Ouro Preto é um museu a céu aberto no Brasil

Ouro Preto é um museu a céu aberto no Brasil

Das viagens que eu fiz em abril, Ouro Preto foi uma das mais especiais. Eu sempre quis ir para lá, por conta das aulas de história na escola (é sério!), mas nunca tive a oportunidade. Aí, conheci um amigo pelo Twitter, o Leandro Martins (@whatheleo), que mora lá. Algumas fotos dele no Instagram (@whatheleo), e me deixaram curioso para viajar. Até coloquei uma foto que ele tirou de lá aqui.
Como eu já estava indo para Belo Horizonte, para o casamento de um primo, aproveitei para dar um pulo em Ouro Preto.
Ouro Preto fica no estado de Minas Gerais e possui uma população estimada em mais de 70 mil habitantes. A cidade mantém a arquitetura do período colonial, o que a deixa incrível. Eu fiquei andando pela cidade e imaginando tudo que já aconteceu ali. Imagina quanta história aquelas ruas carregam. É fantástico! Processed with VSCOcam with c1 preset Não quis fechar pacote de viagem, porque estava sem muito dinheiro e eu sou daqueles que preferem conhecer a cidade andando sem rumo. Vi tanta coisa bacana em Buenos Aires caminhando sem direção que, para mim, esse é o melhor jeito de viajar. Dei uma pesquisada na internet sobre a cidade e os ônibus que vão para lá e comprei passagem com a Pássaro Verde, paguei um pouco mais de R$ 28,00 com o seguro. O ônibus é bom e a viagem até Ouro Preto é super sossegada, em duas horas e meia você chega lá.

Processed with VSCOcam with f2 preset Saindo da rodoviária, bem próxima a ela está a Igreja São Francisco de Paula. Ela é bem grande e foi construída em 1804 e concluída em 1898. Entre as igrejas históricas, é a mais nova da cidade. A vista a partir dela é sensacional, apesar de que Ouro Preto é uma cidade linda em qualquer ângulo. Infelizmente ela estava fechada quando eu cheguei e depois não passei lá para vê-la por dentro. Pelo lado de fora, achei a Igreja um pouco mal cuidada. O projeto é do sargento-mor Francisco Machado da Cruz.

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Vista da Igreja
Vista da Igreja São Francisco de Paula

Descendo as escadarias, você já encara a primeira ladeira. Aliás, fica aqui uma dica de amigo: vá com um tênis confortável e leve uma garrafinha d’água com você. Ouro Preto é toda em ladeiras. Meu primo me chamou várias vezes para correr com ele na Lagoa da Pampulha e eu não quis. Dancei bonito! Cheguei lá às 10h da manhã; e às 12h eu já estava moído. Meu preparo físico ficou em casa. Então, vá com as pernas treinadas, que o sobe e desce é intenso!
Bom, descendo a ladeira, você já cai na Igreja São José. Ela é bem charmosinha e foi construída em 1811. Mas estava fechada o dia todo, então, não pude entrar nela.

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Descendo mais uma ladeira, você começa a “entrar” na cidade. Começa aquele barulho de carros e motos buzinando… É um contraste muito engraçado: a arquitetura da cidade te faz ter a sensação de que você está no passado, mas os automóveis te puxam de volta para a realidade.

A Praça Tiradentes fica ali perto. Bem no centro dela há um monumento gigante ao Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Foi ali onde a cabeça dele foi exposta em 1792. Para quem não se lembra das aulas de história, em linhas gerais, Tiradentes foi o mártir da inconfidência mineira, movimento que queria transformar o estado de Minas Gerais em república, sendo independente de Portugal.

Praça Tiradentes
Praça Tiradentes

Além da história que marca esse canto da cidade, ali se encontra o Museu da Inconfidência, que era a Cadeia de Vila Rica (antigo nome de Ouro Preto) e o Museu de Ciência e Técnica, que possui uma vasta exposição de minerais e peças relacionadas com a mineralogia. O atual prédio foi, no passado, o Palácio dos Governadores. Interessante notar que, mesmo sendo a praça principal de Ouro Preto, as igrejas não ocupam espaço ali, dando o protagonismo para o monumento a Tiradentes e aos museus.

Eu parei para sentar nas escadarias do monumento, e minha mente deu uma viajada no tempo, dá até um arrepio de pensar que a cabeça de Tiradentes estava ali para todos verem. Meio doido pensar que esse tipo de coisa aconteceu há centenas de anos. Acho que só não fiquei mais chocado, porque tô assistindo muito o seriado Game of Thrones. Quem também assiste, sabe do que eu estou falando.

Enfim, logo ao lado do Museu da Inconfidência, está a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1766 e 1772. Foi a única igreja onde eu ajoelhei e rezei. Estou longe de fazer o tipo de religioso, mas senti algum tipo de conexão ali. Não sei explicar. Só senti, ajoelhei e rezei. A igreja tem uma arquitetura bem impressionante por dentro. Fiquei olhando os detalhes por muito tempo. Foi um dos últimos trabalhos do pai de Aleijadinho, Manuel Francisco Lisboa.

Processed with VSCOcam with m3 presetOutra igreja para se ver, é a Igreja de São Francisco de Assis, uma das obras-primas de Aleijadinho. Ela começou a ser construída em 1766 e finalizada em 1810. Desde 2009 é considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo. O projeto é de Aleijadinho e as pinturas são de Manuel da Costa Ataíde. É daqueles must see na cidade.

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Em frente a ela tem uma feirinha de artesanato muito bacana. Várias barraquinhas vendendo uma porção de coisas. Só não comprei nada porque o dinheiro estava contado, mas vale muito a pena dar uma passada por ali para ver as coisas.

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Bom, para quem não curte tanto igrejas, existem muitas outras coisas para se ver. A cidade não é grande, então, ande bastante. A arquitetura por si só já é um show à parte. Além de render ótimas fotos, é um pedacinho da história do nosso Brasil sendo recontada em cada canto. Para os mais aventureiros (isso já está na lista do que eu vou fazer quando voltar a Ouro Preto), a trilha ao Pico do Itacolomi é uma boa pedida. A subida é longa, mas a vista lá do alto é surreal pelas fotos.

Aproveite também para ir à UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. Ela é bem longe, nesse caso sugiro pegar o ônibus. Em volta dela só tem montanhas, então a vista é de babar.  Essa foto do meu amigo Leandro (@whateleo, no Instagram) fala por si só:

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Tem um mirante lá também, onde você consegue observar as montanhas e tudo…

Enfim, Ouro Preto é apaixonante e é um museu a céu aberto. O dia passa voando. Lembre-se da garrafinha d’água, tênis confortável e a disposição, porque a caminhada pesa, mas é muito recompensadora! 😉


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