O novo filme de Taraji P. Henson e Octavia Spencer é o que queremos ver mais no cinema

23. fevereiro 2016 Cinema 0
O novo filme de Taraji P. Henson e Octavia Spencer é o que queremos ver mais no cinema

Se você está cansado de toda essa conversa sobre diversidade no cinema, imagine como estão as pessoas que representam “os outros” e raramente – ou nunca – recebem oportunidades. É uma discussão válida e importante que, com a ajuda da internet, tem possibilitado um alcance maior para as vozes dos excluídos, além de mudanças reais.

Pense no caso do Oscar: pelo segundo ano consecutivo, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas indicou apenas homens e mulheres brancos para as categorias de atuação, o que resultou na volta da hashtag #OscarsSoWhite e reclamações de diversos artistas e do público. As reações negativas foram tantas, que a presidente do Oscar, Cheryl Isaac Bones anunciou as primeiras medidas para melhorar a diversidade dentro do corpo de membros da organização.

Dito isso, é possível que a edição do próximo ano da premiação seja menos branca. A revista Variety fez uma lista com 30 filmes que estarão no cinema ao longo do ano, e que têm boas chances de receber indicações em 2017.

Outra produção que talvez ajude a “escurecer” o Oscar será “Hidden Figures”, estrelado por Taraji P. Henson e Octavia Spencer. O longa será uma adaptação do livro ainda inédito “Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win the Space Race” (“Figuras Escondidas: A História das Mulheres Afro-Americanas que Ajudaram a Vencer a Corrida Espacial”), da escritora Margot Lee Shetterly. Como o próprio título sugere, a obra é sobre as mulheres negras que ajudaram o primeiro americano a orbitar a Terra. Vale acrescentar que a história dessas mulheres é real.

O novo filme de Taraji P. Henson e Octavia Spencer é o que queremos ver mais no cinema
Octavia Spencer

Taraji P. Henson será Katherine Johnson, uma física, cientista espacial e matemática, enquanto o papel de Octavia Spencer ainda não foi revelado, mas deve ser entre as protagonistas que incluem Dorothy Vaughn e Mary Jackson, segundo a Variety. Para vencer na profissão, o trio teve de superar o racismo e o machismo. A direção será de Ted Melfi (“Um Santo Vizinho”).

Você não está delirando: finalmente veremos mulheres negras representando gênias da matemática e não empregadas domésticas e escravas, papéis típicos dado a essas mulheres e aos negros, em geral. “Nós fomos escravos, empregados domésticos e criminosos”, lembrou o ator David Oyelowo, durante um painel sobre o filme “Selma”, no qual foi o protagonista. “Fomos todas essas coisas, mas nós fomos líderes, reis, fomos aqueles que mudaram o mundo. E os filmes sobre essas pessoas são difíceis de ser feitos.”

O motivo para isso, segundo os estúdios, é o de que filmes protagonizados por negros “não vendem no exterior”, contou Don Cheadle, que está prestes a lançar “Miles Ahead”, cuja produção é dirigida, produzida, co-roteirizada e estrelada por ele. Para tirar o longa do papel, foi necessário incluir um ator branco no elenco. “Ter um ator branco nesse filme acabou sendo um imperativo financeiro”, revelou. “Há diferentes métricas, as quais são determinantes se é um risco ou não para aqueles que vão investir nos filmes. Essa é uma das realidades nessa indústria em que estamos.”

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Don Cheadle

É difícil acreditar no argumento de que filmes protagonizados por negros “não vendem no exterior”, quando algumas algumas das maiores produções de 2015 tiveram elencos diversificados, tais como “Star Wars: O Despertar da Força”, “Straight Outta Compton” e “Velozes e Furiosos 7”. O resultado é similar ao encontrado na lista de filmes de maior bilheteria dentro dos Estados Unidos.

Esses números vão de encontro à conclusão de um estudo do ano passado, que diz que a diversidade é mais lucrativa e o público quer mais dessas histórias. “A audiência, independente de sua raça, está clamando por mais conteúdo diversificado”, afirmou Ana-Christina Ramon, co-autora do documento ao Hollywood Reporter.

O problema de diversidade na indústria cinematográfica, então, esbarra em quem a comanda. “É uma indústria muito lucrativa, as pessoas fazem muito dinheiro nela, é de alto risco”, contou ao Mic Darnell Hunt, diretor de um centro de estudos afro-americanos na Universidade da Califórnia. “Acho que as partes interessadas – tipicamente homens brancos – estão tentando dar a eles mesmos o que eles consideram ser a melhor chance de sucesso, [então] eles se cercam de pessoas com quem estão confortáveis, ou que estão ‘em alta’, que se parecem e pensam como eles.”

Contudo, talvez as críticas sobre a falta de diversidade do Oscar tenham ecoado em Hollywood como um todo. O sinal vermelho foi aceso, e é preciso que os filmes que consumimos estejam de acordo com o mundo em que vivemos, dando oportunidades iguais a todos.

“Hidden Figures” não solucionará todos os problemas de diversidade no cinema (aliás, não há uma solução fácil para isso), mas é um passo na direção certa na construção de uma sétima arte mais inclusiva e diversificada. Uma em que cada história importa. 2016 promete!

O novo filme de Taraji P. Henson e Octavia Spencer é o que queremos ver mais no cinema
Taraji P. Henson