“O Quarto de Jack” é o mais sensível indicado ao Oscar

19. fevereiro 2016 Cinema 0
“O Quarto de Jack” é o mais sensível indicado ao Oscar

Assistir a “O Quarto de Jack” sem saber absolutamente nada a respeito do filme talvez o torne uma experiência mais rica do que jamais será para quem lê este ou outro comentário sobre. A estrutura narrativa quer mesmo isso, nos revelando aos poucos onde estamos e o que está acontecendo. Quando nos damos conta, já levamos o soco no estômago.

A força do filme está no contraste entre o horror da situação e a inocência do olhar que nos guia através dela. Inspirado pelos diversos casos reais de mulheres sequestradas e mantidas as vezes durante anos presas, o roteiro consegue atingir uma leveza surpreendente, mesmo dentro de um tema tão pesado. Talvez porque o que nos conduz é a perspectiva inocente do pequeno Jack.

Brie Larson e Jacob Tremblay em "O Quarto de Jack"
Brie Larson e Jacob Tremblay em “O Quarto de Jack”

Jack tem 5 anos e nasceu no “quarto”, que é tudo o que ele conhece do mundo. Sua mãe está presa há sete anos, sem contato com o mundo exterior (com exceção de uma pequena claraboia no teto do quarto, e de uma televisão). Quando ela decide que é hora de Jack ajudar os dois a saírem do quarto, ele naturalmente se assusta com a possibilidade de conhecer o mundo.

O ambiente desesperador do cativeiro é, para Jack, seu lugar seguro, e por isso o único possível. Diferente do mundo aqui fora, que é intimidador e confuso. É esse descompasso que possibilita que muitos dos clichês e obviedades que um filme com uma temática tão forte poderia criar não existam.

Os atores Jacob Tremblay e Brie Larson nas filmagens

Outro fator essencial para que o filme não caia no lugar-comum são as interpretações. A presença de Jacob Tremblay no filme – e na narração em voz-over, recurso que aqui consegue ser bem colocado como em pouquíssimos casos – nos enche os olhos. E se é o intérprete de Jack quem adiciona carisma e leveza ao filme, é a atuação de Brie Larson que dá o tom.

Favorita ao prêmio de Melhor Atriz no Oscar desse ano, a atriz de 26 anos já vem sendo reconhecida em outras premiações da temporada. E se ainda não existe nada maior que um Oscar para legitimar o talento de uma atriz em Hollywood, não há dúvidas de que Brie Larson o mereça. Seu trabalho em “O Quarto de Jack” é, de certo modo, o que o filme é como um todo: sincero e delicado, sem cair no dramalhão fácil ou na apatia e frieza da realidade cruel na qual está inserido.