O final alternativo de “Corra!” consegue ser ainda mais assustador que o original

O final alternativo de “Corra!” consegue ser ainda mais assustador que o original

[SPOILERS SOBRE “CORRA!” A SEGUIR]

“Corra!”, filme do diretor Jordan Peele, enfim chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (18), depois faturar mais de US$ 100 milhões de bilheteria nos Estados Unidos, e de também fazer sucesso com a crítica.

O longa-metragem transforma os horrores do racismo em uma obra fictícia de terror, tendo como protagonista o jovem Chris (Daniel Kaluuya), que ao conhecer a família de sua namorada, descobre que estão todos envolvidos em uma trama sanguinária envolvendo pessoas negras.

Se você já assistiu ao filme, você deve se lembrar de como ele termina: Chris tenta estrangular Rose, sua namorada (Allison Williams), depois de ela quase matá-lo. Contudo, ele desiste do ato e, em seguida, uma viatura da polícia chega ao local. Nesse momento, estamos todos com medo do que pode acontecer com o rapaz, já que além de Rose estar no chão, há corpos de outras pessoas sem vida no local. Para sorte dele, quem aparece é seu amigo Rod (LilRel Howery), que o resgata e o leva embora.

É um final que garante um alívio a todos, mas a verdade é que o final alternativo de “Corra!” é ainda mais assustador – e porque não dizer realista – do que original. Segundo o site Slate, quem surge no fim do filme seriam dois policiais brancos, os quais sem nem ao menos perguntar, levam Chris para a cadeia. Logo após sua prisão, o rapaz é visitado por Rod, que tenta ajudar seu amigo a sair dali, mas Chris não consegue se recordar com detalhes do que aconteceu para poder ser libertado. Ao final, ambos veem que não vão conseguir provas para poder tirá-lo da cadeia, encerrando assim a trajetória do nosso protagonista.

As cenas não entraram no longa, o que garante ao personagem de Kaluuya um final feliz (ou assim a gente espera), mas elas não deixam dúvidas de que o destino do garoto provavelmente seria esse na vida real. Não é raro vermos negros sendo presos sem qualquer justificativa (ou qualquer justificativa plausível, vide Rafael Braga) ou sendo mortos pela polícia. 

De acordo com um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a taxa de negros mortos pela polícia em São Paulo é quase três vezes mais que a de brancos. No Rio de Janeiro, 77% dos mortos pela polícia são negros e pardos. E no Brasil, a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado. Os números são brasileiros, mas a realidade nos Estados Unidos não é muito diferente daqui: jovens negros possuem 9 vezes mais chances de morrer nas mãos da polícia, segundo um levantamento feito pelo jornal The Guardian.

Em “Corra!”, Jordan Peele optou por dar a Chris a oportunidade de refazer sua vida. Longe da ficção, Chris com certeza não teria a mesma sorte.

Leia mais no site Slate.

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