Novo quadro do Fantástico vai abordar a transexualidade

Novo quadro do Fantástico vai abordar a transexualidade

Nos últimos dias, um vídeo em que uma travesti é espancada e morta, por pelo menos quatro homens, viralizou na internet. A travesti em questão era Dandara dos Santos, de 42 anos, que morava na cidade de Fortaleza, no Ceará.

O crime brutal chocou o país que mais mata pessoas trans no mundo. Somente em 2016, segundo o Grupo Gay da Bahia, dos 343 assassinatos envolvendo LGBTs no Brasil, 144 deles (42%) foram de travestis e transexuais. De acordo com a BBC Brasil, 2017 já conta com 23 desses homicídios.

Ou seja, é urgente a criação de leis para proteger essa população e uma mudança na cultura, para prevenir que a violência transfóbica continue. A mídia é uma importante aliada para a disseminação da informação e de novas formas de enxergar o outro e, em um primeiro momento, o Fantástico, programa dominical da Rede Globo, parece querer contribuir para a formação de uma sociedade mais inclusiva e que abraça a todos.

É que no próximo domingo (12), a revista eletrônica terá, além de uma nova abertura, um novo quadro, que visa abordar a transexualidade, contando as histórias de pessoas trans brasileiras. Apresentado por Renata Ceribelli, “Quem Sou Eu?” mostrará a vida de 4 pessoas trans em diferentes etapas da vida: infância, adolescência, relacionamentos amorosos e a construção da família.

Para ajudar a explicar a transexualidade, a série de 4 episódios “traça um paralelo com a história de ‘Alice no País das Maravilhas’, de Lewis Carroll. Mas a Alice de ‘Quem Sou Eu?’ parte em uma jornada de autoconhecimento e representa todas as pessoas que sentem que nasceram no corpo errado e estão em busca de sua identidade’, explica o site do Fantástico.

“Tudo começa com uma corrida contra o tempo. Alice quer alcançar o coelho branco e seu relógio. Os transgêneros também têm pressa, pressa em responder uma única pergunta. Quem sou eu?”, narra Renata, de acordo com o site E+, do Estadão, que parece ter adiantado o primeiro episódio do quadro.

Segundo a publicação, a atração abre com Melissa, de 11 anos. Filha de pais separados, ela sempre sentiu que era uma menina, e aos 12 anos começará um tratamento com substâncias que atrasam a puberdade, a fim de impedir o desenvolvimento de traços tipicamente masculinos, como a voz grossa e a barba. Aos 16, ela poderá começar o tratamento hormonal para adquirir as características femininas.

O Observatório da Televisão também acrescentou que “as explicações da ciência também entram em pauta” e que serão divulgados centros que atendem pessoas trans no Brasil. “Os locais existem e não são divulgados”, disse a apresentadora Renata Ceribelli.

A princípio, parece uma ótima oportunidade de educar a população brasileira sobre as questões que envolvem pessoas trans. Ainda mais se tratando de um programa exibido na maior rede de televisão do país, é possível que muitas pessoas que não tenham qualquer contato com a transexualidade ou pessoas trans possam aprender e entender esses indivíduos. É preciso levar em consideração o alcance que o Fantástico tem.

Contudo, ao ler o texto no site da atração, revirei um poucos os olhos com a parte que diz que homens e mulheres trans nasceram com ‘corpos errados’. Seus corpos não estão errados; errada é a leitura que se faz deles. Afinal, muitas mulheres trans, mesmo tendo pênis, continuam sendo mulheres. E homens trans, mesmo tendo vaginas, continuam sendo homens. Espero que isso seja esclarecido de forma melhor no quadro, dentre outras coisas, como a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero.

Relembrando: “Quem Sou Eu?” estreia no próximo domingo, 12 de março.