O cinema continuou masculino, branco e heterossexual em 2016, diz estudo

02. agosto 2017 Cinema 0
O cinema continuou masculino, branco e heterossexual em 2016, diz estudo

Entra ano e sai ano, uma coisa é certa na indústria cinematográfica: vamos sempre ter uma continuação da saga “falta de diversidade em Hollywood”. Anualmente, a Iniciativa de Mídia, Diversidade e Mudança Social, da Escola Annerbeg de Comunicação e Jornalismo, faz um levantamento sobre a quantidade e a qualidade da representação de mulheres, minorias étnicas, LGBTs e pessoas com deficiência nos 100 maiores filmes americanos lançados a cada ano, comparando o resultado com o dos anos anteriores, a fim de verificar se houve alguma mudança.

E a verdade é que, entre 2007 (primeiro ano em que o relatório foi feito) e 2016, não houve muito progresso, especialmente atrás das câmeras. A indústria cinematográfica ainda é muito masculina, branca e heterossexual.

“Essas são descobertas embaraçosas para uma indústria progressista, que se importa muito com inclusão”, disse a Dra. Stacy L. Smith, diretora da IMMS, à revista Variety. “Claramente, o ativismo não está alcançando quem toma as decisões nos estúdios”.

Segundo a pesquisa, no ano passado, as personagens femininas com falas nos 100 filmes mais populares atingiram 31,4%, mesmo percentual de 2015, e somente 1,5% a mais do que em 2007. Apenas 34 filmes tinham uma mulher como protagonista. Desse total, apenas 3 eram de minorias étnicas e 8 tinham 45 anos ou mais. A comédia foi o gênero cinematográfico com o maior percentual de personagens femininas: 40,8%.

No que diz respeito à raça, os números também são ruins: 70,8% dos personagens eram brancos. Esse percentual é muito maior que o de negros (13,6%), asiáticos (5,7%) e latinos (3,1%). 25 filmes não tinham qualquer personagem negro com falas, 54 deles não tinham latinos e 44 não tinham asiáticos

E em mais um ano, LGBTs foram praticamente esquecidos: dos 4.544 personagens com falas no passado, somente 51 eram LGBT (36 eram gays, 9 eram lésbicas, 6 eram bissexuais e nenhum era trans). 76 dos 100 maiores filmes de 2016 não tinham qualquer personagem LGBT. E quando tinham, a imensa maioria era branca: 79,1%.

Desde o ano passado, personagens com deficiência começaram a ser contados. Se em 2015 eles eram 2,4%, em 2016 eles foram para 2,7%. A maioria eram homens (67,7%) e com algum tipo de deficiência física (64,5%).

Confira os resultados abaixo:

Gênero:

  • dos 4.583 personagens com falas nos 100 filmes mais populares de 2016, 68,6% deles eram homens e apenas 31,4% eram mulheres. Entre 2007 e 2016, esse percentual aumentou apenas 1,5% e foi o mesmo encontrado em 2015;
  • somente 34 filmes tinham uma protagonista feminina, 2 a mais do que no ano anterior. 3 dessas 34 protagonistas eram de minorias étnicas e somente 8 tinham 45 anos ou mais (uma delas era de minoria étnica);
  • em comparação, 29 filmes tinham homens na mesma faixa etária, porém, o grupo era um pouco mais diverso: 7 deles;
  • a quantidade de personagens femininas e masculinos crianças e adolescentes é quase a mesma. A disparidade é maior entre personagens entre 21 e 39 anos (66,6% eram homens contra 33,4% das mulheres) e com 40 anos ou mais (74,4% eram homens contra 25,6% das mulheres),
  • mulheres continuam tendo uma tendência maior a aparecer em roupas sensuais (25,9% contra 5,7% dos homens) e sem roupa (25,6% contra 9,2% dos homens). Meninas adolescentes (13 e 20 anos) têm praticamente a mesma probabilidade de mulheres adultas (21 e 39 anos) de aparecer com roupas reveladoras ou sem qualquer vestimenta;
  • 11 filmes não tinham mulheres brancas com falas;
  • 47 filmes não tinham mulheres negras com falas;
  • 66 filmes não tinham mulheres asiáticas com falas;
  • 72 filmes não tinham mulheres latinas com falas;
  • 52,1% mulheres tinham um par romântico;
  • dos 1.438 criadores de conteúdo (roteiristas, diretores e produtores), somente 17,8% eram mulheres. 120 diretores trabalharam nos 100 filmes mais populares de 2016, sendo 95,8% deles homens (115) e 4,2% mulheres (5). O percentual de mulheres foi maior como roteiristas (13,2%) e produtoras (20,7%); 
  • entre 2007 e 2016, apenas 4,1% dos diretores eram mulheres nos 900 maiores filmes lançados nesse período. Desde o primeiro ano em que o levantamento começou a ser realizado, apenas 34 mulheres trabalharam na direção de algum longa uma ou mais vezes. 30 delas tiveram somente uma chance de dirigir um filme;
  • dos 121 compositores do ano passado, apenas 2 eram mulheres (1,7%). Em 9 anos de pesquisa, apenas 14 mulheres trabalharam na composição de trilhas sonoras.

Raça/Etnia:

  • 70,8% dos personagens eram brancos. Isso quer dizer que somente 29,2% eram pessoas de minorias étnicas;
  • 13,6% eram negros, 5,7% eram asiáticos, 3,1% eram latinos ou hispânicos, 3,4% eram do Oriente Médio, menos de 1% eram nativos do Alasca ou indígenas, menos de 1% eram nativos do Havaí e 2,7% tinham raças misturadas. O percentual é quase 10% menor do que o índice de minorias étnicas vivendo nos Estados Unidos: 38,7%;
  • desde 2007, o percentual de personagens brancos caiu 6,8%, mas não houve um aumento significativo de minorias étnicas no cinema;
  • 25 dos 100 maiores filmes do ano passado não tinham nenhum personagem negro com falas, 8 a mais do que no ano anterior;
  • 54 filmes não tinham nenhum personagem latino ou de origem latina, 14 a mais do que em 2015;
  • 44 filmes não tinham nenhum personagem asiático, o que representa uma queda de 5 produções em relação ao ano anterior;
  • 6 animações não apresentaram nenhum personagem humano, o que não permitiu a contagem por raça/etnia;
  • as animações possuem o maior percentual de personagens de minorias étnicas em 2016: 48,5%. Filmes de ação tiveram 26,4% de personagens de minorias étnicas e produções de comédia tiveram 32,1%;
  • dos 70,8% personagens brancos, 32% dos personagens eram mulheres brancas;
  • dos 13,6% personagens negros, 34,2% eram mulheres negras;
  • dos 5,7% personagens asiáticos, 37,7% eram mulheres asiáticas;
  • dos 3,1% personagens latinos, 34,8% eram mulheres latinas;
  • somente 14 filmes tinham protagonistas de minorias étnicas, mesma quantidade de 2015, sendo a maioria deles negros;
  • mulheres asiáticas tinham mais chances de aparecer em papéis voltados ao cuidar de uma pessoa;
  • mulheres de todas etnias tinham mais chances de aparecer em trajes sensuais ou sem roupa do que os homens de todas as etnias;
  • 5,8% dos diretores eram de minorias étnicas em 2016, sendo todos homens negros. Nenhuma mulher negra dirigiu um dos 100 maiores filmes de 2016;
  • Desde 2007, nos 900 filmes mais populares lançados, 5,6% dos diretores eram negros (56). Apenas 3 mulheres negras dirigiram algumas dessas produções;
  • 3% dos diretores foram asiáticos em 9 anos de pesquisa. Uma mulher asiática (Jennifer Yuh Nelson) dirigiu 2 filmes, mas a maioria ainda são homens asiáticos;
  • apenas uma mulher latina dirigiu algum dos 900 filmes lançados entre 2007 e 2016 (exceto 2011).

LGBT:

  • dos 4.544 personagens que tinham uma sexualidade/identidade de gênero que podia ser reconhecida nos 100 filmes mais populares de 2016, somente 51 deles eram LGBT;
  • a maioria eram gays (36 ou 70,6%), seguidos por lésbicas (9 ou 17,6%) e bissexuais (6 ou 11,8%). Nenhum personagem trans foi apresentado;
  • desde 2014, quando a quantidade de personagens LGBT começou a ser medida, não houve um aumento dessa população no cinema: menos de 1%;
  • apenas um filme foi protagonizado por um LGB no ano passado: “Moonlight”;
  • 45,1% dos personagens LGB foram secundários e 49% eram inconstantes;
  • 76 dos 100 maiores filmes do ano passado não apresentaram nenhum personagem LGBT, uma melhora em comparação ao ano anterior, quando 82 produções não tiveram personagens LGBT;
  • 91 desses filmes não apresentaram nenhuma personagem feminina que se identificasse como lésbica ou bissexual;
  • 76,5% dos personagens LGB eram homens e 23,5% eram mulheres;
  • 79,1% dos personagens LGB eram brancos e 20,9% eram de minorias étnicas;
  • mais da metade dos personagens LGBT (58,8%) tinham entre 21 e 39 anos;
  • 35,3% desses personagens tinha 40 anos ou mais;
  • apenas 3 personagens tinham menos de 20 anos;
  • somente 25%, ou 6 personagens LGB, foram representados como pais de uma criança;
  • 51,4% foram representados em um relacionamento. Somente 4 estavam casados;

Pessoas com deficiência:

  • 2,7% dos personagens tinham alguma deficiência, um aumento de 0,3% em relação ao ano anterior, quando essa contagem começou a ser feita;
  • 38 dos 100 maiores filmes não tinham qualquer personagem com deficiência;
  • 70 filmes não tinham uma personagem feminina com deficiência;
  • 15 filmes tinham personagens com deficiência como protagonistas ou coadjuvantes;
  • desses 15 filmes, 12 foram protagonizados por homens com deficiência;
  • nenhum personagem protagonista ou coadjuvante com deficiência era LGBT;
  • 64,5% dos personagens tinha alguma deficiência física. Deficiências mentais foram 31,5%, enquanto deficiências de comunicação foram 21,8%;
  • 67,7% dos personagens com deficiência eram homens, mulheres foram 32,3%;
  • 74,5% dos personagens eram brancos, 25,5% eram de minorias étnicas;
  • somente 1 personagem LGBT foi representado tendo alguma deficiência.

Para ler o relatório completo, clique aqui (em inglês).


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