O que a morte de Chester Bennington pode nos ensinar sobre depressão

26. setembro 2017 Famosos 0
O que a morte de Chester Bennington pode nos ensinar sobre depressão

Quando a notícia de que Chester Bennington havia morrido se espalhou, eu me contorci um pouco por dentro. E isso por dois motivos.

Primeiramente, ele era o vocalista da banda de rock preferida do meu irmão, o que quer dizer que, mesmo não curtindo tanto de Linkin Park, eu passei a minha adolescência inteira ouvindo o grupo. Eu sabia algumas letras, tinha até algumas músicas que eu gostava mais e conhecia os integrantes de alguma maneira. Chester era, de uma forma esquisita, parte da família, ainda que ele jamais soubesse quem meu irmão ou eu éramos.

E em segundo lugar, a morte de dele não foi acidental ou homicídio: ele tirou sua própria vida ao se enforcar em sua casa. Casos de suicídio são um tanto perturbadores para mim, pois eles me lembram as minhas tentativas de me matar e o lugar horrível que eu estava quando tentei fazer isso. Tudo o que eu consigo pensar é no estado em que o cantor estava quando tomou a sua decisão de terminar com tudo.

Porém, você jamais diria de que algo estava acontecendo com Chester. Depois da morte dele, sua esposa Talinda Bennington, divulgou um vídeo gravado 36 horas antes do músico se matar. Pelas imagens, ninguém jamais pensaria que havia algo errado com ele: o artista aparece rodeado pela família, rindo e se divertindo. “É isso que a depressão parece, apenas 36 horas antes de sua morte. Ele nos amava tanto e nós o amávamos”, ela escreveu no Twitter.

Talvez essa seja a maior lição que podemos aprender com a morte do vocalista do Linkin Park: depressão não tem rosto. Não tem forma. Não dá para dizer quem está ou não está doente só olhando para ela. Uma outra foto postada por Talinda traz Bennington sorrindo com a família na praia, reforça isso. Ela escreveu: “isso foi dias antes do meu marido tirar a própria vida. Pensamentos suicidas estavam lá, mas você jamais saberia”.

A atitude da viúva de Chester é importante, pois ao abrir um pouco mais a intimidade da família, ela ajuda a quebrar um estereótipo de que todas as pessoas deprimidas ficam o dia inteiro na cama ou chorando. É possível, sim, levar uma vida normal, trabalhar, se relacionar com pessoas, se exercitar e ainda assim ter depressão. E, ao vermos alguém famoso como o cantor morrendo dessa maneira, temos mais um lembrete de que esse transtorno mental não vê cor, classe social ou gênero. Qualquer pessoa pode desenvolvê-lo.

Aliás, é por conta da falta de informação sobre esse distúrbio, que muitas pessoas acabam tirando suas vidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados, pois estão ligados a transtornos psíquicos tratáveis, como a depressão, por exemplo.

Portanto, é importante tratarmos as doenças mentais com seriedade, pois elas estão levando as pessoas que amamos. No Brasil, por exemplo, a taxa de suicídio aumentou 12%, sendo essa a quarta maior causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos. 

Precisamos nos movimentar e conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar da saúde mental e falar abertamente sobre depressão e suicídio. Infelizmente, não podemos fazer o tempo voltar e trazer Chester e tantas outras pessoas de volta à vida. Porém, podemos ajudar a salvar tantas outras que estão sofrendo.

*Se você estiver precisando de ajuda, acesse o site do Centro de Valorização à Vida (CVV) ou ligue pelo número 141.


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