O MTV Movie & TV Awards foi uma verdadeira celebração à diversidade

O MTV Movie & TV Awards foi uma verdadeira celebração à diversidade

A MTV americana resolveu fazer diferente em sua anual premiação de cinema. Neste ano, além dos artistas envolvidos na sétima arte, atores e atrizes de televisão também foram reconhecidos por seus trabalhos nos seriados que nós amamos.

Mas essa não foi a única mudança: pela primeira vez, o evento eliminou as divisões por gênero nas categorias de atuação, o que levou homens e mulheres a disputar juntos o balde de pipoca dourada. Embora haja um medo real (e bastante válido) de que as atrizes não sejam tão premiadas, afinal, elas contam com menos espaço em filmes do que seus colegas homens, pelo menos no primeiro ano, foram elas as grandes vencedoras da noite.

A primeira foi Emma Watson, que levou Melhor Ator Em Filme, por seu trabalho em “A Bela e a Fera”. Em seu discurso, ela parabenizou a MTV pelo gesto.

“Primeiramente, eu preciso dizer algo sobre o próprio prêmio: o primeiro prêmio na história que não separa os indicados com base no sexo. Isso quer dizer muito sobre como nós percebemos a experiência humana. O movimento da MTV em criar um prêmio sem gênero para atuação significará algo diferente para todo mundo”, começou a artista britânica. “Mas para mim, isso indica que a atuação é sobre a habilidade de se colocar no lugar de alguém e isso não precisa ser separado em duas categorias diferentes. Empatia e a habilidade de usar sua imaginação não deveriam ter limites. Significa muito para mim ganhar esse prêmio e recebê-lo de você, Asia. Obrigada por me educar de maneira inclusiva, paciente e amorosa”.

Asia Kate Dillon atua na série “Billions” e se identifica como não-binário. Isto é, não se identifica com nenhum gênero. Depois de abraçar Dillon, Emma Watson continuou seu discurso dizendo:

“Acho que estou recebendo esse prêmio pelo que a Bela é e representa. Os moradores da vila do nosso conto de fadas queriam fazer com que ela acreditasse que o mundo era menor do que ela via e com menos oportunidades, e que a sua curiosidade, paixão, conhecimento e seu desejo de ter mais da vida eram degraus para alienação. Eu amei interpretar alguém que não ouviu nada disso. Tenho orgulho de fazer parte de um filme que celebra a diversidade, literatura, inclusão, alegria, e eu amo a forma como esse faz isso”.

Quem também saiu comemorando foi Millie Bobby Brown, a Eleven do seriado “Stranger Things”, da Netflix. Por seu papel, ela levou Melhor Ator em Série de Televisão. Em meio às lágrimas, a jovem atriz agradeceu à sua família, o restante do elenco e os criadores da produção em que atua, os Irmãos Duffer, por terem feito “uma personagem feminina foda e icônica que eu tenho a honra de interpretar”.

Foi o segundo prêmio para “Stranger Things” no MTV Movie & Awards, que também levou Série do Ano.

Já na categoria Melhor Beijo, quem ganhou foram Ashton Sanders e Jharrel Jerome, os quais viveram Chiron e Kevin no drama “Moonlight”. Primeiro a discursar, Jerome disse que era “bom que atores de minorias se destacassem e fizessem o que é preciso para contar uma história e mudar as coisas”. Em seguida, Sanders completou:

“Esse prêmio é maior do que Jharrel e eu. Ele representa mais do que um beijo. Ele é para aqueles que sentem-se como os ‘outros’ e aqueles que não se encaixam. Ele nos representa”. 

Os prêmios de Melhor Apresentador, Documentário, Reality Show e Melhor Performance de Comédia também foram para negros: Trevor Noah, com seu programa “The Daily Show”, “A 13a Emenda”, filme de Ava DuVernay sobre o encarceramento da população negra americana, a competição de drag queens “RuPaul’s Drag Race”, e Lil Rel Howery, por seu trabalho no filme “Corra!”

Falando em “Corra!”, o protagonista da obra, Daniel Kaluuya, recebeu o prêmio Próxima Geração. O ator agradeceu seus colegas de elenco e ao diretor Jordan Peele, por fazer “algo que fez com que eu e meus amigos nos sentíssemos inclusos”.

Taraji P. Henson subiu ao palco para pegar o prêmio de Melhor Luta Contra o Sistema, dado ao filme “Estrelas Além do Tempo”.

“Esse filme foi muito importante. Eu me sinto esquisita sem minhas amigas Octavia Spencer e Janelle Monáe”, começou a atriz. “Esse filme era maior do que todas nós. Nós entendemos isso. Nós entendemos a tarefa que nos foi dada. Nós entendemos que essa é uma parte da história que precisava ser recolocada no sangue e nas veias dos Estados Unidos.

“E, para mim, era muito importante porque eu cresci com um um entendimento. Ninguém nunca me disse que meninas não podiam aprender matemática e ciência, mas havia um entendimento, certo? Havia um entendimento de que isso era apenas para os meninos. Então, eu me lembro de receber esse roteiro, ficar muito triste, porque eu senti que eu tinha um sonho que foi roubado de mim. E dissipar esse mito se tornou a minha missão e a missão de todos envolvidos nesse filme, para que nenhuma outra garota crescesse pensando que sua mente não é capaz de entender matemática e ciência. Se não fosse por essas mulheres, nós não teríamos chegado ao espaço. E não só isso, a mensagem desse filme é a união. Eu odeio o separatismo. Eu odeio que seja homem contra mulher, negro contra branco, gay contra hétero. O que quer que seja. Somos todos humanos. Deus é muito esperto. Ele nos fez todos diferentes por uma razão, para que pudéssemos nos entender. Eu amo vocês”.

Foi o segundo prêmio de Taraji, que recebeu também Melhor Heroína com seu papel em “Estrelas Além do Tempo”.

Na categoria Melhor História Americana, havia uma coincidência interessante: todas as séries e filmes não giravam em torno de algum homem branco e hétero, mas eram sobre homens e mulheres negros e árabes. Especialmente em tempos de Donald Trump, essa é uma mensagem muito positiva vinda da MTV, que premiou a diversidade com base nos votos do público.

Ou seja, as pessoas querem mesmo ver mais histórias de mulheres, LGBTs, negros, árabes, asiáticos e todas as pessoas que não se encaixam no que Hollywood vem produzindo. Por mais que o MTV Movie & TV Awards seja uma premiação mais ‘leve e divertida’, isso não quer dizer que não deva ser levada a sério. Quem escolhe é o público. E o público quer ainda mais do que temos visto por aí.


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