vídeo de “Apeshit”. Estaria Pabllo tentando se colocar em meio àquelas obras de arte? Depende da sua interpretação. Fato é que a música foi uma escolha acertada para abrir essa nova era.

“Disk Me”, que chegou a ganhar clipe também, traz referências aos ritmos nordestinos e de R&B, e traz a cantora declarando que já superou o boy. Ele pode ter a coragem de ligar às quatro da manhã para ela, mas não vai funcionar, porque essa página já foi virada, e o celular que vibra ao fundo demonstra que essa ligação já foi perdida.

A partir de “Não Vou Deitar”, Pabllo está empoderada, sabendo o que quer e o que não quer. Nessa faixa, ela assume suas fragilidades, ao mesmo tempo em que cria forças para não se submeter a ninguém. “Ouro”, parceria com a cantora Urias, vem para ela afirmar seu valor e mostrar que dias bons e ruins vêm e vão, o importante é permanecer o caminho.

“Trago Seu Amor de Volta” é mais uma parceria da drag queen, dessa vez com Dilsinho, em uma música que brinca com o axé e com as simpatias amorosas, as quais prometem fazer o ex voltar pra você. Ao menos Pabllo conseguiu teve sucesso nessa amarração. “Vai Embora” chega na sequência como a melhor faixa de “Não Para Não”, em um dueto muito bem executado e efervescente com Ludmilla. Juntas, elas misturam o funk e o brega, fazendo uma música completamente chiclete.

Perto do fim, a artista junta o português com o espanhol na sensual “No Hablo Español”, na qual o idioma não é um problema quando se há interesse e uma boa linguagem corporal. Fechando o álbum, em “Miragem” ela admite que ela foi a única a se entregar, e como diria o Molejo, “não era amor, era cilada”. 

O defeito de “Não Para Não” é que ele é muito curto: nenhuma faixa chega a ter 3 minutos de duração, mas nada que impeça o trabalho de ser apreciado como merece. O disco explora as raizes de Pabllo, unindo vários sons característicos do Brasil, em uma obra que fala de amor e de coração partido, mas que também serve para acalentar o coração do público LGBT, que mais do que nunca, precisa se unir e sentir que é visto e que pode resistir ao pior dos tempos. Provavelmente essa não era a intenção da drag queen ao lançar seu novo disco, mas as circunstâncias fizeram com que o material marque uma época.

Para quem reclama dizendo que Pabllo Vittar foi longe demais, “problema seu”. Ela não vai parar tão cedo.