O IMDB incorporou o sistema de classificação “F-Rating” para destacar filmes feitos e protagonizados por mulheres

08. Março 2017 Cinema 0
O IMDB incorporou o sistema de classificação “F-Rating” para destacar filmes feitos e protagonizados por mulheres

Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning HellPsicologia&CulturaPop, Valkirias, Séries Elas Por Elas, Valkírias, Ideias em RoxoKaol Porfírio.

Como sabemos, a representação feminina nos filmes ainda é muito ruim: elas são apenas 29% das protagonistas no cinema e, muitas vezes, seus papéis são marcados por estereótipos antiquados que não possuem mais espaço em 2017. Contudo, segundo um estudo do Center for the Study of Women in Television and Film, quando há mais mulheres trabalhando atrás das câmeras, vemos mais mulheres na frente delas e de maneira melhor.

Ou seja, fica claro que precisamos de mais mulheres trabalhando na sétima arte, ocupando desde o cargo de atriz, até o de diretora, roteirista e produtora-executiva.

Infelizmente, ainda há poucas obras feitas e protagonizadas por mulheres, mas isso não quer dizer que elas não existam. E se você precisa de uma ajuda para reconhecê-las, o IMDB, um dos maiores sites sobre cinema da internet, acaba de incorporar o sistema de classificação “F-Rating” para destacar produções escritas, dirigidas e que traz ao menos uma mulher no papel principal.

Esse sistema de classificação foi criado em 2014, pela diretora-executiva do festival de cinema Bath, Holly Tarquini, cujo objetivo era o de “apoiar mulheres no cinema e mudar as histórias que vemos nas telas”. Segundo o jornal inglês The Guardian, mais de 40 festivais de cinema utilizam o sistema “F-Rating” de classificação, além de festivais de literatura infantil.

A avaliação foi inspirada no Teste de Bechdel, no qual um filme só é aprovado caso ele tenha uma ou mais personagens femininas que conversam entre si sobre qualquer assunto que não seja sobre um homem. Pode parecer simples, mas muitos filmes não passam nele.

Portanto, para levar o selo “F” é preciso que o filme seja dirigido, escrito ou protagonizado por uma mulher. Caso ele preencha os três requisitos, o longa-metragem é classificado como “triplo F”.

“O sistema de classificação ‘F-Rating’ é uma ótima maneira de destacar mulheres na frente e atrás das câmeras”, disse Col Needham, chefe do IMDB, à BBC. Segundo a reportagem, 21.800 filmes presentes na plataforma receberão a letra “F”.

E de acordo com a criadora do sistema de classificação, Holly Tarquini, o objetivo é de que ele não seja mais necessário no futuro.

“É ótimo quando novas empresas decidem se juntar a nós ao destacar o trabalho brilhante que as mulheres estão fazendo, assim como mostram como a indústria cinematográfica está muito mais atrasada do que as, quando se trata de prover oportunidades iguais para as mulheres”, ela disse à BBC. “Mas nosso objetivo é chegar a um patamar em que o ‘F-Rating’ seja redundante, porque 50% das histórias que vemos nas telas serão contadas por e sobre metade da população que é bem sub-representada: as mulheres”.

Obviamente, para romper com o machismo na indústria cinematográfica, é preciso mais do que classificar filmes com a letra “F”. Porém, quanto mais evidente ficar a falta de oportunidades para mulheres nessa área – e isso já é muito aparente – , é possível que vejamos algum progresso no futuro. E esperamos vê-lo logo nas telas do cinema.


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