Nós sentimos falta de personagens negros e LGBT em “Gossip Girl” – e os criadores do seriado também

22. setembro 2017 Televisão 0
Nós sentimos falta de personagens negros e LGBT em “Gossip Girl” – e os criadores do seriado também

Já se passaram 10 anos desde a estreia de “Gossip Girl”, um seriado que marcou a adolescência de muita gente – inclusive a minha. A série narrava as vidas de um grupo de estudantes ricos de Nova York e que eram constantemente vigiados por uma blogueira misteriosa, a qual não via problemas em expôr os podres de cada um deles em seu site.

A série durou 6 temporadas, cujo último episódio foi exibido em 2012, e lançou as carreiras de Blake Lively, que vivia a espontânea Serena Van der Woodsen, Leighton Meester, a mimada (e irresistível) Blair Waldorf, Penn Badgley, que vivia o introspectivo Dan Humphrey, Chace Crawford, o mauricinho Nate Archibald, e Ed Westwick, o cafajeste Chuck Bass.

Embora os personagens fossem bem diferentes entre si, duas  características uniam todos eles: os cinco protagonistas eram brancos e heterossexuais. “Gossip Girl” até apresentou alguns personagens de minorias étnicas, mas que acabaram não sendo tão essenciais para a trama, e também trouxe personagens LGBT, porém, que não foram bem exploradas. E se você sentiu falta disso na série, saiba que esse é um dos grandes arrependimentos dos próprios criadores da produção.

“Quando olho para ‘Gossip Girl’, as únicas coisas que eu me arrependo foi não ter muita representação de pessoas de cor e narrativas gays”, disse Joshua Safran ao site Vulture. “Essas são as duas coisas que nós, provavelmente, poderíamos ter aprofundado mais. Mas fora isso, eu apenas me arrependo de coisas como não mostrar Chuck tocando a Blair e os dildos e outras coisas sexuais”.

Para a mesma publicação, foram reveladas outras coisas, como Jennifer Lawrence ter feito uma audição para interpretar Serena no seriado e como se deu a participação da filha de Donald Trump, Ivanka, na série.

O quão diferente, em um sentido muito positivo, teria sido “Gossip Girl” se tivesse mais personagens negros, latinos, asiáticos e LGBT? Quantas questões importantes sobre raça, sexualidade e identidade teriam sido abordadas? 

Atualmente, segundo um estudo da GLAAD, ONG que monitora a presença de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans na mídia dos Estados Unidos, das 895 séries de 2017 da televisão aberta, apenas 43 dos personagens seriam LGBT. Apesar de ser um número baixo, é o maior encontrado pela organização. Na TV a cabo, eram 92, e em serviços de streaming eram 45. No que diz respeito à raça, 36% dos personagens fixos nas séries da TV aberta eram pessoas de minorias étnicas.

E a representação desses grupos é importante para combater preconceitos e a humanizar grupos que estigmatizados na sociedade. Caso “Gossip Girl” tivesse seguido nessa direção, um seriado cujo público era majoritariamente jovem, muitas pessoas poderiam ter se sentido mais acolhidas e vistas, além de mudar a visão de muitos sobre esses indivíduos.

Não dá para mudar o passado, mas é positivo que os criadores da série falem sobre a falta de diversidade na produção. Isso abre caminho para novas obras que contemplem mais identidades do espectro humano. Vamos torcer para que isso realmente aconteça.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *