Nos últimos 3 anos, nem 12% dos personagens na categoria de ‘Melhor Filme’ no Oscar tinham 60 anos ou mais

22. fevereiro 2017 Cinema 0
Nos últimos 3 anos, nem 12% dos personagens na categoria de ‘Melhor Filme’ no Oscar tinham 60 anos ou mais

O Oscar tem um problema com idade. É o que afirma um recente estudo realizado pela Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia (USC), que analisou a faixa etária dos personagens nas 25 produções indicadas a ‘Melhor Filme’ no Oscar de 2014, 2015 e 2016. Segundo a pesquisa, menos de 12% (11,8%) dos 1.256 personagens tinham 60 anos ou mais.

De acordo com a revista Variety, o percentual de idosos representados nos indicados a ‘Melhor Filme’ é menor do que a população com 60 anos ou mais dos Estados Unidos (18,5%) e é também menor do que a população com essa faixa etária que vai ao cinema (14%).

“Quando pensamos em diversidade, nós frequentemente lembramos de raça, gênero, orientação sexual, pessoas com deficiência, mas a idade é sempre deixada de fora da conversa”, disse Stacy Smith, co-autora do estudo. “Hollywood perde uma oportunidade. Essas pessoas possuem renda e tempos disponíveis em suas mãos para ver, fazer streaming e baixar filmes”.

A pesquisa ainda mostra que, além do número baixo de personagens com mais de 60 anos, a maioria deles eram homens: 77,7% do total. Ou seja, somente 22,3% era mulheres, um percentual 8,4% menor do que de mulheres que não eram idosas. De acordo com o relatório, foram apenas 13 mulheres idosas em 2014 (39,4%), 16 em 2015 (48,5%) e somente 4 em 2016 (12,1%).

No que diz respeito à raça, 89,9% dos personagens eram brancos. Negros foram 6,1%, asiáticos 2% e os “outros” (indígenas e árabes, por exemplo), foram 2%. Nenhum personagem idoso era latino, bem como nenhum deles se identificava como gay, lésbica, bissexual ou pessoa trans.

Somente um ator com mais de 60 anos foi protagonista em um filme de ação e foi o único em com a faixa etária em uma produção com elenco misto (Michael Keaton, em “Birdman” e “Spotlight”). Homens tiveram mais chances de ser representados em funções de liderança do que mulheres. 6,1% dos personagens mais velhos tinham problemas de saúde, sendo 88,9% homens contra 11,1% das mulheres.

A pesquisa foi feita em parceria com a empresa de seguros Humana, cuja vice-presidente e diretora médica, a doutora Dr. Yolangel Hernandez Suarez, disse ter se surpreendido com os resultados, tanto com o quantitativo quanto o qualitativo.

“Os resultados mostram, definitivamente, que os personagens mais velhos são pouco e mal representados nos filmes”, afirmou. “Eu esperava ver que, talvez em trabalhos aclamados pela crítica, haveria um cuidado maior em uma representação mais realista dos americanos que estão envelhecendo. Esperamos que vocês comecem a questionar, não apenas representações em filmes, mas como essas imprecisões e observações degradantes são reflexos de normas sociais”.